A carteira de criptomoedas brasileira PicNic anunciou recentemente uma atualização que amplia significativamente a oferta de tokens disponíveis para negociação em sua plataforma.
O protocolo DeFi (finanças cescentralizadas) baseado na Polygon (MATIC) integrou outras sete blockchains à sua plataforma e passou a oferecer a compra e venda de mais de 4 mil criptomoedas. A partir de agora, basta realizar um depósito em reais via PIX para imediatamente poder negociar todos os ativos suportados pelo PicNic em pares com o BRLA, uma stablecoin atrelada ao real na qual os fundos dos usuários são automaticamente convertidos após a confirmação de transferências.
A expansão inclui as blockchains da Ethereum (ETH), Binance Smart Chain, Avalanche (AVAX), Arbitrum (ARB), Optimism (OP), Base e Gnosis (GNO), e permite que os usuários do PicNic possam depositar, sacar e operar uma vasta gama de ativos disponíveis nestas redes utilizando uma interface unificada.
A atualização viabiliza transações cross-chain com otimização de rotas e preços competitivos, além de possibilitar o pagamento de taxas de gás com qualquer um dos mais de 4 mil tokens suportados.
A integração de novas redes fazia parte do roadmap original do PicNic. Um dos propósitos do projeto é proporcionar uma experiência mais acessível e simplificada para os usuários finais de serviços de DeFi, como afirma João Ferreira, cofundador do PicNic, em entrevista ao Cointelegraph Brasil:
Desde que a gente começou a desenvolver o produto, nós pensávamos em adicionar mais redes. Então, boa parte do código e dos sistemas já tinham isso em mente. Mas ainda assim, foi necessário fazer alguns ajustes para resolver questões técnicas que a gente não previu inicialmente."
Ferreira afirma que o principal esforço comprometido na integração de novas blockchains à plataforma do PicNic diz respeito a ferramentas para monitoramento das ordens de compra e venda, uma vez que não há um modelo padronizado de execução de transações:
"Tivemos um grande trabalho de engenharia para conseguir conciliar esses diferentes padrões para fornecer ao usuário o acompanhamento completo de suas transações."
O PicNic integrou os protocolos debridge, li.fi e xy para otimizar as rotas das transações dos usuários, oferecendo as melhores taxas de rede e preços competitivos.
"Usamos esses provedores para comparar rotas e pontes. Eles rastreiam diversas DEX (exchanges descentralizadas) e agregadores de DEX para direcionar as transações às rotas mais eficientes e vantajosas para nossos usuários", explica o cofundador do PicNic.
Abstração de contas permite pagamento de taxas de gás com qualquer token
As carteiras do PicNic utilizam o padrão ERC-4337, tornando a experiência dos usuários mais simples e direta. Em vez de depender de chaves privadas para assinar transações, o padrão ERC-4337 viabiliza o uso de contratos inteligentes para o gerenciamento dos fundos disponíveis em uma determinada carteira.
O padrão é usado pelo PicNic para permitir que as taxas de gás de qualquer transação sejam pagas com os tokens disponíveis na carteira do usuário. Embora o processo subjacente seja complexo, a experiência do usuário final é bastante simplificada: o pagamento da taxa de gás é subtraído do token envolvido na transação, por meio da abstração de contas.
"Para o usuário, fica super simples, porque ele paga em qualquer token sem se preocupar com isso e, no final, vira simplesmente um custo em dólar, e não um custo em uma moedinha específica", diz Ferreira.
Para garantir a segurança dos usuários da plataforma, Ferreira explica que os tokens suportados pelo PicNic passam pelo filtro de três curadores externos. Apenas tokens listados na CoinGecko e nas exchanges descentralizadas Uniswap (UNI) e ShapeShift (FOX) são disponibilizados para negociação no PicNic.
Além disso, há uma verificação das condições de liquidez do token no mercado mais amplo. Ferreira diz que US$ 50 mil é o limite mínimo de liquidez que um token precisa ter para ser listado no PicNic.
Em termos de contratos inteligentes e infraestrutura, a expansão da PicNic não incorreu em riscos adicionais para a plataforma, completou o cofundador do projeto.
Ele ressalta que a atualização ainda está exigindo dos desenvolvedores a implementação de melhorias na experiência final dos usuários. Especialmente no que diz respeito ao tempo para confirmação de transações cross-chain:
"Atualmente, a maioria dos trades vai demorar de três a cinco minutos para acontecer. Funciona bem agora, porque sem o PicNic é muito mais difícil fazer esse tipo de transação. Conseguimos entregar bastante valor em relação ao uso de uma carteira autocustodial. Mas, ainda assim, acho que do ponto de vista de uma experiência de usuário realmente boa, você teria que apertar o botão e a negociação acontecer."
Ferreira explica que a evolução do processamento de transações cross-chain passa por avanços de infraestrutura que não dependem do time do PicNic, mas acredita que avanços significativos sejam feitos em breve.
PicNic projeta integração de Bitcoin nativo e expansão na Europa
Apesar de também depender de soluções criadas por terceiros, a viabilização de saques e depósitos de Bitcoin (BTC) nativo está nos planos futuros do PicNic, revela Ferreira:
"Há o Kientex, um protocolo que tem trabalhado em testes com BTC nativo, que nós pretendemos incorporar. Vai ser muito legal, pois os usuários vão conseguir fazer saques e depósitos de BTC nativo dentro do PicNic, de forma rápida e barata."
Projetando um movimento de expansão no mercado internacional, Ferreira diz estar mirando usuários baseados na Europa, uma vez que já é possível realizar saques, depósitos e transferências em euro através do PicNic a preços competitivos.
Conforme noticiado pelo Cointelegraph Brasil, o volume negociado no PicNic triplicou em março, impulsionado pela renovação das máximas históricas do Bitcoin.