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Flávio Bolsonaro x Lula: como as eleições de 2026 podem impactar o Ibovespa e as criptomoedas

Levantamento nacional indica cenário polarizado para 2026 e fortalece a percepção de criptoativos como alternativa ao risco fiscal e político.

Flávio Bolsonaro x Lula: como as eleições de 2026 podem impactar o Ibovespa e as criptomoedas
Brasil

Resumo da notícia

  • Pesquisa mostra Lula na liderança, mesmo com desaprovação acima de 51%, reforçando a polarização para 2026.

  • Investidores reduzem exposição à Bolsa e buscam criptoativos, vistos como proteção contra risco político e fiscal.

  • Bitcoin e stablecoins ganham liquidez em períodos eleitorais, por funcionarem como infraestrutura global e descorrelacionada.

Uma pesquisa realizada em todo o Brasil pelo Instituto França, entre 26 e 30 de dezembro, com 2.401 entrevistas por telefone, revelou que o atual presidente do Brasil, Luis Inácio Lula da Silva, mantém a liderança na corrida eleitoral, tanto no cenário estimulado como no cenário espontâneo, embora a avaliação do governo seja majoritariamente negativa com 51,3% de desaprovação.

De acordo com os dados, da pesquisa no voto espontâneo, Lula lidera, com 19,2%, seguido por Jair Bolsonaro (8,3%) e Flávio Bolsonaro (3,4%). Já o cenário estimulado de primeiro turno indica Lula com 35,4% das intenções de voto, seguido por Flávio Bolsonaro, que soma 23,9%; Ratinho Júnior (6,5%), Romeu Zema (5,9%) e Ronaldo Caiado (5%).

No Polymarket, principal mercado preditivo cripto, o cenário também reflete os dados da pesquisa, com Lula liderando e Flávio Bolsonaro em segundo, seguido por Tarcísio, Renan Santos e Ratinho Junior.

Criptomoedas, Negócios, Brasil, Adoção

Denise Cinelli, COO global da Notbank (antiga CryptoMarket), destaca que a polarização na eleição de 2026 fica evidente no Brasil e apesar do Brasil não ser um ‘definidor’ no preço do Bitcoin, é certo que o cenário eleitoral vai impactar a liquidez dos investimentos no país.

De acordo com Cinelli, a dinâmica que afeta as ações brasileiras é conhecida: o mercado antecipa o risco fiscal e a incerteza política vendendo papéis "esticados". Mas no universo das criptomoedas, o comportamento tem sido de descorrelação parcial.

"O investidor brasileiro amadureceu. Ele entendeu que, enquanto o Ibovespa sofre com o risco de país, o Bitcoin e as stablecoins funcionam como um 'seguro contra o real'", explica Cinelli.

Inversão de fluxo

Para Denise, o que vemos hoje é uma inversão de fluxo. Quando o cenário político local se torna turvo, com as "antenas ligadas para apertar o botão de venda" na Bolsa, parte desse capital transborda para o ecossistema cripto em busca de dolarização e custódia global.

O ciclo eleitoral norte-americano de 2024 ofereceu um exemplo recente e concreto de como o Bitcoin reage menos ao ruído político e mais à sinalização regulatória. Ao longo de 2024, o Bitcoin apresentou forte volatilidade, mas manteve uma trajetória estrutural de valorização, impulsionada principalmente pela consolidação dos ETFs spot e pela expectativa de um ambiente regulatório mais previsível.

“No período que antecedeu a eleição presidencial, o mercado precificou de forma positiva a possível vitória de Donald Trump, candidato publicamente favorável às criptomoedas, à mineração de Bitcoin em solo americano e à redução da pressão regulatória sobre o setor. Após a confirmação do resultado, o Bitcoin reagiu com aumento de liquidez, retomada do fluxo institucional e redução da aversão ao risco no curto prazo, reforçando a leitura de que eleições não determinam o valor do ativo, mas influenciam diretamente o ritmo de adoção, a entrada de capital e o apetite do investidor por exposição a criptoativos em ambientes percebidos como mais amigáveis à inovação financeira”, pontua a executiva.

A regra dos seis meses vale para cripto?

Segundo levantamento realizado pelo Monitor do Mercado, as últimas sete eleições federais mostraram um padrão claro: o Ibovespa costuma cair, em média, 9,6% nos seis meses anteriores ao pleito e subir 17% nos seis meses após a posse. Entretanto, os investidores de ativos digitais não passam por essa volatilidade.

"Diferente das ações de bancos ou estatais, o Bitcoin não depende do ocupante do Planalto. No entanto, a liquidez brasileira depende. Se o mercado de capitais trava por medo das eleições de 2026, vemos um aumento no volume de negociação de stablecoins (USDT/USDC). O empreendedor e o investidor de alta renda não esperam a posse para se proteger; eles buscam a infraestrutura digital assim que a volatilidade eleitoral aponta no radar", destaca a COO global.

Enquanto o Ibovespa luta para manter o suporte após as quedas geradas pelos nomes de Lula e dos Bolsonaro no noticiário, o mercado cripto em 2025 viveu seu próprio ciclo de "ajuste de expectativas" após atingir máximas históricas.

Para a executiva, a lição deste final de ano é idêntica à do mercado tradicional, mas com uma camada extra de tecnologia:

  1. Preços esticados: assim como as ações que subiram 30%, as criptos que performaram acima da média em 2025 sofrem realização de lucros. A política brasileira é apenas o gatilho (trigger) para quem já queria realizar.

  2. Teses sobre candidatos: o mercado pode até ter preferências entre Tarcísio de Freitas ou outros nomes, mas o "track record" mostra que o que o capital detesta não é um candidato A ou B, mas a falta de previsibilidade fiscal.

O conselho de Denise Cinelli para o investidor que olha para 2026 com ansiedade ecoa a prudência da velha guarda da Faria Lima: investir em teses, não em oscilações momentâneas.

"Se você acredita na descentralização e na eficiência da rede blockchain, um soluço na pesquisa eleitoral brasileira é ruído de curto prazo. O foco deve ser na resiliência da infraestrutura", finaliza a executiva.