Duas criptomoedas brasileiras tem chamado a atenção de usuários ‘raiz’ de criptoativos por acharem que são criptomoedas criadas por ‘golpistas’, mas elas têm usabilidade e até ‘valor de mercado’.
Desta forma, o questionamento que surge é: quem define o que é uma criptomoeda real e o que é apenas um golpe?
Se as criptomoedas, assim como qualquer coisa no mundo, tem um valor meramente subjetivo o que define se algo é ou não 'verdadeiro'?
LQX coin
A LQX foi uma criptomoeda criada pelo grupo MDX para ser apenas um token para pagamento interno na plataforma Credminer em 2017, uma das plataformas do grupo que segundo seu próprio dono, parou de cadastrar pessoas devido não compensar mais minerar Bitcoin em 2019.
Contudo, ainda em 2017, cerca de dois anos antes da empresa falir em seu modelo de negócio, foi acusada de ser uma pirâmide financeira tendo vários processos arquivados por falta de provas e outros que ainda estão em curso, seu fundador Antônio Silva, lançou o criptoativo que é um fork da Dash.
Inicialmente a criptomoeda funcionava como uma espécie de token que era supostamente lastreado nas máquina de mineração e nos rendimentos e operações que o grupo MDX fazia.
Porém como a LQX sempre esteve atrelada a Credminer, e, portanto, era considerada por alguns, uma “moeda de golpe”, e ela não tinha qualquer credibilidade, mesmo tendo um valor e movimentação.
No entanto, em 2020, um grupo de clientes e investidores da Credminer ‘assumiu’ o controle do cripatotivo e criaram o CGI-LQX (Comité de Gestão Independente LQX) que passou a criar masternodes para minerar o criptoativo e tirar o poder centralizado que estava com o Grupo MDX.
- . Block Explorer: https://explorer.lqxcommunity.org
- . Fórum: https://forum.lqxcommunity.org
- . Pool de Mineração: https://pool.lqxcommunity.org/
- . Github: https://github.com/coinlqx/lqx
Pagamentos
Recentemente a comunidade que ‘tomou o controle’ da LQX anunciou que o criptoativo foi listada na plataforma de pagamentos ZCore Pay, que tem uma comunidade descentralizada ativa no Brasil.
Além disso, segundo o CGI e seu explorer que é público, a LQX tem hoje cerca de 39 mil usuários e mais de 40 mil endereços de carteiras criadas sendo 6.079 novas carteiras ativas na última semana.
Ao Cointelegraph o grupo destacou que Silva e antiga Credminer não tem mais qualquer controle sobre o criptoativo e que há conversas para listagem no Coinmarketcap.
Também teria sido estabelecido um supply máximo de 350 milhões de unidade de LQX e a criação de 500 masternodes para garantir a descentralização do ativo.
Hoje a LQX está listada em várias Exchanges e tem seu valor de mercado definido pela lei da oferta e da procura e não tem mais nenhum controle pelo grupo MDX ou qualquer outro.
BTCQ
O BTCQ, assim como outras criptomoedas (USDQ e BLRQ) foram criptomoedas anunciadas por Rodrigo Marques, CEO da Atlas Quantum no início de 2020.
Segundo Marques, na época do lançamento, os criptoativos construídos no Ethereum refletiam o saldo dos clientes na Atlas Quantum.
Porém embora, em teoria, 1 BTCQ fosse equivalente a 1 BTC, nunca o valor esteve ‘pareado’ na Atlas Quantum.
Embora o criptoativo tenha sido recebido com muito ceticismo pelos usuários e clientes da Atlas quando foi lançado há quase 1 ano a criptomoeda está ‘ativa’ e inclusive listado em uma exchange que não é controlada pela Atlas.
As ‘moedas da Atlas’ podem ser negociadas na plataforma de Rodrigo Marques (Atlas Quantum e Phoenyx) e também na StratumX, de Rocelo Lopes.
Rocelo Lopes e a Atlas
Lopes inclusive se intitula o maior ‘holder’ de BTCQ.
“Sou o maior holder de BTCQ e não nego isso. Na StratumX, seguindo as regras que já definimos e já anunciamos, os usuários da Atlas podem trocar seu BTCQ por BTC na proporção 1:1”, diz.
Segundo o empresário o que define o ‘valor’ de um criptoativo não é uma ‘entidade’ ou qualquer pessoa, mas seu uso e seus usuários.
“Qualquer criptomoeda, seja ela de ‘um golpe’ ou não, se ela conseguir que seus usuários façam uso dela, ela passa a ter um valor. Isso que estamos fazendo com o BTCQ da Atlas. Se o criptoativo só ficar na Atlas ele vai perdendo valor e, quem se prejudica com isso, são só os clientes da Atlas que vão perder tudo, inclusive a esperança. Agora se eu compro os BTCQ e dou um uso para ele na Stratum ele vai circulando”, afirmou.
Sobre ser ‘holder’ de um ativo que seria de um ‘golpe’ e portanto não teria valor nenhum, Lopes é claro e diz que ‘está na cola’ do Rodrigo Marques.
“Eu quero acumular o maior número de BTCQ porque o Sr. Rodrigo Marques falou que cada um é 1 BTC, então cada BTCQ que eu compro, eu pago 1 BTC para o cliente da Atlas. Vou acumular BTCQ e estou na cola do Sr. Rodrigo Marques, tenho processos civis e criminais além de uma empresa investigando cada passo de Rodrigo Marques.
Não tenho dúvidas que a justiça será feita e quando ela for feita, vou resgatar os Bitcoins que estou acumulando”, revela.
Rocelo destaca ainda que já pagou o equivalente a 1.7 BTC de volta aos usuários por meio de seu sistema.
Ao contrário da LQX o suprimento total do BTCQ é de 20 mil unidades.
O criptoativo foi criado no Ethereum e tem negociações diárias tanto no order book da Atlas quanto na StratumX.
Há relatos de usuários que conseguiram recuperar 100% de seus bitcoins aproveitando as negociações nos books.
Contudo, a maioria dos usuários continua insatisfeita com a ‘tokenização’ de seu saldo e exige, muitos judicialmente, seus Bitcoins de volta.
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