Enquanto Ibovespa valorizou 31,58% o Bitcoin subiu 94% em 2019

Enquanto o Ibovespa, índice que mede as principais ações negociadas na B3, 'bateu' recorde este ano chegando a alcançar inéditos 117 mil pontos, e rentabilizando cerca de 31,58% em 2019, no mesmo período, o Bitcoin, a principal criptomoeda do mercado, passou de US$ 3738.66 (em 1 de janeiro) para US$ 7.264,27  (em 31 de dezembro) uma valorização de 94%.

No caso do índice nacional, o resultado foi o melhor nos últimos 10 anos, contudo, no caso do Bitcoin o resultado no ano não foi o melhor da história do BTC que viu suas principais valorizações em 2013 quando saiu de 0 para US$ 755, mais de 700% de valorização e em 2017 quando passou de US$ 2545 para US$ 14327 no final daquele ano, um resultado positivo de 562%, nos dois casos, cerca de um ano após o halving.

Embora o BTC tenha se saído melhor, como investimento, do que o índice brasileiro, alguns especialistas, mais tradicionais, ainda guardam muito receio quanto a adoção do Bitcoin em carteiras de investimento.

Contrários ao Bitcoin

De acordo com o coordenador do curso de Gestão Financeira do Centro Universitário Internacional Uninter, Daniel Weigert Cavagnari, é preciso entender o mercado de investimento antes de aplicar o dinheiro. Segundo ele, para os que vão iniciar os investimentos no ano que vem, segurança é tudo.

‘‘A melhor forma de começar é investindo em Tesouro Direto e ir se ambientando. Quando pensar em algo mais além, como ações de empresas no Mercado de Capitais, sugiro buscar uma corretora que auxiliará nesse processo. Na dúvida, fique na poupança ou renda fixa. É o caminho mais seguro’’, alerta Cavagnari.

Já de acordo com o coordenador do MBA Finance da FIA, Roy Martelanco especialista o Bitcoin não tem qualquer lastro e isso impossibilita uma garantia quanto ao seu futuro do criptoativo e da garantia de seu valor para aqueles que desejam utilizar um investimento como reserva.

"Não há valor subjacente, não é amarrado a nada. A pessoa acaba caminhando na corda bamba que está presa a nada. Se você me falar que um bitcoin, daqui a 20 anos, vai valorizar ou não, eu vou questionar. Sem lastro não há projeções", declarou.

A Empiricus, uma das principais empresas de 'educação' financeira no Brasil e que também reconhece as criptomoedas como investimento, alerta que, se alguém deseja aplicar em criptoativos, deve alocar apenas 3% de seu capital.

"A própria Empiricus não recomenda investimentos em criptomoedas acima de 3% do capital (...) Investidores que alocam 100% do capital em cripto estão fazendo uma loucura total", destacou recentemente Bettina Rudolph, analista e garota propaganda da empresa.

Favoráveis ao Bitcoin

Contudo essa não é a opinião de personalidades como Michael Novogratz, da Galaxy Digital, que constantemente diz que o Bitcoin "trará riqueza para a América" e aconselha investimentos na criptomoeda tanto que sua empresa, além dos produtos baseados em criptomoeda que já possui, este ano, criou dois fundos de BTC, visando pessoas entre 50 e 80 anos de idade.

Max Keiser, jornalista internacional e grande defensor do Bitcoin, é mais incivo que Novogratz e declarou recentemente que a primeira função do Bitcoin é 'limpar a bagunça deixada no mundo com dinheiro fiduciário'.

"A violência inerente ao dinheiro fiduciário deve ser substituída pela natureza pacífica do Bitcoin". disse.

Como será o preço em 2020?

Enquanto isso, traders fazem análises sobre como deve-se comportar o preço do Bitcoin nesta virada do ano.  Para o especialista em análise gráfica do Cointelegraph, Rakesh Upadhyay, embora o preço do Bitcoin tenha subido após os dois halvings anteriores, em 2012 e 2016, é difícil dizer com certeza como os mercados reagirão desta vez. Para ele, contudo, no curto prazo a tendência é de baixa.

"O Bitcoin só sinalizará uma reversão de tendência se os bulls puderem escalar acima da resistência em US$ 7.856,76. A linha de tendência de baixa também é colocada logo acima desse nível, portanto, esperamos uma quebra de US$ 7.856,76 para iniciar uma nova tendência de alta. Por outro lado, se os bulls não conseguirem escalar acima de US$ 7.856,76, é provável que ocorram mais alguns dias de ação vinculada ao intervalo. Se o par BTC / USD se consolidar entre US$ 7.000 e US$ 7.856,76, sinalizará força", declarou.

Porém, segundo ele, o momento é de cautela pois o Bitcoin vem sendo negociado lateralmente e neste cenário pode ocorrer tanto uma queda quanto uma alta massiva.

"No entanto, uma quebra abaixo do suporte imediato de US$ 7.000 será um sinal de baixa. O próximo suporte negativo é de US$ 6.435. Testes repetidos de um nível de suporte o enfraquecem. Se os bears puderem afundar o preço abaixo de US$ 6.435, será um enorme prejuízo e poderá resultar em vendas de pânico.", disse.

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