Enquanto detratores do Bitcoin argumentam que a principal criptomoeda do mercado não tem qualquer utilidade e, por não ter um suposto 'lastro' seu valor seria igual a 0, o Fundo Monetário Internacional (FMI) realizou uma série de reuniões nesta semana com todas as nações que integram a organização e revelou que o mundo pode entrar em uma nova crise global já em três anos caso não sejam tomadas medidas drásticas de controle financeiro pelos governos.

Segundo a organização, uma dívida feita por empresas privadas de nações como EUA, China, Japão e nações da Europa, teria o valor de cerca de US$ 19 trilhões e caminhava para ser 'impagável', jogando o mundo todo em uma nova recessão econômica.

A organização detalha que a dívida do setor privado passou de US$ 34 trilhões para US$ 51 trilhões e teria sido formada como parte do 'pacote de ações' de afrouxamento da políticas monetárias para impulsionar o globo para a saida da última crise global desencadeada pelo subprime nos EUA.

A famosa crise do subprime jogou por terra o conceito de "Fim da História", revisitado por Francis Fukuyama, e foi o combustível para a criação do Bitcoin por Satoshi Nakamoto, Tanto que o criador do BTC anexou ao primeiro bloco minerado, o bloco gênesis uma referência ao jornal The Times de 03 de janeiro de 2009 que trazia em sua manchete que a chanceler do Reino Unido planejava (o que de fato ocorreu) um novo resgate aos bancos

Os números e o cenário 'sombrio' para os próximos anos foram apresentado por Tobias Adrian, diretor do Departamento Monetário e de Mercado de Capitais do FMI que também destacou que embora as instituições financeiras sejam mais 'saudáveis' que antes da crise o setor 'não financeiro' e o setor financeiro 'não bancário' vive uma crise de liquidez que pode desencadear um 'calote' massivo.

Desta forma, segundo o FMI, é preciso que as nações revejam suas políticas de 'afrouxamento' e aumentar a vigilância e as normas de segurança para todo o mercado.

Além disso o FMI destacou nações na qual a dívida externa é até 160% das exportações e as "vulnerabilidades financeiras evidentes da China", motor de desenvolvimento de diversos países e segunda economia global.

"Nenhum país estará livre dos impactos de uma crise global se o quadro se agravar. Polícias de juros baixos, crédito fácil e expansão monetária chegaram ao limite (...) agora é preciso que as nações usem as finanças públicas para reanimar as economias e evitar uma freada mais forte", disse o chefe do Departamento de Assuntos Fiscais, Vítor Gaspar.

O FMI deixou claro nas reuniões que há uma crise de liquidez global impulsionada por políticas de afrouxamento com relação a empresas que acabaram contraindo dívidas totalmente impagáveis.

No entanto, enquanto a última grande crise global impulsionou a criação do bitcoin, especialistas se dividem sobre como o criptoativo pode se comportar em uma nova recessão global. Enquanto uns acreditam que ele pode ser usado como uma reserva de valor para preservar o dinheiro dos investidores outros alertam que a criptomoeda ainda seria muito 'nova' para este fim e que o dinheiro hoje aplicado em Bitcoin também poderia 'sair' para atender a outros compromisso e investimentos.

“Eu não tenho tanta certeza de que ainda seja um bem seguro (bitcoin), mas acho que está começando a agir como um. Eu acho que as pessoas estão começando a gerenciar o portfólio, estão começando a entrar devagar. E quando o mercado está ficando instável você viu o crescimento do Bitcoin, quero dizer, você não veria isso antes, ele estava negociando como um ativo de risco”, disse Nelson Minier, executivo-chefe da Kraken.

Já o economista de criptomoedas da XDEX, plataforma dos sócios da XP Investimentos, Fernando Ulrich, defende que a criptomoeda pode ser uma boa alternativa para uma recessão global e argumenta que investidores podem sim procurar o criptoativo como forma de preservar o valor do dinheiro tal qual é feito com o ouro.

Como noticiou o Cointelegraph, recentemente o FMI lançou um canal para debater a adoção de stablecoin e CBDC em todo o mundo. O portal chamado "A ascensão do dinheiro digital" descreve os prós e contra desta digitalização da economia que traz benefícios mas também riscos, segundo o FMI, para a estabilidade financeira global.