Enquanto alguns entendem os NFTs como uma tecnologia revolucionária, muitos ainda veem os tokens não fungíveis como algo sem sentido e prejudicial à preservação do meio ambiente devido ao gasto energético envolvido nas transações. Mesmo os gamers, a quem supostamente os NFTs beneficiam por viabilizar a propriedade digital de itens de jogos, parecem desconfiados.
Movido pela curiosidade de tentar entender as razões à resistência e apresentar seus argumentos a favor da nova tecnologia, o músico Mike Shinoda, do Linkin Park, abriu um thread no Twitter que acabou gerando um amplo debate a respeito do tema.
Real Saturday convo. I’m surprised by so much negative sentiment by gamers about NFTs. Can we chat?
— Mike Shinoda (@mikeshinoda) January 8, 2022
Of all the applications, gaming is a place that *players* can benefit a LOT from blockchain.
Do they not know yet that there are eco friendly NFTs?
Lets talk, keep it civil!
Convocação de sábado real. Estou surpreso com tanto sentimento negativo dos gamers sobre NFTs. Podemos conversar?
De todas as aplicações, games são um ambiente no qual os *jogadores* podem se beneficiar MUITO da blockchain.
Eles ainda não sabem que existem NFTs ecologicamente corretos?
Vamos conversar, manter a civilidade!
— Mike Shinoda (@mikeshinoda)
Aos poucos, as críticas foram surgindo. Partiram desde a falta de sentido de investir altas quantias de dinheiro em jpegs, passaram por menosprezo à jogabilidade dos games play-to-earn, o caráter especulativo do mercado cripto, o medo de que os desenvolvedores se aproveitem da tecnologia para gerar mais custos aos usuários, o sempre lembrado impacto ambiental da tecnologia blockchain e até mesmo que os NFTs seriam uma forma de espelhar a desigualdade social entre pobres e ricos nos jogos.
I hate in-game currency, it sucks. Artificial scarcity is terrible and NFTs are just a way to make the differential between rich and poor even more entrenched in games. You're only OK with it because you think you'll be one of the rich.
— BoboTheTalkingClown (@BoboTalkClown) January 10, 2022
Eu odeio moedas de jogo, é uma merda. A escassez artificial é terrível e os NFTs são apenas uma maneira de tornar a diferença entre ricos e pobres ainda mais enraizada nos jogos. Você só está bem com isso porque acha que será um dos ricos.
— BoboTheTalkingClown (@BoboTalkClown)
Shinoda respondeu pedindo que os críticos se informassem acerca dos games Axie Infinity e Gods Unchained, destacando que existem pessoas gerando fluxos de renda constantes com estes jogos. Concluiu afirmando que se trata de uma nova forma de formar comunidades em torno de games.
Um usuário identificado como Phil (@LePhilion) foi direto em sua resposta: "Por que os tem que ser um trabalho? Não quero a porra do mercado de ações de verdade na minha cara quando jogo videogame.
Mais ou menos na mesma linha, o usuário Chasergaming (@denchaser) afirmou: "Impactos ambientais à parte, os jogos baseados em NFT criarão ‘exclusividade’ em itens que estarão disponíveis apenas para aqueles que podem comprá-los. Causará desequilíbiros nos jogos com jogadores mais ricos sendo 'superalimentados'. Isso afastará os jogadores reais e não haverá mais jogadores jogando. Somente....."
Até mesmo o baixista do Linkin Park, Dave Phoenix Farrell, adicionou um comentário em tom de ironia.
I bought the NFT code to go straight to Mike Tyson (007 373 5963), but still can’t beat him. Will a blockchain help?
— Dave Phoenix Farrell (@phoenixlp) January 8, 2022
Comprei o código NFT para ir direto ao Mike Tyson (007 373 5963), mas ainda não consigo vencê-lo. Uma blockchain ajudará?
— Dave Phoenix Farrell (@phoenixlp)
Embora as manifestações tenham sido majoritariamente negativas, houve também quem se posicionasse ao lado de Shimoda na defesa dos games, dizendo que a tecnologia é nova e portando ainda mal compreendida.
Shibetoshi Nakamoto, o perfil pseudônimo que se apresenta como um dos criadores do Dogecoin (DOGE), radicalizou nesse sentido, afirmando que inevitavelmente aqueles que hoje criticam os tokens não fungíveis futuramente se renderão a eles.
it’s not about the environment, that’s just used to justify anger/outrage/jealousy/etc.
— Shibetoshi Nakamoto (@BillyM2k) January 8, 2022
it’s mostly cuz crypto bros are annoying and people feel left out and don’t see the benefits
NFTs will be rebranded, those same outraged people will utilize and enjoy them unknowingly 🤷♂️
a questão não é o meio ambiente, isso é um argumento usado apenas para justificar raiva/indignação/ciúme/etc.
é principalmente porque a comunidade cripto é irritante e as pessoas se sentem excluídas e não veem os benefícios
Os NFTs serão repaginados, essas mesmas pessoas indignadas irão utilizá-los e apreciá-los sem saber
— Shibetoshi Nakamoto (@BillyM2k)
Ao final, Shimoda fez um inventário discussão apontando as principais reservas dos seus intercolutores em relação aos NFTs, concluindo que as pessoas ainda estão aprendendo que tokens não fungíveis podem ser mais do que meros jpegs e se prestam a casos de uso diversos que podem beneficiar a indústria criativa. O vocalista do Linkin Park citou a música, o cinema, uma personagem e os próprios games, apesar das opiniões em contrário, como segmentos cujos criadores e fãs podem s
Os gamers ortodoxos estão em rota de colisão com os NFTs porque no auge do ciclo de alta do mercado de criptomoedas no ano passado, a mineração de criptomoedas competiu com a indústria de games por recursos, provocando o aumento dos preços do hardware.
A estética e a jogabilidade dos games em blockchain ainda está muito aquém do que dos jogos tradicionais e, é claro, o impacto ambiental ainda é mal compreendido.
Mike Shinoda não é apenas um fã dos tokens não fungíveis. Em 3 de dezembro, Mike Shinoda lançou seu novo trabalho solo em formato NFT. Trata-se da mixtape generativa "ZIGURATTS", que foi disponibilizada em 5 mil unidades totalmente únicas e já esgotadas. A unidade 5001 chegou às plataformas de streaming e pode ser ouvida gratuitamente aqui.
Conforme o Cointelegraph Brasil noticiou recentemente, apesar da queda generalizada do mercado de criptomoedas no início de 2022, os NFTs estão em alta. Terrenos virtuais no metaverso não custam menos do que R$ 58.000 e o volume de negociação do principal marketplace de tokens não fungíveis, o OpenSea, se encaminha para atingir seu recorde mensal ao final de janeiro.
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