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Cassio Gusson
Escrito por Cassio Gusson,Redator
Lucas Caram
Revisado por Lucas Caram,Editor da Equipe

Especialistas avaliam anúncio dos testes do Real Digital

Especialistas avaliam como positivas as iniciativas do BC com o Real Digital e aprovam a economia de tokenização que o Banco Central quer lançar

Especialistas avaliam anúncio dos testes do Real Digital
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O Banco Central do Brasil (BC) anunciou nesta semana, o Hyperledger Besu, Ethereum EVM, como a rede em DLT que será usada nos primeiros testes oficiais do Real Digital. Importante destacar que a plataforma não será, necessariamente, a plataforma em DLT na qual o Real Digital será lançado oficialmente em 2024.

Com o Real Digital, o BC destacou que pretende baratear o custo do dinheiro e prestar novos serviços digitais para economia nacional, habilitando principalmente a economia tokenizada preparando o Brasil para a web3 e para as novas aplicações de Internet das Coisas, metaverso, entre outras.

Os testes serão realizados com empresas e participantes restritos (via workshop, os critérios ainda não foram definidos) e com títulos do tesouro e determinou o dia 6 de março como marco para o começo dos testes. Interessante notar que o caso de uso proposto pelo BC para esta fase de testes é o mesmo proposto pelo Mercado Bitcoin, durante a elaboração das provas de conceito no LIFT LABs.

Para a Eduardo Neger, presidente da Abranet (Associação Brasileira de Internet), as diretrizes anunciadas para os novos testes do Real Digital pelo BC são positivas.

"A associação é favorável ao desenvolvimento da moeda digital que está em consonância com as práticas em outras jurisdições e com a agenda de promoção da inovação financeira pelo Banco Central. As diretrizes anunciadas nesta segunda-feira representam mais um passo do país rumo à digitalização do sistema financeiro e de pagamentos nacionais e transfronteiriços. A nossa expetativa é positiva para redução de custos de transação e aumento da disponibilidade dos sistemas, com benefícios aos usuários”, disse.

Real Digital e economia tokenizada

Yuri Nabeshima, head da área de inovação do VBD Advogados, destacou que o projeto-piloto parece bastante promissor e avaliou como positiva a incitativa, tanto para o mercado interno como externo. Nabeshima destaca que as possibilidades de novos produtos financeiros e até outros ativos tokenizáveis são infinitas, abrindo espaço para a criatividade dos agentes de mercado.

"Assim como o Pix, que foi um sucesso e se tornou uma referência mundial quando falamos de sistema bancário, o Real Digital pode se destacar como uma solução inovadora e disruptiva, atraindo importantes investimentos internacionais e incluindo novos stakeholders para os quais esse mundo era antes inacessível.

Chamado de 'Pix de serviços financeiros', o projeto real digital e o real tokenizado representam um avanço em termos de privacidade das informações e segurança tecnológica, além de trazer uma perspectiva de adoção de estruturas mais eficientes e menos onerosas para os stakeholders, democratizando ainda o acesso a diversos produtos de mercado - a fragmentação de ativos viabilizará a participação de novos players, para os quais antes o mercado de investimento era inacessível", disse.

Segundo ela, esse novo cenário, embora ainda sujeito a fases de testes até o fim de 2024, permite imaginar um mundo de possibilidades para os negócios, seja mercado primário ou secundário, em território nacional e internacional.

Nabeshima destaca que a maior velocidade, menor custo e simplificação das operações por meio da adoção da tecnologia disruptiva (blockchain e smart contract) promete aquecer o ambiente de negócios, promovendo a inclusão financeira de novos stakeholders (fintechs, investidores em geral, etc), de maneira até transfronteiriça. 

"A preocupação jurídica com a assimetria regulatória se faz obviamente presente, sobretudo porque essas novas tecnologias trazem também ao debate a construção de conceitos até então inexistentes e que certamente vão demandar certo esforço de conciliação com a legislação sobre sistema financeiro tradicional vigente. Inclusive, a questão da liquidez, já levantada quando da falência da corretora FTX, também deverá ser objeto de análise, a fim de proteger os investidores e garantir a necessária segurança jurídica às operações", afirmou.

Promissor

Na mesma linha, Dan Yamamura, sócio-fundador da Fuse Capital, avaliou como positiva a iniciativa do BC e destacou que o Real Digital é uma moeda nacional cria com foco na Web3 e quando o BC faz isso ele agrega uma grande vantagem ao sistema econômico nacional integrando a economia dos contratos inteligentes.

"Com isso será possível executar protocolos autoexecutáveis que antes não estavam disponíveis na economia nacional, habilitando nosso sistema financeiro para todos os benefícios da Web3 e da nova realidade digital como o metaverso. O Real Digital tem o selo do BC o que, para grande parte da população, é visto com grande credibilidade, aumentando a adoção dos protocolos em blockchain. Nesta nova economia, o Real Digital e as stablecoins terão papel complementares e utilidades distintas. Blockchain venceu!"

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