O mercado contratos futuros de moedas é a nova onda entre investidores nacionais e registrou um aumento de uase 100% neste tipo de investimento.

Em 2017, quando o Bitcoin registrou uma alta que levou a criptomoeda a US$ 20 mil a B3, chegou a anunciar que estava estudando o lançamento de contratos futuros de Bitcoin, contudo, após a queda do criptoativo e o bear market de 2018 a bolsa não comentou mais o assunto.

Segundo um levantamento da Infinox Capital, trading inglesa que forma mercado futuro no Brasil,  o mercado de futuros está em ascensão no país e já foram negociados mais de 310 mil contratos, contra 145 mil em dezembro.

Na preferência dos investidores brasileiros cinco pares de moedas, contra o dólar americano, formam o leque das mais negociadas em janeiro.

  • EURUSD (EUP): 108 mil – recorde histórico desde o início do contrato em 2018.
  • AUDUSD (AUD): 91 mil
  • USDCAD (CAD): 52 mil
  • USDJPY (JAP): 30 mil
  • GBPUSD (GBR): 26 mil

“Embora alguns pares como EURUSD tenham sido negociados sem muitas oscilações, de modo geral, os maiores pares de FX, que nomeamos de G10, tiveram poucas mudanças de direção”, explica Victor Hugo Cotoski, executivo da Infinox. 

O dólar australiano contra o dólar americano tem tido uma certa atenção junto ao GBPUSD, pois como o AUD é considerado um termômetro de otimismo no mercado de moedas e representa uma correlação com commodities, como o petróleo, conseguiu conquistar uma valorização contínua nos últimos seis meses. 

De acordo com Cotoski, conforme a commodity e os índices sobem, mostra-se um cenário positivo e a moeda tende a seguir esse ritmo. 

A libra também é considerada um destaque para os investidores, devido ao fato do Reino Unido estar adiantado em relação a vacinação contra o novo coronavírus - 23% a frente de outros países segundo estudos, além de mostrar confiança após um Brexit rígido. 

Moedas estrangeiras

A B3 teve recordes de volume financeiro do euro contra o dólar no início do ano, com 108 mil contratos negociados, e carrega um outro destaque no número de negócios feitos no AUD, mais de 860 negócios foram feitos. 

Desde o início da vacinação em dezembro, a libra esterlina vem ganhando forças semanalmente, saindo de 1.3600 no início do último mês do ano para 1.3950. Atualmente, resultando em um crescimento de 3%.

“As moedas como, libra, euro e dólar, o peso de cada ponto percentual é muito grande, diferente de moedas emergentes como o real, que chega a subir e cair 2% em um único dia” – nos conta Cotoski. 

O pacote de US$ 1.9 trilhões está para sair, que foi proposto pelo presidente dos Estados Unidos, Joe Biden, em novembro, continua aquecendo os mercados de ações que não param de renovar as máximas. Porém, há uma preocupação com a curva de juros futuros do tesouro americano, que vem subindo semanalmente. 

“Isso mostra que os investidores estão precificando que possivelmente terá um aumento na taxa de juros dos EUA, evento que tem sido alertado há meses. Essa elevação no pagamento dos prêmios levaria o preço do dólar para um patamar mais alto, porque pode ter uma procura maior pela moeda, para trocar pelo título”, explica Victor Hugo.

Nas últimas semanas, a moeda americana vem ganhando força contra todos os outros países emergentes e mayors (representa o G10, as 10 moedas mais negociadas). De cada 10 bancos e casas de análises que a Infinox recebe relatórios diários, sete deles acreditam em um posicionamento forte do dólar em 2021, principalmente no segundo semestre. 

Real 

A moeda brasileira sofreu muitas oscilações e continua sendo a número um entre as moedas emergentes mais desvalorizada e barata, segundo diversos estudos de preço, demanda e probabilidade. O Brasil tem sofrido a maior volatilidade da história do câmbio. 

Para Cotoski, não há um cenário de certezas e fatos claros sobre os próximos passos da economia brasileira. Abaixo, o executivo compartilha pontos que prejudicam o avanço de um ambiente econômico positivo, são eles: 

  • A pandemia não está controlada, logo a curva de infecção fica em alta e perto dos recordes; 
  • Não há vacinas nem para 20% da população e os picos da segunda onda ainda podem atingir o Brasil; 
  • As reformas não estão claras e o plano de teto de gastos e fiscal continuam no papel;
  • Não existem fatos concretos para que os investidores estrangeiros mudassem o seu capital para o Brasil. Isso resulta na desvalorização da moeda, a volatilidade e ainda tem o perigo do dólar operar com força em todo o mundo, que somado a essas incertezas levaria o real perto da casa dos 6.00. 

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