Gigante da mineração é denunciada com Google, Apple, Tesla e Microsoft por usar mão de obra infantil

A gigante da mineração Glencore, que recentemente anunciou que utilizará uma solução em blockchain da IBM para rastrear cobalto, foi citada em um processo judicial que acusa também Google, Apple, Microsoft, Tesla e Dell de explorarem mão de obra infantil em minas de cobalto na República Democrática do Congo.

Segundo o Estadão, as companhias estão sendo processadas pelas famílias de crianças que morreram ou sofreram lesões permanentes enquanto trabalhavam em minas de extração de cobalto para ser utilizado na bateria de produtos eletrônicos como smartphones, carros elétricos e notebooks.

O processo, movido pela International Rights Advocates, revela que as crianças eram pagas o equivalente a US$ 2 por dia para realizar tarefas perigosas e sem os equipamentos adequados.

E afirma que Apple, Google, Tesla, Microsoft e Dell, clientes da Glencore, agiram em cumplicidade com o trabalho infantil presente nas minas de cobalto do Congo, país que concentra a maior quantidade do metal no mundo.

Cobalto rastreável por blockchain

Dias antes de ser acusada de explorar o trabalho infantil em minas do Congo, a Glencore emitiu um comunicado à imprensa, na quinta-feira (12), confirmando o seu ingresso na "Rede Blockchain de Fornecimento Responsável" (RSBN, em inglês).

Trata-se de uma iniciativa composta por grandes empresas que utilizam a tecnologia para melhorar a transparência.

Na ocasião, a mineradora informou que utilizará a plataforma Hyperledger Fabric desenvolvida pela IBM para o rastreamento de cobalto, com previsão de se tornará membro do consórcio até fevereiro de 2020.

A utilização da blockchain na cadeia de suprimentos das grandes indústrias, tem como uma das principais funções coibir situações ilegais como trabalho infantil e exploração predatória do meio ambiente por meio de um rastreamento mais transparente, já que a tecnologia permite a transmissão inalterável de informações sobre um material desde a sua origem até o produto final.

Como destacou o Cointelegraph, as multinacionais IBM, Ford, LG Chem, Huayou Cobalt e a auditoria RCS Global firmaram parceria para o desenvolvimento de um projeto-piloto que visa monitorar a trajetória do cobalto na cadeia produtiva através da blockchain.