Diretor da Embratel declara que computação quântica vai destruir o Bitcoin

Mário Rachid, diretor-executivo de soluções digitais da Embratel, declarou que a computação quântica pode sim destruir o Bitcoin, segundo publicação no jornal Valor, hoje, 30 de setembro.

De acordo com Rachid, os computadores quânticos poderam resolver problemas matemáticos que hos computadores hoje não conseguem solucionar. O pode de processamentos dos novos computadores será tão grande que trará benefícios que ainda são impossíveis de mensurar. 

"O problema é que a computação quântica traz um risco iminente. Ela também poderá ser usada para o mal. Organizações cibermininosas poderão fazer uso desse altíssimo poder de processamento para quebrar as hoje indecifráveis criptografias. A redução do tempo de resolução possibilitaria a quebra da maioria dos sistemas de criptografia usados atualmente. Isto colocaria em risco várias informações sensíveis armazenadas e trafegadas em ambientes seguros, como páginas web, e-mails e APPs criptografados, (...) Mesmo as tecnologias mais modernas, como blockchain, precisarão ser reformuladas para se tornarem mais seguras contra futuros ataques baseados em computadores quânticos", declarou.

Recentemente o debate sobre a possibilidade da computação quântica destruir o Bitcoin ganhou o noticiário por conta do Google que afirmou ter alcançado a "supremacia quântica", supostamente por meio de uma demonstração experimental da superioridade de um computador quântico em relação a um computador tradicional.

"As máquinas quânticas são muito eficientes na execução de algoritmos de força bruta, como a fatoração de números primos e buscas em listas não ordenadas. As soluções de criptografia são feitas de forma que nenhum computador convencional possa quebrar a chave em tempo hábil, mas com computadores quânticos isto pode vir a ser possível nos próximos anos. Pela própria característica de processamento acelerado do computador quântico, pode colocar em risco não somente o bitcoin, mas todo o sistema de criptografia existente", disse Wander Cunha, head da Minsait no Brasil.

O Google teria feito um experimento com números gerados aleatoriamente produzidos através de um cenário especializado envolvendo fenômenos quânticos. Os pesquisadores disseram que determinaram que seu computador quântico superava os computadores comuns na tarefa, que envolvia o cálculo da saída de certos circuitos especializados.

"Enquanto nosso processador leva cerca de 200 segundos para provar uma instância do circuito quântico 1 milhão de vezes, um supercomputador de última geração exigiria aproximadamente 10.000 anos para executar a tarefa equivalente", disseram os pesquisadores.

Entretanto especialistas questionaram o avanço do Google e apontam que ainda há muito caminho para ser percorrido até os desenvolvimentos da tecnologia conseguirem produzir o primeiro computador quântico realmente funcional.

Peter Todd, ex-desenvolvedor do Bitcoin Core, liderou as críticas, que seguiram alegações do Google de que haviam alcançado a "supremacia quântica" não serviria para nada.

"Isso não significa nada, porque o avanço quântico do Google é para um tipo primitivo de computação quântica que não chega nem perto de quebrar a criptografia. Ainda nem sabemos se é possível escalar computadores quânticos; é bem possível que a adição de qbits tenha um custo exponencial."

Como noticiou o Cointelegraph, cientistas divulgaram que conseguiram 'teletransportar' uma partícula e também, em outro estudo, fazê-la 'voltar no tempo', tudo com auxílio da computação quântica.