Investir em obras de arte sempre foi algo restrito para poucos. Mas a tokenização dos acervos artísticos tem viabilizado essa prática, graças à blockchain.

Essa modalidade de investimento fornece ganhos obtidos por meio de aquisição e venda de obras de arte. Uma das empresas que tem trabalhado para tornar os acervos acessíveis é a Hurst Capital, considerada a maior plataforma de ativos alternativos da América Latina.

 A fintech acaba de anunciar que tokenizou um acervo composto por três obras de Abraham Palatnik, um dos maiores artistas plásticos brasileiros e pioneiro da arte cinética no mundo.

O investimento, que estará disponível ainda no mês de junho na plataforma da Hurst, possui prazo esperado de 18 a 36 meses e rentabilidade média projetada de 17% ao ano.

 Os interessados podem investir um aporte mínimo de R$ 10 mil para se tornarem coproprietários do acervo por meio de tokens padrão ERC1155, registrados na blockchain do Ethereum. 

A operação é de cerca de R$ 650 mil e representa um marco na história do mercado de arte no Brasil, já que possibilita a popularização dessa modalidade, antes inacessível ao investidor comum por conta do alto custo ou falta de expertise.

Arthur Farache, CEO da Hurst, em comunicado ao Cointelegraph disse que a tese de investimento em obras de arte complementa o seu portfólio de ativos alternativos com uma relação de risco/retorno diferente dos outros ativos já oferecidos. 

Segundo ele, trata-se de um mercado de US$ 1,7 trilhão. que movimentou nos últimos 10 anos entre US$ 50 a 70 bilhões em vendas. No Brasil, esse setor movimenta anualmente algo em torno de R$ 1,3 bilhão.

“Apesar do frenesi recente do mercado com NFTs e o processo de tokenização, o mais importante são os fundamentos do ativo subjacente. Essa operação é resultado de 8 meses de estudo e investigação de um time especializado criado para originar obras de artistas com o melhor potencial de valorização”, explica Farache.

 Para o desenvolvimento da tese, a Hurst contratou Augusto Salgado, engenheiro e investidor em obras de arte, cuja missão foi construir a tese, analisando 200 artistas brasileiros e criando um modelo matemático para a precificação das obras.

Vale destacar também que a tokenização do acervo tem como consequência a melhora na liquidez do investimento e a solução de um problema relevante do mercado de arte: autenticidade. 

“O investidor não precisa esperar o término do prazo da operação para vender seus ativos. Ele tem a opção de negociar, total ou parcialmente, por meio de tokens da própria Hurst, além de não se preocupar com autenticidade das obras, uma vez que foram adquiridas de galerias de primeira linha e seus certificados ficarão registrados na blockchain”, complementa Farache.

A operação funciona da seguinte forma: os investidores podem adquirir tokens que representam frações das obras, que ficarão expostas em galerias e, após um determinado período, estarão à venda. 

A Hurst não terá qualquer poder de gestão sobre as obras, todas as decisões serão tomadas pelos donos dos tokens por meio de uma plataforma de votação, inclusive a aceitação de ofertas de compras por interessados.

Em todas as operações originadas pela Hurst Capital, as obras oferecidas serão representadas por NFTs, sigla em inglês que significa “Non-fungible Token” (Token não-fungível, em português), uma espécie de certificado digital registrado na rede blockchain e que define propriedade e autenticidade à obra.

 A tokenização da operação se dá pelo processo de fracionamento da carteira de NFTs (acervo de obras) em tokens criptografados e registrados no sistema blockchain da rede Ethereum. Esses tokens representam uma fração dessa carteira e que podem ser adquiridos pelo investidor a partir de R$ 10 mil reais. 

À medida em que as obras são vendidas no mundo físico, o investidor recebe em dinheiro a distribuição das vendas e é descontado de seu saldo a quantidade de tokens proporcional às obras vendidas.

A Hurst não revela quais serão os próximos artistas que pretende tokenizar em novas operações. A ideia da empresa é originar, todos os meses, novas opções dentro dessa nova modalidade de investimento.

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