'Blockchain ainda está longe da institucionalização', afirma executiva do JP Morgan

Joyce Chang, presidente global de pesquisa do JPMorgan Securities, disse que a tecnologia blockchain ainda está longe da institucionalização e precisa superar alguns obstáculos antes de alcançar a adoção em escala intersetorial. Chang fez seus comentários durante uma entrevista concedida nesta última quinta-feira, 7 de feveriro, no programa de televisão "Bloomberg Daybreak: Americas".

Chang observou que a adoção da blockchain - se ainda não institucionalizada - está sendo liderada por indústrias com características particulares onde a tecnologia pode trazer ganhos de eficiência de backend reais e imediatos. Ela destacou os setores que dependem de sistemas legados complicados, como o financiamento do comércio, devem ter um impacto especial entre os próximos três a cinco anos.

Outra área importante citada pela executiva foi o compartilhamento de informações, apontando para a expansão contínua da rede de dados interbancários baseada em blockchain do JPMorgan, que já conta com 157 bancos participantes:

“Passamos pela experimentação, ainda está em uso, mas estamos observando mais adoção da tecnologia. A Espanha está à frente. A Bolsa de Valores da Austrália também.

No entanto, ela identificou os principais obstáculos para que a tecnologia possa gradualmente oferecer uma mudança transformacional por atacado e entre indústrias:

“Como você tem escala quando a própria natureza da tecnologia é descentralizada? Essa é a questão central sobre a blockchain. Eu acho que eles ainda estão trabalhando em questões regulatórias, também relacionadas à privacidade e segurança de dados.”

Dada a complexidade de resolver essas questões, Chang argumentou que a implementação da tecnologia ainda permanece restrita a casos específicos e que certas indústrias apresentam dificuldades significativas como, por exemplo, na cadeia de suprimentos e logística, em que o desafio de automatizar dados de ponta a ponta permanece considerável. 

Como Chang lembrou, o uso da blockchain para digitalizar documentos comerciais e automatizar processos de financiamento comercial ganhou, de fato, um impulso significativo nos últimos meses. Em janeiro deste ano, a unidade de Singapura da empresa multinacional de serviços financeiros e bancários sediada em Londres, Standard Chartered, completou seu primeiro acordo de financiamento de comércio baseado em blockchain.

A StanChart é também uma das dezenas de grandes bancos - entre eles o HSBC e o BNP Paribas - que desenvolveram e lançaram em conjunto uma plataforma de financiamento em blockchain no ano passado, a eTrade Connect.

Chang já havia revelado sua posição sobre o impacto significativo da blockchain para o financiamento do comércio, acrescentando que, para os pagamentos globais, é improvável "reinventar [o sistema], mas [em vez disso] fornecer melhorias marginais."