A Cibra Coin é uma moeda lastreada em quilos de fertilizante fosfatado, cloreto de potássio e ureia que se tornou um excelente ativo de proteção para os agricultores brasileiros, a partir da invasão da Ucrânia pela Rússia em fevereiro deste ano.

Emitida pela gigante do agronegócio Cibra e lançada poucas semanas antes do começo da guerra no leste europeu, a Cibra Coin ainda registra um volume de negociação baixo em relação ao total de vendas da empresa, mas a disparada do preço dos adubos no mercado internacional após a invasão russa reforçou a utilidade e os casos de uso do ativo.

A Cibra Coin mostrou que pode funcionar como uma opção de proteção contra eventual aumento de preço dos fertilizantes no mercado internacional, com custo menor e maior praticidade em relação a operações de hedge tradicionais.

Até agora, foram emitidas 3 mil unidades do criptoativo, equivalentes a mil toneladas de cada um dos três produtos comercializados pela Cibra. Os produtores que detêm a Cibra Coin podem trocá-la pela quantidade correspondente de fertilizantes diretamente em qualquer uma das 11 unidades de distribuição da empresa no território nacional.

Assim, a Cibra Coin possibilita ao produtor adquirir o fertilizante a preço presente, garantindo flexibilidade no que diz respeito à retirada do produto. A Cibra destaca também que o criptoativo oferece uma alternativa de investimento em fertilizantes, um insumo cuja demanda está em alta não apenas no Brasil, mas no mundo todo, além de se apresentar como uma oportunidade de investimento no agronegócio com baixo custo e simplicidade operacional.

No entanto, os primeiros adeptos da Cibra Coin estão preferindo utilizá-la como investimento financeiro, afirmou Raphael Nezzi, diretor financeiro da Cibra, em reportagem publicada pelo Valor Econômico nesta segunda-feira, 12.

Segundo o executivo, a queda recente dos custos dos fertilizantes meses após o início da guerra possivelmente tenha levado os detentores dos tokens a mantê-los à espera de uma eventual nova onda de alta.

De qualquer forma, a troca poderá ser realizada de forma rápida e sem burocracias, caso os detentores da Cibra Coin assim desejarem, garantiu Nezzi. Com uma produção anual da ordem de 2 milhões de toneladas de insumos, faturamento de R$ 5 bilhões e uma rede de fornecedores ágil, não há risco de faltar produtos para entrega, mesmo se todos os proprietários da Cibra Coin resolverem trocá-las por fertilizantes simultaneamente.

Embora o projeto já estivesse em desenvolvimento há algum tempo quando explodiu o conflito entre a Rússia e a Ucrânia, a vulnerabilidade dos produtores brasileiros diante da instabilidade geopolítica global agiu de forma involuntária como um excelente fator educativo, demonstrando de forma prática a utilidade da Cibra Coin.

Os detentores da Cibra Coin também podem revendê-la para a própria empresa, caso não queiram trocá-la pelos fertilizantes. A Cibra Coin pode ser adquirida e negociada diretamente através da plataforma StonoEx.com, especializada em tokenização de ativos.

Conforme noticiou o Cointelegraph Brasil recentemente, os criptoativos têm se integrado à cadeia produtiva do agronegócio brasileiro de forma dinâmica e com diversos casos de uso em iniciativas como a Moeda Semente e a CulteCoin (CULTE).

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