Uma repentina alta na cotação do dólar no Brasil fez o preço do Bitcoin disparar mais de 5% no país no mesmo dia em que a principal criptomoeda do mercado reduzirá, pela metade, o número de novos bitcoins gerados diariamente.

Conhecido como halving o evento vinha sendo apontado como um grande catalisador nos preços do BTC, contudo, um dia antes do evento o Bitcoin caiu mais de 15%, embora tenha recuperado parte de seu valor no momento da escrita.

No entanto, apesar da alta diária no mercado mundial de BTC, de 1,14%, o Bitcoin ainda luta para chegar novamente a US$ 9 mil.

Bitcoin no Brasil

Entretanto, no Brasil, a criptomoeda galgou uma valorização muito maior comparado com os dados mundiais exibidos pelo Coinmarketcap, já que o dólar abriu em alta, acima de 1% no país, levando a moeda americana a registrar seu maior valor histórico de R$ 5,80.

A valorização do dólar levou o BTC a ser cotado em R$ 52 mil no país, com uma valorização próxima de 4%, segundo dados do Cointrademonitor.

Segundo especialistas a alta no dólar reflete o medo de investidores e do mercado com relação ao avanço do coronavírus no país e a dificuldade do governo em dar uma resposta única e clara para a crise na saúde e a crise econômica desencadeada pela Covid19.

Brasil entre os 6 países com mais mortes por Covid19

Embora o Brasil tenha entrada na lista dos seis países com mais mortes por Covid19 é o único deles que não apresenta um discurso coeso no combate a pandemia.

Enquanto o Ministério da Saúde determina isolamento social e restrições de contato o presidente Jair Bolsonaro incentiva a quebra do isolamento social e a retomada das atividades.

No entanto os novos casos da doença, bem como as mortes e a letalidade do coronavírus no Brasil vem apresentando altas diárias e o número de mortos bateu um recorde diário de 760 mortes recentemente.

Crise política

Além disso o agravamento da crise política com a saída do ex-Ministro da Justiça, Sérgio Moro, também tem agravado a percepção do país entre investidores.

O que antes era uma possibilidade remota, o impeachment de Bolsonaro, começou a ser uma preocupação real com as revelações de Moro, obrigando o presidente a buscar governabilidade na Câmara dos Deputados, anunciando uma aliança com o "Centrão".

Centrão é chamado o grupo de deputados "sanguessugas" que possuem pouco ou quase nada de orientação política e geralmente são pautados pela troca de afagos (cargos e benefícios para seus aliados e partidos) junto ao Governo Federal.

Embora isso possa trazer uma governabilidade a curto prazo para o presidente e ao Governo Federal reforça o desgaste de Bolsonaro com a base que o elegeu, tendo em vista que além das críticas ao PT, a principal pauta de campanha seria o "Fim da velha política" justamente representada pela troca de favores e conluio com Deputados corruptos.

Nesta sua empreitada em convencer o centrão, Bolsonaro se aliou ao Deputado Federal Roberto Jefferson, acusado de inúmeros crimes de corrupção.

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