O CEO brasileira Bitfy, Lucas Schoch, revelou que chegou a gastar 1200 Bitcoins em itens no jogo World of Warcraft.

No valor atual, o montante seria superior a R$ 121 milhões, contudo Schoch, durante o podcast Conexão Satoshi #16, destacou que os Bitcoins 'investidos' no Warcraft foram gastos por ele entre 2011 e 2013 quando a criptomoeda 'ainda não valia nada'.

“Quando eu descobri que eu tinha gasto mais de 1200 BTC em itens do Warcraft, em 2013, eu acabei ficando extremamente frustrado. Aquele ano foi bem difícil para mim. Só que eu comecei a entender como aquela tecnologia estava se valorizando.”

Mineração de Bitcoin

Schoch revelou no podcast que começou a minerar Bitcoin em 2011 justamente para usar no Warcraft.

"Você podia comprar itens de outras pessoas usando Bitcoin e, nesse caso, comprar com Bitcoins era mais barato do que comprar com reais. Porque eu podia deixar meu computador minerando enquanto eu trabalhava ou fazia alguma coisa e quando chegava em casa eu tinha 10 bitcoins e foi assim que eu comecei", disse.

O CEO da Bitfy também revelou outros detalhes dos 'primórdios' do Bitcoin afirmando que naquela época não havia wallets ou serviços de pesquisa e monitoramento de blockchain.

“Wallet é um negócio muito recente, naquela época você rodava um script que te dava dois hashes, que era sua chave pública e privada. Aí você usava a chave pública para gerar os endereços que você podia receber [btc] e usava a privada para fazer assinatura das transações que você queria transmitir posteriormente.”, disse Schoch.

Segurança

Schoch destacou que naquela época Bitcoin era coisa de 'nerd' e as pessoas não davam muito atenção para o que ele poderia se tornar.

O empresário, por exemplo, revelou que armazenava suas chaves privadas e endereços em um documento no desktop sem qualquer preocupação com segurança.

"Eu salvava tudo em um notepad o Windows e deixava tudo no meu desktop e minhas chaves lá, escrito private key e public key", afirmou.

Inclusive, segundo ele, como não havia serviços como o blockchain.com que permitiam ver o status de uma transação muitos bitcoins acabavam sendo 'jogados fora'.

"Naquela época você tinha que criar uma transação e mandar fazer o broadcast dela e ai o seu nó não sincronizava e aquela transação 'sumia' e aí você achava que não tinha mais bitcoin naquela carteira você jogava ela fora. Só que na verdade ele não tinha feito o broadcast e seus bitcoins continuavam lá. Era tudo muito precário", disse.

Arrependimento

Porém apesar do Bitcoin ser uma 'moeda de troca' em jogos, Schoch revelou que acabou se arrependendo do gastou no Warcraft.

“Eu li uma matéria dizendo que o Bitcoin tinha chegado a US$ 1 mil. Então eu olhei para um amigo meu e disse: Isso não é aquela moeda que era usado no jogo?. Aquilo foi bizarro mas me fez compreender muitas coisas", afirmou.

Assim, com sua experiência em ser um dos 'early adopters' de Bitcoin e os problemas que enfrentou decidiu empreender no mercado de criptoativos e criou a Bitfy.

"Eu vi que tinha perdido meus milhões naquela época, porque se com essa dificuldade, que só o gordinho do Warcraft consegue fazer uma transação, e ainda perde dinheiro para caramba nisso, o Bitcoin chegou a valer US$ 1.000, é porque esse negócio vai valer muito dinheiro quando tiver uma experiência de usuário decente.” finalizou.

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