Relatório do governo de Hong Kong diz que Bitcoin apresenta "risco médio-baixo" no crime financeiro

OServiço Financeiro e Tesouro de Hong Kong (FSTB) divulgou ontem, 30 de abril, um relatório sobre a situação da lavagem de dinheiro (LdD) e o financiamento do terrorismo (FT). O relatório concluiu que as moedas virtuais (MV), como o Bitcoin (BTC), não estão particularmente envolvidas em nenhum tipo de crime financeiro.

O FSTB observa que “embora haja vulnerabilidade inerente de LdD/FT relacionada a MVs”:

“Não parece haver qualquer impacto visível que afete o risco global em Hong Kong até agora. O risco das MVs é avaliado como médio-baixo”.

O relatório menciona o uso de criptomoedas em esquemas Ponzi e crimes cibernéticos – mencionando especificamente o ataque WannaCry – citando 167 relatórios policiais relacionados ao Bitcoin (BTC) de 2013-2017.

O Relatório de Avaliação do Risco de Lavagem de Dinheiro e Financiamento do Terrorismo também menciona que o FSTB, os reguladores financeiros de Hong Kong e as agências de aplicação da lei estão trabalhando juntos para analisar os riscos associados às Ofertas Iniciais de Moedas (ICO) e criptomoedas em geral também:

“Embora não tenhamos encontrado riscos substanciais nesses métodos de pagamento ou commodities recém-desenvolvidas, essa é uma área em rápido desenvolvimento que exige monitoramento contínuo.”

Segundo o relatório, as criptomoedas não são consideradas moeda legal em Hong Kong. O FTSB sugere que como Hong Kong “é uma das economias mais livres do mundo com um mercado de câmbio vibrante e nenhum controle de capital [...] as MVs não são tão atrativas quanto em economias nas quais as pessoas podem tentar burlar os controles cambiais ou buscar refúgio de uma alta taxa de inflação”:

“A troca de Bitcoins em pessoa não é popular [...] no mercado interno, o uso do Bitcoin permanece em um nível insignificante”.

O relatório escreve que os caixas eletrônicos Bitcoin em Hong Kong também “não são usados popularmente por pessoas em Hong Kong”.

Como comparação, na Venezuela – um país cuja economia está atualmente experimentando a hiperinflação – muitos cidadãos começaram a confiar no Bitcoin como uma reserva de valor mais estável em comparação à sua moeda nacional.

Em fevereiro deste ano, a Comissão de Valores Mobiliários e Futuros de Hong Kong (SFC) alertou os potenciais investidores de cripto de que manteriam o policiamento sobre a criptomoeda e os mercados de ICO. Em meados de março, a SFC suspendeu uma ICO em Hong Kong e fez a empresa devolver o dinheiro arrecadado, alegando que se tratava de um esquema de investimento não registrado. Mais recentemente, em meados de abril, a SFC disse que o tipo de captação de recursos feito através de ICOs é mais adequado para fundos de capital de risco.