Seu salário já não compra mais os produtos que comprava há 3 anos? No mercado cada dia os produtos estão mais caros? Pois bem, de acordo com o FMI, se a situação econômica das nações está ruim, a tendência é piorar. Em termos de números, o FMI previu que o crescimento global diminuiria de 6,0% em 2021 para 3,2% em 2022 e ainda pior em 2023.
Se esses números parecem confusos para você, efetivamente indicam o perfil de crescimento mais fraco desde 2001.
De acordo com uma análise da Coinspaid, esse problema inflacionário afeta o Brasil e outros países, como a Turquia, que registrou uma taxa de inflação de 85,51% no final do ano passado, mas também potências como o Reino Unido, que tem lidado com contas de eletricidade elevadas, aluguéis exorbitantes e aumento de impostos.
No Brasil isso se reflete em preços cada vez maiores para produtos básicos, eletrônicos, roupas, entre outros. Na Argentina, os produtos importados agora estão inacessíveis, e se estiver na Ucrânia, pode se encontrar sem eletricidade. O mundo está 'mal das pernas'.
Como as criptomoedas reagem à crise econômica global?
Diante da inflação, nos últimos anos, Vietnã, Filipinas, Ucrânia e Índia ocuparam os primeiros lugares no índice global de adoção de criptomoedas de 2022 da Chainalysis. Já na América Latina, o ranking é liderado pelo Brasil seguido de Argentina, México e Colômbia.
A crescente adoção das criptomoedas é provavelmente motivada pelo medo da inflação. A empresa de gestão de ativos de criptomoedas Grayscale realizou uma pesquisa e descobriu que mais de um quarto dos entrevistados sentiu um desejo crescente de interagir com criptomoedas devido à atual crise econômica global.
Abrir uma conta bancária em uma moeda diferente é um procedimento complexo e caro, porém a compra de criptomoedas leva apenas alguns passos e é muito mais móvel e acessível. Tudo o que é necessário é uma conexão com a internet e um dispositivo inteligente.
Embora a crise econômica global tenha colocado uma imensa pressão nos mercados financeiros, incluindo o mercado de criptomoedas, alguns setores de ativos digitais permanecem em grande parte inalterados. Para Max Krupyshev, CEO da Coinspaid, os dados mostram que a indústria de pagamentos em criptomoedas ainda está crescendo.
Ele destaca que o CryptoProcessing da CoinsPaid processou US$ 6 bilhões em pagamentos com criptomoedas, um aumento de 41,25% em relação ao primeiro trimestre de 2022 e um aumento de 9,36% comparado ao trimestre anterior. Independentemente do inverno cripto de 2022, o número de pagamentos aumentou, que ele destaca ser um sinal positivo da saúde do mercado.
Krupyshev afirma ainda que, depois da pandemia, houve uma pressão pela descentralização como resultado.
“Espera-se que a demanda por pagamentos em blockchain aumente significativamente já que a máquina gigante e desajeitada da centralização parece estar a caminho do fim, e a pandemia recente tem parte nisso. No Brasil, por exemplo, vimos o Banco do Brasil liberar, de maneira inédita, o pagamento de impostos com criptomoedas”, comenta.
Além disso, a pandemia empurrou o local de trabalho para a internet e cada vez mais pessoas estão se mudando para o exterior, já que não são mais obrigadas a morar em uma cidade cara. Isso significa que a demanda por serviços financeiros descentralizados está aumentando. Os funcionários estão procurando um meio de pagamento estável com o potencial de criptomoedas transfronteiriças, e os stablecoins estão assumindo o centro do palco como resultado.
Bitcoin, o dinheiro do povo
Quem concorda com Krupyshev e aponta que o Bitcoin é a resposta para os desmandos dos governos que prejudicam o poder de compra das pessoas é Robert Kiyosaki, renomado autor do best-seller "Pai Rico Pai Pobre", que reforça sua fé no Bitcoin como ativo de reserva de valor.
Kiyosaki, popularmente conhecido como "Pai Rico", é convicto de que o preço do Bitcoin atingiria os US$ 100.000, referindo-se a ele como "o dinheiro do povo". Kiyosaki, que também é um investidor e educador financeiro, tem sido um defensor do Bitcoin desde 2018, vendo-o como uma alternativa ao dólar americano, o qual ele rotula como um engano.
Recentemente ele declarou estar adquirindo mais ouro, prata e Bitcoin porque acredita que o Federal Reserve (FED), o Departamento do Tesouro dos EUA (Treasury) e o atual presidente dos EUA, Joe Biden, são mentirosos. Kiyosaki justifica o sucesso e a recuperação do Bitcoin ao longo de 2023, argumentando que as pessoas apoiam o Bitcoin e não o FED ou o Governo.
"Bitcoin é a resposta contra toda a inflação e os desmandos dos governos" afirma.
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