Mesmo com proibição, população da Bolívia recorre ao mercado paralelo de Bitcoin

A renúncia do presidente da Bolívia, Evo Morales, no último domingo (10) levou a uma corrida pela negociação de criptomoedas, que é proibida no país.

Cronologia da proibição

Em 6 de maio de 2014, o governo boliviano criminalizou a transação de moedas que não fossem legalizadas no país, com pena de 7 anos de prisão, proibição do exercício de profissão de 1 a 3 anos através da Resolução do Conselho de Administração do Banco Central da Bolívia (BCB), nº 044/2014.

A medida acabou por tornar a Bolívia uma das poucas nações do mundo em que o Bitcoin é ilegal, ao lado de Egito, Equador e Paquistão, por exemplo. Assim, todos os negócios com a criptomoeda no país hoje são feitos em P2P e de maneira sigilosa e contra a legislação nacional.

Seguindo a cronologia, 3 anos mais tarde, no fim de maio de 2017, a ASFI (Autoridade Supervisora do Sistema Financeiro Boliviano) efetuou a prisão preventiva de 60 promotores de um workshop sobre criptomoedas, sob a acusação de Intermediação Financeira sem Autorização ou Licença e Fraude com várias vítimas no caso Bitcoin Cash, na cidade de El Alto.

“A única coisa que essas pessoas estão fazendo é tirar proveito da população e enganar as pessoas a se apropriarem de seu dinheiro”, disse Lenny Valdivia Bautista, diretora da ASFI, na época.

Desde 2014, não há nenhum serviço formal de criptomoedas no país. Extinguiram-se por lá Namecoin, Peercoin, Quark, Primecoin, Feathercoin, CEX.io, Coinbase Bolivia, Bitrefill, Bitex.la e Crypto.Local. A tradução da medida diz “É ilegal usar qualquer tipo de moeda que não seja emitida e controlada por um governo ou entidade autorizada.” 

5.710 BTC negociados depois da renúncia de Evo

No entanto, mesmo com toda a repressão contra as criptomoedas, há operações P2P pela LocalBitcoins, com investidores reunidos em pequenos grupos no Telegram e WhatsApp. Apesar do uso disseminado de VPN (vetor de rede privada) para dificultar a localização, o site CoinMap conseguiu identificar as principais regiões que servem de polo de vendas de criptoativos na Bolívia, destacando La Paz, Cochabamba e Santa Cruz de La Sierra.

Além disso, de acordo com o site Bitcoin Ticker, a Bolívia transacionou cerca de 5.710 BTC durante as 24 horas do último domingo, dia da renúncia do então presidente Evo Morales.

Não está claro ainda o que leva a população local a aderir à negociação cripto, com a turbulência política da última semana sendo a maior aposta dos especialistas.