A Capital Research publicou, recentemente, um relatório sobre como proteger investimentos de uma possível volta da inflação.

Assim, segundo Samuel Torres, analista-chefe da casa, uma volta da inflação hoje “parece não preocupar os investidores, mas deveria”, argumenta.

Volta da inflação

Embora a previsão do boletim Focus da última segunda-feira (17) é de que, até o final do ano, a inflação deverá ficar em 1,67%, (abaixo da meta de 4% e do limite inferior de tolerância, que é de 2,5%).

Porém o especialista alerta que isso não significa que o risco de hiperinflação desapareceu do radar e afirma que “não se pode ignorar [esse risco] ao decidir a composição do seu portfólio.”

Isso se deve ao fato de que, de acordo com as análises feitas por Torres, até as previsões mais confiáveis, como a mediana das projeções do IPCA, extraída do Relatório Focus no início de cada ano, desde 2010, podem ter “erro de cálculo”.

Portanto, segundo ele, foram mais de 10 pontos percentuais de diferença no caso mencionado.

Aumento de gastos do governo

Em paralelo, na visão de Samuel Torres, o que estamos vendo no Brasil é um aumento de gastos por parte do governo, teoricamente, pontuais e justificados por causa da pandemia de Covid-19.

“Mas, o fato é que ninguém sabe quando esses gastos serão estancados, tanto que já vemos discussões sobre uma possível extensão do estado de calamidade pública para 2021 e sobre um possível furo no teto de gastos. Dessa forma, o temor é que seja necessário ‘imprimir’ mais dinheiro em um futuro próximo para financiar esse aumento de gastos. Enquanto a economia está extremamente debilitada, não há preocupação de inflação. Quem tem dinheiro está economizando, pois o futuro ainda é muito incerto. Mas quando as coisas melhorarem, daí pode ser que a inflação acelere”, explica o especialista.

Cuidado com a inflação

O relatório alerta, ainda, para três tipos de investimentos que são bons em um portfólio diversificado, mas que, em caso de alta da inflação, não protegem o investidor: ações, commodities e títulos de renda fixa prefixados, sobre os quais Torres é enfático.

"Cuidado! Esses títulos não oferecem nenhuma proteção contra a inflação. Na verdade, eles são diretamente prejudicados por sua aceleração, uma vez que pagam uma taxa de juros fixa. Por isso, acho bastante arriscado investir, neste momento, em títulos prefixados com vencimentos mais longos do que dois ou três anos", declara.

Assim, segundo ele, se a inflação no período acelerar e superar a rentabilidade do título, mesmo que ele tenha sido mantido até o vencimento, o poder de compra será menor do que no momento da aplicação.

Bitcoin

Especialistas ouvidos pelo Cointelegraph indicam que o Bitcoin é um ativo que pode ser uma ótima alternativa contra a inflação.

O BTC é um ativo não correlacionado e portanto não estaria vinculado a estas variações.

Assim, segundo o trader de criptomoeda Scott Melker, ter Bitcoin como um ativo na composição de seu portifólio minimiza os riscos de perdas atreladas a uma alta da inflação.

“Esta é a mesma razão pela qual todos os investidores devem possuir algum Bitcoin - ele oferece risco idiossincrático, em vez de risco sistemático, como outros ativos. Mesmo que seja um ativo RISKIER, colocá-lo em um portfólio reduz o risco geral do portfólio devido a essa falta de correlação.”

Bitcoin contra a inflação

Além disso segundo o co-fundador e especialista em criptomoedas da Morgan Creek Digital, Anthony Pompliano, detalhou que o Bitcoin pode ser um importante ativo de proteção contra a inflação.

"Há uma desvalorização da moeda. O segredo para construir riqueza é sair do caixa e entrar em ativos denominados em dólares que continuarão a aumentar em valor por longos períodos de tempo - ações, imóveis, ouro, Bitcoin, tudo isso".

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