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Cassio Gusson
Escrito por Cassio Gusson,Redator
Rafaela Romano
Revisado por Rafaela Romano,Ex-editor da equipe

Itaú reconhece que não aceita abrir contas correntes para empresas de Bitcoin

Itaú declara ao CADE que não abre conta para empresas de Bitcoin temendo uso para que sejam cometidos crimes

Itaú reconhece que não aceita abrir contas correntes para empresas de Bitcoin
Notícias

O Banco Itaú, um dos principais bancos do Brasil, confessou ao Conselho Administrativo de Defesa Econômica (CADE) que não aceita abrir conta corrente para empresas de Bitcoin e criptomoedas.

Segundo declarou o Itaú, em documento enviado ao CADE, a instituição alega que as empresas de criptoativos não são reguladas por nenhuma autoridades.

Porém, o Itaú estende esta "proibição" também aos sócios destas empresas.

"(...) que inclui não aceitar abertura ou manter ativa contas correntes de corretoras de criptoativos e de pessoas naturais envolvidas na mesma atividade, incluindo participantes do quadro societário das referidas corretoras.", declarou.

Desta forma, segundo o Itaú elas não tem obrigação de cumprir requisitos para impedir que seus serviços sejam usados para praticar Lavagem de Dinheiro ou Financiamento de Terrorismo (PLD/CFT).

"Conforme o ltaú Unibanco teve a oportunidade de se manifestar nos autos do Inquérito em referência, sua política de PLD/CFT, em relação às corretoras de criptoativos, deve-se principalmente à inexistência de legislação voltada a elas sobre as suas responsabilidades envolvendo PLD/CFT", afirmou.

CNAE

O Itaú afirmou também que não a obtenção, pelas exchanges de criptomoedas, de um CNAE próprio para sua atividade em nada modificará a política do Itaú.

Portanto, o banco continuará impedido que exchanges de criptomoedas abram conta corrente em suas agências.

"A criação de um CNAE (Classificação Nacional de Atividades Econômicas) específico para as atividades de corretagem e custódia de criptoativos não alterou ou alterará a política de Prevenção a Lavagem de Dinheiro/Combate a Financiamento de Terrorismo (PLD/CFT) do ltaú Unibanco", aifrmou.

Ao CADE o Itaú também confessou que já encerrou diversas contas de empresas e pessoas ligadas ao mercado de criptoativos, entre elas, a da exchange Mercado Bitcoin.

"Não temos nada a ver com empresas de criptomoeda'"

No documento o Itaú declarou também que não tem quaisquer relações societária com empresas ligados ao mercado de criptomoedas.

"Ao que é do melhor conhecimento do Itaú Unibanco, considerando, por exemplo, haver situações de tesouraria institucional (i.e. investimentos diversos, de variação diária e mediante participações minoritárias em empresas de vários segmentos), nenhuma empresa controlada direta ou indiretamente pelo ltaú Unibanco Holding S.A. (Conglomerado ltaú Unibanco), até o momento, atua como e/ou também detêm participação com controle em corretoras de criptoativos".

Contudo o banco é sócio da XP Investimentos, uma das maiores corretoras do Brasil.

Por seu lado a XP além de oferecer exposição a fundos multimercado baseados em criptomoedas também já teve participação direta no mercado de criptoativos por meio de uma empresa chamada XDEX que encerrou suas atividades em 2020. Confira o documento completo do Itaú.

LAVA JATO

Enquanto o Itaú declara que não abre conta pare emrpesa de bitcoin temendo ser usado para atividades suspeitas e para evitar lavagem de dinheiro, a instituição é acusada de ajudar correntistas a receber mais de R$ 1 bilhão em propina segundo aponta investigação da Lava Jato.

"O que está em apuração é se o banco adotou todas as cautelas devidas para evitar que funcionários fossem cooptados e valores fossem lavados ou se ele foi omisso", disse o procurador da República Roberson Pozzobon, integrante da força-tarefa da Lava Jato em Curitiba.

Segundo investigações do Ministério Público, dentro da operação Lava Jato, os bancos permitiram a abertura de contas corrente em nome de empresas de fachada e de companhias operadas por doleiros

No total os bancos teriam 'viabilizado' cerca de R$ 1,3 bilhão de recebimentos supostamente ilícitos em alguns casos por meio de ooptação de funcionários dos bancos e falhas em sistemas de controle de operações suspeitas.

Confira a reposta completa do Itaú

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