Não é só o Bitcoin que nos últimos 12 anos vem se valorizando anualmenteatingindo valores recordes e conquistando cada vez mais adeptos. Assim, o mercado de arte, muito mais antigo que o de criptoativos, também oferece oportunidades para quem deseja 'se arriscar'.
Diferente do BTC que pode ser adquirido facilmente em qualquer exchange de criptomoedas ou por meio de comerciantes p2p, obras de arte geralmente são envoltas em um 'ar' de burguesia, requinte e, portanto, não estariam disponíveis ao investidor 'comum'.
Porém, embora obras de arte sejam vendidas em leilões mundiais por valores que superam os US$ 100 milhões, é possível 'arriscar' um investimento neste mercado sem ser milionário.
Em 2013 por exemplo o artista de rua Banksy colocou boa parte de seus trabalhos à venda nas ruas de Nova York pelo preço de US$ 60, porém hoje, 8 anos depois, cada obra está avaliada em mais de US$ 400 mil.
No Brasil trabalhos como da dupla de grafiteiros "Os Gêmeos", assim como de nomes como Adriana Varejão, Eduardo Kobra, Beatriz Milhazes e Vik Muniz, hoje avaliados em milhões, já estiveram na casa dos 'milzinhos'.
Mas como investir em obras de arte?
Porém se você acha que o mercado financeiro e o mercado de criptoativos é 'arriscado', passível de manipulação e cheio de 'bolhas', é porque você nem imagina como é o mercado de compra e venda de obras de arte que tem uma lógica própria, sem transparência alguma e totalmente sem fundamento 'estatístico' no valor das obras.
Assim, um quadro assinado por Picasso, por exemplo, pode ser vendido a US$ 140 milhões enquanto outro, do mesmo autor, arrecada 'menos' de US$ 50 milhões.
No Brasil recentemente uma tela da pintora brasileira Tarsila do Amaral foi vendida por R$ 57,7 milhões, porém estimativas apontam que outra obra dela, o Abaporu, que teve sua última venda feita em 1995 por US$ 1,5 milhões, na época considerado um valor "muito alto para a obra", vale hoje mais de US$ 40 milhões.
Mas como saber o que vai valorizar ou que está com o preço inflado? Segundo a jornalista Luana Neves, se você não tem dinheiro, o negócio é arriscar.
"Diferente do que muita gente pensa, não é necessário investir grandes somas de dinheiro em obras de arte para ter retorno no longo prazo. De acordo com especialistas, é possível investir neste setor com aportes a partir de R$ 500. Para pequenos investidores, há opções de investimento em telas, esculturas, gravuras, fotos e diversas outras peças dos mais diferentes artistas. Quanto mais renomado o artista, mais cara se torna a obra de arte", alega.
Assim, segundo ela, investimento em obras de arte é algo a longo prazo e também precisa de estudo.
"Também é fundamental que o investidor entenda ao menos um pouco de arte antes de tomar uma decisão de compra. Recomenda-se, ainda, conhecer e estudar a carreira do artista, sua trajetória, visitar galerias e frequentar, sempre que possível, eventos de arte – como a Bienal Internacional de Arte.", destaca.
Fundos de investimento
Mas para quem não quer ficar indo em exposição e não deseja arriscar comprando uma tela que nunca vai valer nada, especialistas destacam que, assim como Bitcoin e criptomoedas, há, no Brasil, fundos de investimento que investem em obras de arte.
Um dele é o Brazil Golden Art, da gestora Plural Capital que possuí mais de 540 obras de arte de mais de 300 artistas brasileiros. O acervo do fundo é composto por obras de artistas “blue chips” – nomes consagrados no mercado das artes – e “small caps” – artistas emergentes, cujas obras devem valorizar nos próximos anos.
“Os investidores interessados, no entanto, devem ficar atentos à liquidez do fundo: o prazo mínimo para o resgate do investimento é de cinco anos”, ressaltou o especialista André Bona.
Obras de arte e criptomoedas
Já para quem deseja investir em obras de arte mas não 'abre mão' das criptomoedas uma tendência cada vez mais crescente são os tokens NFT.
Recentemente a casa Nifty Gateway anunciou o leilão de uma coleção de arte do ator e co-criador por trás da série de animação cult da Adult Swim, Rick e Morty.
O marketplace de tokens não fungíveis (NFT) vai leiloar obras de arte do co-criador de Rick e Morty, Justin Roiland no dia 19 de janeiro. A plataforma declarou que "várias obras de arte originais" de Roiland seriam oferecidas como parte da coleção.
Já no final do ano passado, a obra digital Right Place & Right Time”, uma obra de arte digital baseada no preço flutuante do Bitcoin (BTC), foi vendida por mais de US $ 100.000.
Além disso artistas consagrados em todo o mundo como o chinês Al Wei Wei, já realizaram obras que aliam blockchain e tokenização, algumas dessas peças chegaram a ser distribuídas gratuitamente e hoje estão estimadas em mais de US$ 10 mil.
Golpes
Porém, assim como no mercado de criptoativos, o mercado de obras de arte é cheio de golpes, muitas vezes praticados por pessoas próximas dos artistas.
Segundo reportagem do jornal DC, desde que a internet surgiu, o problema da comercialização de arte falsificada só aumentou.
Desta forma, a principal moeda no mundo dos golpes com artes é a falsificação.
Assim, a cópia falsa, é relativamente fácil de fazer e geralmente difícil de ser detectada, que muitas vezes é vendida a um preço suficientemente baixo para atrair compradores novatos de forma indiscriminada.
"Nos últimos anos, confiscamos centenas de cópias falsas vindas da Itália, da Espanha e de Portugal, que os falsificadores e revendedores disseram ser de Lichtenstein, Georg Baselitz, Picasso e outros", disse Elena Spahic, da Polícia da Baviera, em Munique, especializada em falsificação de arte.
Mas não precisar ir para a Europa para encontrar obras falsas de artistas renomados, no Mercado Livre é possível ver obras atribuídas as pintores famosos no Brasil, como Di Cavalcanti e Portinari sendo vendidas por R$ 100.
Lembra a Tarsila do Amaral, a do quadro que vale US$ 40 milhões? Então, no Mercado Livre, há telas atribuídas à pintora sendo vendidas por menos de R$ 1 mil.
"Se é bom demais para ser verdade, então desconfie, porque provavelmente é mentira", alertam os especialistas sobre o mercado de arte.
LEIA MAIS