Resumo da notícia
Paraguai pretende usar 30.000 máquinas ASIC apreendidas para minerar Bitcoin sob controle estatal.
Projeto piloto começa com 1.500 mineradores operando com energia excedente de Itaipu.
Enquanto isso, Brasil já apreendeu mais de 2.000 equipamentos, mas muitos permanecem sem uso definido.
O Paraguai saiu na frente do Brasil e decidiu transformar um problema em oportunidade. Em vez de manter equipamentos confiscados parados em depósitos, o país pretende utilizar cerca de 30.000 máquinas de mineração de Bitcoin apreendidas para gerar receita e desenvolver infraestrutura tecnológica.
A iniciativa surgiu após a Administração Nacional de Eletricidade do Paraguai (ANDE) assinar um Memorando de Entendimento (MOU) com a empresa de tecnologia Morphware.
O acordo cria uma estrutura formal para que equipamentos apreendidos em operações contra mineração ilegal passem a operar de forma regulamentada sob controle estatal.
Segundo o plano divulgado pelas autoridades paraguaias, os cerca de 30 mil dispositivos ASIC atualmente armazenados pelo governo serão instalados gradualmente em instalações controladas pela ANDE. A fase inicial prevê a implantação de 1.500 máquinas em um projeto piloto que avaliará o desempenho operacional da estrutura.
Para Kenso Trabing, fundador e CEO da Morphware, a decisão representa uma mudança importante na forma como governos lidam com equipamentos apreendidos. Segundo ele, a ANDE conseguiu “desbloquear um recurso poderoso” ao decidir reutilizar hardware que anteriormente operava de maneira ilegal.
De acordo com um levantamento feito por meio de publicações oficiais das autoridades do Brasil, o Cointelegraph Brasil estimou que as diferentes ramificações da polícia no país já tenham apreendido mais de 2 mil equipamentos para minerar BTC, no entanto, não é possível saber quais já foram leiloados pela Receita Federal.
Paraguai vai minerar Bitcoin
O projeto pretende aproveitar um dos principais ativos do Paraguai: o grande excedente de energia hidrelétrica produzido pela usina binacional de Itaipu.
Apesar do potencial do projeto, parte das máquinas apreendidas pertence a gerações mais antigas de mineradores. O inventário inclui modelos como o Antminer S9, lançado pela Bitmain há quase uma década, além de equipamentos mais recentes.
Com o aumento constante da dificuldade da rede Bitcoin, esses dispositivos antigos podem apresentar menor rentabilidade em comparação com equipamentos de última geração. Ainda assim, o governo paraguaio aposta que o baixo custo operacional, já que os equipamentos foram apreendidos e a energia é abundante e controlada pelo Estado, pode compensar essa diferença de eficiência.
O programa piloto avaliará se o uso de energia excedente e hardware consegue gerar retorno suficiente para justificar a operação. Além da mineração de Bitcoin, o acordo também prevê o desenvolvimento de infraestrutura de computação avançada, incluindo aplicações ligadas à inteligência artificial e processamento de dados.
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Ao operar sob supervisão direta da ANDE, o governo busca reduzir o impacto da mineração ilegal e, ao mesmo tempo, capturar o valor econômico que essas máquinas podem gerar.
Para Trabing, o projeto reflete uma nova visão sobre o papel das redes elétricas na economia digital.
“Este é o futuro da eletricidade intermediária: redes que não apenas fornecem energia, mas também participam da infraestrutura digital que viabilizam”, afirmou o executivo.
A Morphware atuará como parceira técnica do projeto, fornecendo suporte para a implementação e operação da infraestrutura de mineração.

