Resumo da notícia
Petrobras implementa sistema de “Prova de Presença” com blockchain Cardano e cartões NFC para registrar atividades de funcionários.
Registros criptográficos auditáveis substituem controles manuais e ampliam transparência e conformidade interna.
Parceria com a Cardano começou em 2023, com iniciativas de educação, pesquisa e outras aplicações corporativas em blockchain.
A Petrobras começou a testar um sistema baseado em blockchain da rede Cardano e cartões com tecnologia NFC para registrar e validar a presença de funcionários em programas internos de treinamento e capacitação. A solução, apresentada como um modelo de “Prova de Presença (POA)”, busca transformar registros de participação em dados verificáveis, auditáveis e permanentes, com foco em processos de governança e conformidade dentro da companhia.
Segundo informações divulgadas pela Fundação Cardano, a iniciativa substitui sistemas manuais de controle de frequência, como registros em papel e bases de dados isoladas, por um mecanismo digital que registra cada interação do funcionário como um evento criptograficamente validado e armazenado em rede pública.
O modelo adotado pela Petrobras utiliza cartões NFC vinculados aos funcionários de forma anonimizada. Ao entrar ou sair de sessões obrigatórias de treinamento, os trabalhadores aproximam o cartão de um leitor, gerando um registro digital assinado criptograficamente.
Cada evento é validado e armazenado na blockchain Cardano como um dado permanente e imutável. O sistema registra também horários de entrada e saída, permitindo verificar se o participante permaneceu durante toda a atividade ou apenas realizou o registro inicial.

A infraestrutura utiliza assinaturas criptográficas, janelas de sessão controladas por instrutores autorizados e verificação independente por administradores ou terceiros aprovados. Segundo os desenvolvedores, esse processo cria um histórico auditável sem depender exclusivamente de bancos de dados centralizados.
Sistemas tradicionais obsoletos
A iniciativa busca resolver limitações comuns em sistemas tradicionais de controle de frequência. Registros manuais podem ser contestados, sofrer erros de preenchimento ou registrar apenas um momento isolado, sem comprovar participação contínua.
Com o modelo baseado em blockchain, cada interação gera um registro permanente com data e hora verificáveis. A Petrobras afirma que o sistema pode produzir até 400% mais dados verificáveis sobre participação em comparação com métodos convencionais.
Funcionários recebem confirmações por e-mail após cada registro de presença, enquanto instrutores e administradores recebem relatórios diários consolidados. A empresa também permite validação independente dos dados por auditores ou parceiros autorizados.
Marcelo A. F. Curi, arquiteto de soluções blockchain da Petrobras, afirmou em comunicado que a confiabilidade dos processos depende de dados verificáveis. Segundo ele, a infraestrutura pública da Cardano permitiu estabelecer um novo padrão de transparência e responsabilidade no controle de participação.
“Não existe conformidade confiável sem dados verificáveis. A blockchain pública da Cardano nos permitiu estabelecer um novo padrão de transparência e responsabilidade por meio da Prova de Presença (PoA).”, disse.
A empresa afirma que a escolha da rede Cardano ocorreu devido à capacidade de operar em larga escala, ao baixo custo de transação e à segurança da infraestrutura.
Parceria entre Petrobras e Cardano começou em 2023 e já envolveu outras iniciativas
A parceria da Petrobras com a Cardano começou em 2023. Naquele ano, a Fundação Cardano ea estatal brasileira se uniram para oferecer programas de formação em blockchain por meio da Petrobras University. A iniciativa introduziu conteúdos da Cardano Academy para funcionários da companhia, com cursos sobre fundamentos da tecnologia, casos de uso e aplicações empresariais.
O programa incluiu workshops realizados em ambientes virtuais e discussões sobre regulação global e brasileira. Os participantes receberam certificação após concluir os treinamentos, e os primeiros participantes ganharam NFTs que registravam o progresso educacional.
A parceria tinha como objetivo ampliar o conhecimento interno sobre blockchain e estimular o desenvolvimento de novas aplicações no setor energético. A Fundação Cardano declarou, na época, que esperava que a colaboração impulsionasse experimentos e projetos tecnológicos dentro da companhia.
A Petrobras também já havia testado outras soluções baseadas em blockchain antes do projeto atual. Em parceria com o Banco do Brasil, a empresa utilizou uma rede distribuída para autorizar movimentações financeiras corporativas dentro do Sistema Brasileiro de Poderes (SBP).
Segundo o Banco do Brasil, processos que antes levavam até oito dias úteis passaram a ser concluídos em poucas horas após a adoção da tecnologia. A solução permitiu transferências contínuas, maior automação e redução de etapas operacionais.
Mais recentemente, em 2025, a Fundação Cardano anunciou parceria com a PUC-Rio para pesquisa em aplicações blockchain voltadas ao setor de energia. O projeto envolve colaboração com a Petrobras e concentra-se no desenvolvimento de soluções para combustíveis renováveis, governança digital e eficiência operacional.

