*Atualizado às 11:50 com o posicionamento do Itaú sobre seu ETF.
Na manhã de 16 de novembro, através de seu blog, a exchange Gemini anunciou que saques do seu programa de rendimentos, Gemini Earn, atrasariam em razão de problemas com outro player do mercado, a Genesis. Não tardou para que surgissem preocupações sobre a saúde das atividades da empresa dos gêmeos Winklevoss, como a exchange e o serviço de custódia.
Além da Gemini, outra empresa suspeita de ser afetada pela Genesis é a gestora Galaxy Digital. Ambas as instituições possuem relação com produtos de investimento em criptoativos oferecidos no Brasil. Hashdex e QR Asset mencionam a Gemini na descrição de seus fundos, enquanto o Itaú lançou um ETF de Bitcoin (BTC) cuja custódia é feita pela Galaxy.
O Cointelegraph Brasil conversou com as gestoras Hashdex e QR Asset, que falaram sobre suas relações com a Gemini.
O caso Genesis
A Genesis anunciou, na manhã de 16 de novembro, que paralisou os saques de seus clientes, mencionando o colapso da FTX como causa. O anúncio foi uma surpresa para o mercado cripto, tendo em vista que a companhia é um importante player do ecossistema. Conforme noticiado pelo Cointelegraph Brasil, boa parte das empresas centralizadas que oferecem rendimentos com ativos digitais utilizam os serviços da Genesis.
Uma matéria do Wall Street Journal alimentou a preocupação de investidores do mercado cripto. De acordo com a reportagem, antes de paralisar os saques, a Genesis buscou um empréstimo emergencial de US$ 1 bilhão. A empresa, porém, supostamente não teve sucesso.
O fundador da Blockworks, Jason Yanowitz, foi ao Twitter em 16 de novembro falar sobre o tamanho da Genesis e quão perigoso é o seu colapso. Além de fornecer soluções de rendimentos para grandes players, a empresa faz parte do Digital Currency Group (DCG), holding da qual faz parte a gestora Grayscale. O Grayscale Bitcoin Trust (GBTC) é um dos fundos mais famosos do ecossistema de ativos digtiais.
O risco de colapso da Genesis, que é também o risco de colapso de Gemini e Galaxy Digital, não demorou a ser percebido pelo Brasil. Duas das principais gestoras de fundo cripto do Brasil, Hashdex e QR Asset, mantêm relações com a Gemini até certo ponto. Como ficam os investidores?
Hashdex alega não ter exposição
O HASH11 foi o primeiro fundo de índice, ou ETF, da América Latina a acompanhar o preço de criptoativos. O índice escolhido foi o Nasdaq Crypto Index (NCI), uma cesta que segue o desempenho de 11 diferentes criptoativos. Na página dedicada ao NCI dentro do site da Nasdaq, a Gemini é mencionada duas vezes: dentro da categoria de “principais exchanges” e da categoria “principais custodiantes”.
Imagem: principais exchanges e custodiantes do NCI/Nasdaq
Em entrevista ao Cointelegraph Brasil, Samir Kerbage, diretor executivo de produtos e tecnologia da Hashdex, conta que a gestora não possui exposição à Gemini. Kerbage afirma que o NCI tem muitas exigências sobre quais empresas podem integrar as categorias de exchanges e custodiantes relevantes ao índice. A menção na lista indica somente que as empresas passaram pelo crivo da Nasdaq.
“As exchanges listadas são usadas pelo NCI para acompanhar o preço dos ativos da cesta. Já os custodiantes são empresas que se qualificam para serem custodiantes, mas não quer dizer que a custódia é necessariamente feita por todas as empresas da lista”, diz Kerbage.
Quanto a uma possível relação de custódia estabelecida diretamente entre a Hashdex e a Gemini, o executivo da gestora afirma que esta também não existe. “É uma decisão puramente comercial. Na hora de escolher o custodiante, avaliamos e entendemos não ser vantajosa a relação.”
A paralisação dos ganhos do programa Gemini Earn não implica obrigatoriamente no contágio da empresa como exchange e custodiante, avalia Kerbage. “É natural que após a Genesis interromper os saques, os players que utilizavam a empresa para oferecer rendimentos adequem suas atividades.”
Declarações da QR Asset
A QR Asset Management, que também oferece fundos de criptoativos no Brasil, afirmou que os ativos de seus ETFs são custodiados pela Gemini Custody. Este não se confunde, porém, com o Gemini Earn, serviço interrompido em razão da paralisação de saques da Gemini, ressalta Alexandre Ludolf, diretor de investimentos da QR Asset Management.
Ludolf salienta que a Gemini é uma Trust Company registrada no Estado de Nova York, e detentora da BitLicense, licença necessária para que empresas de criptoativos atuem no estado.
“Por ser uma trust company, a empresa atende a requerimentos regulatórios ainda mais rigorosos do que a BitLicense no que diz respeito à segregação de ativos e à proibição de praticar qualquer tipo de reserva fracionária. Além disso, a segregação de ativos é requisito para a obtenção desta licença, e sua validação contínua depende de auditorias anuais de verificação desta condição, sob pena de pesadas multas”, acrescenta Ludolf.
A segregação mencionada pelo diretor de investimentos da QR Asset Management diz respeito à separação dos fundos dos usuários e da empresa. Ludolf pondera que, “apesar de casos de más práticas de alguns agentes”, ainda existem empresas que se submetem a normas vigentes do mercado financeiro tradicional.
“A QR Asset, protagonista deste grupo de empresas, reitera que apenas se relaciona com contrapartes reguladas que apresentam alto padrão de governança e auditabilidade.” Ludolf acrescenta que a gestora continuará monitorando as condições do mercado, a fim de preservar o capital dos investidores.
Por fim, o porta-voz da QR Asset avalia que a atual crise do ecossistema cripto, iniciada pelo colapso da FTX, reforça a necessidade de uma regulação mais clara e específica do setor.
Galaxy não tem relação
Apesar dos boatos de que a Galaxy Digital estaria exposta à Genesis, a Bloomberg publicou um comunicado da empresa alegando não possui exposição à plataforma do DCG.
Ainda que a afirmação não seja verídica, o Itaú Asset disse ao Cointelegraph Brasil que a Galaxy Digital não é custodiante do ETF BITI11. "Ela é prestadora de serviço em uma parceria na gestão do produto. Nosso ETF não tem exposição de crédito à Genesis".
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