Em 2023, investidores de criptomoedas movimentaram US$ 8,8 trilhões através de exchanges. Os dados são de The Block e DefiLlama. O total movimentado no ano passado é 36,5% menor em relação ao volume transacionado em 2022. 

As exchanges centralizadas (CEX) foram responsáveis por processar US$ 7,8 trilhões em 2023, enquanto as exchanges descentralizadas (DEX) processaram US$ 960,3 bilhões no mesmo período. Em dezembro, as CEX processaram US$ 1,1 trilhão em negociações com criptoativos, maior volume desde maio de 2022.

O mesmo aconteceu com as DEX, que foram utilizadas para movimentar US$ 135,8 bilhões em dezembro do ano passado, sendo este também o maior volume negociado nessas plataformas desde maio de 2022.

Em contrapartida, setembro foi o mês no qual investidores menos negociaram ativos digitais através de exchanges em 2023. Os volumes de DEX e CEX somaram US$ 368,1 bilhões.

Crescimento no uso das DEX

O volume movimentado em plataformas centralizadas representou 89% de todas as negociações com criptomoedas realizadas em exchanges no ano passado. De qualquer forma, o volume negociado em exchanges descentralizadas cresceu entre 2022 e 2023.

A relação entre as movimentações por meio de plataformas centralizadas e descentralizadas é conhecida pela métrica ‘Proporção DEX para CEX’. Em 2022, as DEX movimentaram, em média, 9,6% do volume mensal apresentado pelas CEX. No ano passado, porém, o volume mensal médio cresceu para 12,5%.

O pesquisador João Kury, co-fundador do coletivo educacional Modular Crypto, atribui o aumento no uso das exchanges descentralizadas aos diversos incidentes envolvendo instituições centralizadas entre 2022 e 2023. Como exemplos, Kury menciona de empresas nativas do mercado cripto, como FTX e Celsius, além de bancos ligados a esse setor, como Signature Bank e Silicon Valley Bank.

“Com certeza, todos esses acontecimentos intensificaram o sentimento de insegurança dos usuários do universo Web3 para com bancos e instituições centralizadas”, afirma Kury. Além disso, o co-fundador da Modular Crypto destaca as investidas da Comissão de Valores Mobiliários dos Estados Unidos (SEC, na sigla em inglês) contra grandes exchanges, como Binance, Coinbase e Kraken.

Esses episódios contrastam o discurso de que a centralização é positiva para manter a segurança dos usuários no mercado de criptomoedas, acrescenta Kury.

“Contudo, na prática, várias pessoas perderam suas economias de vida com a queda da FTX, deixando uma insegurança imensa de que outras CEX poderiam seguir o mesmo caminho, ainda mais com os processos da SEC em curso. A incerteza foi tão grande que uma das novidades de 2023 foi as maiores CEX liberarem suas Provas de Reserva, ou Proof of Reserves, uma espécie de transparência com as reservas financeiras existentes na empresa.”

Com a confiança das plataformas centralizadas abalada, os investidores do mercado de criptomoedas decidiram buscar refúgio nas finanças descentralizadas (DeFi).

“Com tudo isso acontecendo, os olhos dos usuários cripto se voltaram ao ecossistema descentralizado, que oferece soluções mais seguras pautadas em contratos inteligentes e que permitem que o usuário realize a auto custódia de seus fundos”, conclui Kury