FMI reconhece oficialmente Bitcoin como reserva de valor; Banco Central do Brasil já inclui BTC no balanço de pagamentos

O Fundo Monetário Internacional (FMI) reconheceu oficialmente Bitcoin como reserva de valor e explicou durante as Reuniões Anuais do FMI e do Banco Mundial, em Washington, porque o Brasil inseriu Bitcoin no Balanço de Pagamentos do país e porque a organização internacional vem recomendado a todos os países que façam o mesmo.

O assunto foi abordado em um painel “O que sabemos sobre criptoativos”, comandado por Bo Zhao, do Departamento de Secretário do FMI, Venkat Josyula, do Departamento de Estatística e Sonja Davidovic, do Departamento de Tecnologia da Informação .

No painel, Josyula observou que, devido a vários fatores em desenvolvimento, o FMI passou a debater a inclusão de Bitcoin e criptomoedas nas estatísticas macroeconômicas, inclusive o Brasil havia abordado o FMI sobre como tratar criptoativos nas estatísticas nacionais.

“Esses países nos abordaram porque não havia padrões estatísticos internacionais, uma vez que os criptoativos são um fenômeno novo (...) Os criptoativos combinam as propriedades de moedas, mercadorias e ativos intangíveis. São representações digitais de valor possibilitadas pela criptografia e pela tecnologia de contabilidade distribuída”, destacou

Ao falar sobre a mineração de Bitcoin e o impacto doméstico nos países membros, ele citou vários países baseados na atividade, incluindo China e EUA, mas enfatizou que a Geórgia está muito mais envolvida nela, já que o pequeno país representa cerca de 15 % da oferta global de Bitcoin.

“Estima-se que seja em torno de 5% do seu PIB ou 10% da exportação de bens e serviços. Quando você o compara com outras atividades econômicas da Geórgia, a produção agrícola da Geórgia é de cerca de 6% do PIB. Então você pode entender um país tão pequeno como a Geórgia, o quanto essa atividade de mineração é importante ”, diz ele.

Desta forma o FMI passou a entender que o Bitcoin deve ser considerado de duas formas, como um criptoativo não financeiro e como um ativo não financeiro produzido, pois passa a existir como resultado de um processo de produção como mão de obra, capital, bens e serviços sob o controle, responsabilidade e gerenciamento de empresas de mineração e reconheceu que o criptoativo é uma reserva de valor.

“Recomendamos a classificação do Bitcoin como um criptoativo mas em uma categoria distinta de objetos de valor. Por quê? Porque esses ativos são semelhantes aos metais processados, que podem ser usados ​​como reserva de valor ou como permuta na compra de bens e serviços”

Ainda segundo Josyula, a classificação do Bitcoin "deu trabalho" até chegar a um consenso internacional sobre sua classificação, entretanto a organização multilateral continua estudando o criptoativo de modo a manter atualizada a estrutura para a medição de criptoativos nas estatísticas macroeconômicas das nações.

"Continuaremos monitorando de perto os desenvolvimentos em criptoativos e poderemos atualizar esta orientação se as condições mudarem substancialmente no futuro. O desafio mais crítico daqui para frente, é a coleta de transações e dados dos criptoativos. Embora existam muitos participantes neste ecossistema a coleta de dados de transações de exchanges de criptomoedas e dados de posições de provedores de carteira pode ser a maneira mais eficiente e precisa. Idealmente, esses dados devem ser fornecidos aos bancos centrais e escritórios de estatística nos respectivos países através de algum tipo de intercâmbio internacional de dados”, disse (a medida ja é adotada no Brasil pela IN 1888)

Como noticiou o Cointelegraph, o Banco Central do Brasil divulgou recentemente uma revisão para o Balanço de Pagamentos do Brasil de 2019 e uma perspectiva do mesmo para 2020 e, atendendo a recomendações do Fundo Monetário Internacional (FMI) passou a incluir Bitcoin e criptoativos, conforme informou o BCB.

"O Comitê de Estatísticas de Balanço de Pagamentos, órgão consultivo sobre metodologia das estatísticas do setor externo ao Departamento de Estatísticas do Fundo Monetário Internacional (FMI), recomendou classificar a compra e venda de criptoativos (especificamente aqueles para os quais não há emissor) como ativos não-financeiros produzidos, o que implica sua compilação na conta de bens do balanço de pagamentos. A atividade de mineração de criptomoedas, portanto, passa a ser tratada como um processo produtivo. A recomendação foi formalizada no texto “Treatment of Crypto Assets in Macroeconomic Statistics”.  Por serem digitais, os criptoativos não tem registro aduaneiro, mas as compras e vendas por residentes no Brasil implicam a celebração de contratos de câmbio. As estatísticas de exportação e importação de bens passam, portanto, a incluir as compras e vendas de criptoativos. O Brasil tem sido importador líquido de criptoativos, o que tem contribuído para reduzir o superávit comercial na conta de bens do balanço de pagamentos", disse a época o Banco Central.