A pandemia de coronavírus trouxe mudanças profundas nos aspectos sociais e econômicos das sociedades, que ainda sentem os efeitos do vírus e tentam evitar uma segunda onda enquanto planejam uma retomada das atividades.

No Brasil, que ao contrário de todos os países do mundo não adotou o lockdown e não conseguiu achatar sua curva de casos - que segue crescente - o real brasileiro também acompanhou o desastre político nacional, perdendo quase metade de seu valor e afugentando investidores.

Diante de todas as incertezas quanto ao futuro - inclusive político - do país, o investimento em moedas digitais surge como alternativa interessante, tanto para posições longas quanto para hedge contra a desvalorização cambial de moedas nacionais.

A adoção de criptomoedas, porém, requer alguns cuidados para "evitar problemas e prejuízos", como escreve o advogado criminalista Bernardo Braga no blog do jornalista Fausto Macedo, no Estadão. Ele escreve:

"Considerando a ausência de controle estatal na troca de tais moedas, como poderá o investidor se proteger, por exemplo, do risco criminal de se ver transacionando com um terceiro anônimo, cujas origens de tais valores sequer é minimamente conhecida? Há o risco real de estar participando de um processo de lavagem de dinheiro, o que faz com que diversos interessados deixem de participar desse mercado tão promissor."

Ele também diz que as redes conhecidas como Dark Web também têm aceitado criptomoedas como pagamento, levantando questões sobre se a compra de criptomoedas incorreria em algum envolvimento com o submundo do crime.

Segundo Braga, a recessão mundial causada pelo coronavírus fez com que os investimentos tradicionais tivessem uma queda de rentabilidade significativa, levando o mercado financeiro a buscar alternativas - como as criptomoedas - para proteger seus fundos:

Assim, o mercado financeiro criou produtos que visam exatamente fornecer, ao público em geral, uma maior segurança na aquisição de tais espécies de ativos digitais. É o caso de fundos de investimento, cujas cotas podem ser adquiridas no mercado nacional por empresas locais especializadas, formados basicamente por uma “cesta” de diversas espécies de criptomoedas. Considerando que tais sociedades empresariais, na qualidade de gestoras ou administradoras dos fundos, são necessariamente reguladas pela Comissão de Valores Mobiliários, o princípio da confiança faz com que o investidor entenda que regras estritas de compliance serão empregadas para se evitar a aquisição de moedas virtuais cuja origem é duvidosa.

Além disso, diz o jurista, o fato de muitas custodiantes de criptomoedas estarem fora do país pode adicionar mais segurança aos investidores, pois a maioria segue a conformidade de órgãos internacionais como GAFI, FinCen ou reguladores como a SEC dos EUA.

Bernardo Braga conclui:

"Assim, todas essas circunstâncias fazem com que não se possa se atribuir, ao investidor do fundo de criptomoedas, qualquer conduta temerária ou atentatória ao direito, estando ele resguardado de eventual contribuição à prática de lavagem de dinheiro por terceiros não identificados."

Como noticiou o Cointelegraph Brasil, o investimentos em criptomoedas no Brasil também pode ser feito através de exchanges de criptomoedas, que têm sua atuação regulada pelo Banco Central e Receita Federal. Especialistas lembram que é preciso investigar a reputação e a história das empresas antes de investir - e que retornos garantidos não existem no mercado cripto.

O Congresso Nacional também debate desde 2019 uma regulação para proteger investidores e empresas do país e estimular a inovação do setor cripto. O projeto está em discussão na Câmara dos Deputados.

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