O mercado de ouro tokenizado está se expandindo em paralelo ao aumento da demanda por ouro físico, destacando uma mudança mais ampla em direção a ativos tradicionais de proteção, à medida que tensões geopolíticas e incertezas comerciais afastam investidores do dólar americano.
Na segunda-feira, a Tether afirmou que seu Tether Gold (XAUt) agora representa mais da metade de todo o mercado de stablecoins lastreadas em ouro, com um valor total superior a US$ 2,2 bilhões.
A Tether divulgou que 520.089 tokens XAUt estavam em circulação no final do quarto trimestre, com cada token lastreado um-para-um em ouro físico mantido em reserva.

O CEO Paolo Ardoino afirmou que o veículo de investimento em Tether Gold da empresa, que detém o ouro que lastreia o XAUt, cresceu o suficiente para se equiparar, em escala, a alguns detentores soberanos de ouro.
O anúncio ocorreu no momento em que o ouro negociado na Comex ultrapassou US$ 5.000 por onça troy pela primeira vez, após um ganho acumulado no ano de cerca de 17%.
O dólar americano recua à medida que a compra oficial de ouro acelera
A alta do ouro vem sendo construída há anos, impulsionada em grande parte por bancos centrais que vêm reduzindo constantemente sua dependência do dólar americano e recompondo reservas de ouro como proteção contra riscos cambiais, aumento das tensões geopolíticas e, em menor grau, exposição a sanções.
Os bancos centrais aceleraram suas compras na segunda metade de 2025, adquirindo um total líquido de 220 toneladas de ouro no terceiro trimestre, de acordo com dados do World Gold Council. A renovada acumulação reflete um esforço mais amplo dos gestores de reservas para se afastar de ativos denominados em dólar e migrar para reservas de valor que ficam fora do sistema financeiro global.
Esses fluxos coincidiram com uma queda sustentada do dólar desde que o presidente dos EUA, Donald Trump, assumiu o cargo no início de 2025. O Índice do Dólar Americano (DXY) caiu 9,4% no ano passado, seu pior desempenho anual desde 2017, e ampliou a queda neste mês, atingindo o menor nível desde setembro.
Desde 19 de janeiro, o índice caiu mais 2,4%, segundo dados da Bloomberg.

Alguns analistas alertam que o movimento pode não ter terminado. Otavio Costa, da Azuria Capital, afirmou que o dólar rompeu abaixo de uma linha de suporte de longo prazo pela primeira vez em mais de uma década, com confirmação provável em base mensal.
“A operação de desvalorização agora é amplamente compreendida”, escreveu Costa, “mas a próxima fase é um enfraquecimento generalizado do dólar americano em relação a outras moedas fiduciárias”.

O Bitcoin (BTC) ainda não substituiu o ouro de forma significativa nesse papel. Embora frequentemente apresentado como proteção contra a desvalorização monetária, o Bitcoin não conseguiu atrair fluxos constantes e de longo prazo na mesma medida, especialmente de investidores mais velhos e conservadores.
Uma análise do estrategista de investimentos Karel Mercx, da marca holandesa de assessoria financeira e revista de investimentos Beleggers Belangen, concluiu que o Bitcoin até agora ficou aquém de sua promessa como proteção contra a desvalorização monetária, deixando o ouro como o hedge preferido.

