O governo do Irã ratificou no sábado passado (24/10) os regulamentos para a mineração legal de criptomoedas. Segundo o documento, as criptomoedas extraídas por mineradores autorizados seriam usadas para importações afim de abrandar as sanções impostas pelos EUA ao Irã. As sanções impactam a balança comercial devido à falta de dólar e euro nas reservas iranianas.

A medida proposta ao Banco Central do Irã (CBI) pelo Ministério da Energia exige que os mineradores de criptomoeda licenciados vendam as moedas que extraírem diretamente ao CBI, informou o Tehran Times

A notícia correu o mundo das criptomoedas e todo citam o Islamic Republic News Agency (IRNA) como fonte, contudo não há mais nenhuma menção à notícia no site da IRNA e tampouco no site oficial do CBI. A última manifestação pública oficial que cita o CBI aprovando o uso da mineração para fins de mitigação às questões cambiais é de 22 de julho de 2019, em uma postagem feita pela Câmara de Comércio, Minas, Agricultura e Indústria Iraniana.

O Ministério da Energia tem a atribuição de definir um teto para a produção por parte das fazendas legalizadas e autorizadas, tanto quanto a cota de energia consumida por cada unidade. A produção dos mineiros não deve exceder o teto. O CBI disse que anunciará detalhes em breve.

O Irã vem avançando e retrocedendo na sua relação com as criptomoedas há algum tempo, já tendo inclusive banido as criptomoedas ano passado. O governo do Irã havia anunciado regras gerais sobre criptomoedas no ano passado, quando a mineração ilegal por meio do uso de eletricidade altamente subsidiada levou a uma repressão nacional aos mineiros.

O comércio de moedas digitais como o Bitcoin tornou-se legal depois que os regulamentos foram anunciados em agosto de 2019, embora o governo esteja de olho no tamanho do comércio e em seus possíveis impactos na situação financeira do Irã. O governo do país desde então, emitiu mais de mil licenças para empresas de mineração de cripto.
 

 

O quão barato é minerar no Irã

A mineração de criptoativos se tornou uma atividade e um setor atrativo para o Irã e para os mineradores devido às taxas de subsídio de eletricidade que são destacadamente atraindo a atenção de diversas fazendas industriais de mineração de criptoativos, cerca de US$ 0,11 por um kilowatt-hora (kWh) de energia. 

Porém, durante o auge do verão (entre junho e setembro), as taxas são maiores, em US$ 0,46 por kWh. Com o acordo feito para facilitar a mineração no país, os mineradores pagarão entre US$ 0,005 a US$ 0,15 por um kWH de eletricidade, de acordo com informações do site do Ministério de Energia do Irã. O Irã é uma potência energética possuindo ricas reservas de carvão mineral e ouro, usado intensivamente nas termoelétricas, usinas hidroelétricas e usinas nucleares.

O país possui mais energia que consome, se tornando um fornecedor de energia para diversos países, tais como Afeganistão e Azerbaijão. Atualmente cerca de 54 empresas estão construindo usinas de energia renovável, como energia solar e eólica e hidrelétricas, com uma capacidade total de 229,39 MW.

Com a utilização das novas usinas, injetará mais de 493,5 mil quilowatts-hora (kWh) de eletricidade de fontes renováveis na rede nacional, conforme o IRNA divulgou em 22 de outubro. Portanto, é de olho nesse manancial de energia excedente que os mineradores estão mirando o Irã como o maior hub de mineração fora da China. A primeira fazenda de mineração legalizada foi autorizada em julho do ano passado, segundo o portal de notícias local, o Mehr News.

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