A Foxbit uma das exchanges de criptomoedas mais antigas do Brasil, está participando de um consórcio com a Amazon Web Services (AWS), TecBan e outras empresas para participar dos testes do Real Digital, CBDC que deve ser lançada no próximo ano pelo Banco Central do Brasil.

O consórcio também conta com o Banco da Amazônia (Basa), Pinbank Brasil, Banco Arbi, Cresol, Parfin, CPQD, ClearSale, Dinamo Networks e a nTokens. Embora o Banco Central tenha publicado que os testes do Real Digital envolvem a tokenização de um título público usando o Hyperledger Besu, o consórcio pede que os testes envolvam  uma CPR (Cédula de Produto Rural) tokenizada.

Entretanto nas diretrizes para os testes do Real Digital publicado pelo BC, o regulador, nesta etapa de testes, não abriu precedente para as empresas proporem projetos ou casos de uso para tokenização diferente do que o anunciado pelo BC. Segundo o BC o que se pretende testar agora não é o que pode ou não ser tokenizado, mas como o processo irá funcionar dentro do Real Digital.

Desta forma, o BC escolheu um Título Público Federal para todos os participantes que devem testar todo o processo, desde a emissão, compra, liquidação e queima dos tokens gerados.

O BC quer testar a segurança e viabilidade do uso do Hyperledger Besu no processo, portanto, diferente do LIFT Challenge no qual a proposta era conhecer os casos de uso para o Real Digital que o mercado poderia desenvolver.

Onda de consórcios

Os testes do Real Digital estão movimentando a criação de uma 'onda' de consórcios no Brasil. Muitos deles reunindo antigos 'rivais' como bancos e exchanges de criptomoedas que no passado lutaram entre si no Conselho Administrativo de Defesa Econômica (CADE) inclusive com bancos declarando que exchanges eram porta de entrada para lavagem de dinheiro.

A onda de consórcios ocorre, pois, nesta fase de testes, o BC anunciou que irá selecionar apenas 10 participantes para testar o Real Digital. Além disso, o BC afirmou que entre os 10 participantes só serão aceitos empresas que fazem parte do escopo de regulação do Banco Central, excluindo, portanto as empresas de criptomoedas, startups e outras instituições de investimento.

Deste modo, ao formar um consórcio, as empresas regulamentadas ganham uma 'chance' a mais nos testes e as 'vetadas' pelo BC contornam as restrições e podem ter a chance de acessar o Real Digital antecipadamente.

A tática também foi seguida por outras empresas cripto como Mercado Bitcoin e Liqi. O Banco Capitual, uma das instituições mais favoráveis ao mercado de criptoativos, atuando como provedor de pagamento de diversas exchanges no país, também firmou um consórcio para participar do Real Digital.

Real Digital

O Banco Central anunciou no começo do mês a criação do Fórum Real Digital, através da Portaria Nº 117.231. Segundo o documento, o fórum funcionará como um comitê consultivo permanente, com o objetivo de facilitar a comunicação com agentes e entidades representativas de instituições reguladas pelo Banco Central, além de outros setores envolvidos no desenvolvimento da plataforma do Real Digital.

O fórum será coordenado pelo chefe do Departamento de Operações Bancárias e de Sistema de Pagamentos (Deban), e em suas ausências, será substituído pelo servidor Fabio Araujo. 

O regulamento anexo à portaria define o Fórum Real Digital como um espaço para consultas, trocas de informações e a orientação de expectativas acerca do piloto do Real Digital e de outros temas relacionados à moeda digital.

Conforme o documento do BC, terão participação assegurada no fórum instituições reguladas pelo BCB, desenvolvedores ou provedores de aplicações, ou serviços baseados na tecnologia de registro distribuído (DLT), provedores de serviços de tecnologia da informação e servidores do Banco Central e de outros órgãos e entidades reguladoras relacionadas aos assuntos discutidos.

A coordenação do Fórum Real Digital terá a função de definir os temas a serem discutidos, a periodicidade e a pauta das reuniões, decidir sobre a constituição de grupos de trabalho temáticos, responder a consultas, esclarecer dúvidas e fornecer ao Banco Central os subsídios necessários para a execução dos trabalhos relacionados ao piloto do Real Digital.

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