Outubro marca o início do último trimestre de 2023, e especialistas tentam antecipar o que pode acontecer no mercado de criptomoedas durante os últimos três meses do ano. Ruslan Lienkha e Ilya Volkov, executivos da empresa suíça YouHodler, compartilham com o Cointelegraph Brasil suas expectativas para este trimestre e os primeiros três meses de 2024.
Mudanças positivas
Fatores positivos podem causar a entrada de capital no mercado de criptomoedas, aponta Ruslan Lienkha, chefe de mercados da YouHodler. Como exemplos, ele menciona o crescimento na adoção, aumento no interesse institucional e mais países adotando regras claras para a indústria blockchain.
Além disso, Lienkha destaca a possibilidade de aprovação do primeiro ETF ligado ao preço de varejo do Bitcoin (BTC) nos Estados Unidos entre outubro de 2023 e março de 2024.
“Atualmente, a SEC [Comissão de Valores Mobiliários dos Estados Unidos] tem poucos argumentos para rejeitar um ETF de Bitcoin, então esperamos que o primeiro desses ETFs surja ainda nesse trimestre, ou no começo de 2024”, avalia Lienkha.
O novo fluxo de capital, contudo, será limitado pelas incertezas no cenário macroeconômico, salienta o chefe de mercados da YouHodler. O lado positivo, acrescenta, é que investidores de longo prazo terão até meados de 2024 para acumular criptomoedas em antecipação a um ciclo de alta.
Quanto ao preço do Bitcoin no fechamento deste ano, Lienkha acredita que, no melhor dos cenários, a maior criptomoeda em valor de mercado conseguirá atingir uma cotação entre US$ 35 mil e US$ 40 mil. Ele alerta, no entanto, que a valorização depende da “tranquilidade no mercado de ações”, uma vez que o BTC tem desempenhado bem durante períodos de calmaria no mercado tradicional.
Caso a tranquilidade mencionada por Lienkha não se concretize, ele espera que o Bitcoin sofra uma queda até a zona de US$ 20 mil, mas não abaixo disso.
Tendências da indústria
Apesar da baixa liquidez e volatilidade, Ilya Volkov, cofundador e CEO da YouHodler, avalia que o mercado cripto está em um momento atrativo para realizar operações de curto prazo.
“Se considerarmos grandes criptomoedas, como os pares BTC/USD e ETH/USD, você ainda tem boas oportunidades para negociar e lucrar olhando para o gráfico diário e para as velas de uma hora, se expondo a um risco menor”, diz Volkov. “Épocas menos voláteis permitem que investidores pratiquem e aprendam, mas não seja ganancioso: abra a operação já planejando seu alvo de lucro”, completa.
Esse cenário, afirma Volkov, favorecerá o crescimento no número de traders ativos no mercado de criptomoedas nos próximos cinco meses. “Agora é um bom momento de montar um portfólio, se você ainda não fez isso. Pense no início do mercado de ações, e compare com o mercado cripto hoje. Os primeiros investidores vão colher mais.”
Outra tendência apontada pelo CEO da YouHodler para o fim de 2023 é um crescimento na integração de soluções criadas no ambiente das finanças descentralizadas (DeFi). Volkov dá ênfase nas soluções de autocustódia aplicadas a soluções do mercado financeiro tradicional.
Ele menciona como exemplo as integrações de moedas fiduciárias em carteiras como a MetaMask, facilitando a compra de criptomoedas através de uma carteira focada em autocustódia. “Esse processo de integrar pontes para fiat continuará expandindo a adoção das fintechs de Web3 no cotidiano das pessoas”, comenta.
A segunda tendência identificada por Volkov se conecta com a terceira, que é a adoção de criptomoedas em processos tradicionais. “Pense na colaboração da Visa com a Solana, e a PYUSD [stablecoin pareada ao dólar] do PayPal. Essas parcerias e desenvolvimentos acelerarão a evolução da indústria financeira, conforme gigantes do ramo tradicional aplicam soluções de fintechs inovadoras.”
Além disso, a integração entre o ecossistema financeiro tradicional e a Web3 impulsionará a adoção de criptomoedas entre o último trimestre de 2023 e o primeiro trimestre de 2024, prevê Volkov.
Amadurecimento e regulamentação
A fase atual do mercado de criptomoedas, na visão do CEO da YouHodler, é um “período de amadurecimento”. É nessa fase do mercado que reguladores tentam aprender mais sobre criptomoedas e, na melhor das hipóteses, desenvolvem estruturas para manter o mercado sadio e sustentável.
Até março de 2024, Volkov acredita que haverá muita turbulência e arbitragem regulatória na indústria blockchain. “Mas já vimos algumas melhorias, como a MiCA [regulação do mercado de criptomoedas proposta na União Europeia], que é uma estrutura poderosa que cobre toda uma região e serve de exemplo para outros países.”
Apesar da postura combativa da SEC em relação ao setor de ativos digitais, Volkov avalia como positiva a postura adotada pelos legisladores estadunidenses, que demonstraram descontentamento com as ações recentes do regulador.
“Estamos agora na fase final antes da estabilização, onde o valor das criptos já está provado, e a regulamentação já está acontecendo. Precisamos nos lembrar apenas que as turbulências são normais, e a estabilização já está a caminho”, avalia Volkov.
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Dominância de stablecoins e CBDC
No cenário de remessas internacionais, o CEO da YouHodler acredita que as stablecoins dominarão esse setor em 2024. Além disso, ele também avalia que as moedas digitais emitidas por bancos centrais (CBDC, na sigla em inglês) terão um papel importante nesse segmento.
“É válido ressaltar a iniciativa do Banco de Compensações Internacionais [BIS, na sigla em inglês], que está testando CBDC em pagamentos internacionais. Através do Projeto Mariana, o BIS e os bancos centrais de França, Cingapura e Suíça testaram com sucesso o uso de CBDCs a nível internacional”, destaca Volkov.
O Projeto mBridge, também conduzido pelo BIS, foi mais um exemplo mencionado pelo executivo. O mBridge avalia a construção de uma plataforma capaz de lidar com transações de diferentes CBDCs, e os testes envolvem a participação de autoridades monetárias de Hong Kong, Tailândia, China e Emirados Árabes Unidos.
“Além disso, em 2024, as stablecoins se tornarão soluções cruciais para ligar diferentes protocolos. Isso é muito importante para a adoção em massa de soluções financeiras baseadas na Web3”, conclui Volkov.
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