Exchanges centralizadas (CEX), são as tradicionais exchanges de criptomoedas, nas quais, hoje, está a maior parte do volume de negociação. Nas plataformas centralizadas, o usuário abdica da custódia de seus fundos, deixando-os depositados na plataforma. Assim, o usuário deixa de ter acesso exclusivo às suas próprias chaves privadas em troca da conveniência de operar em um ambiente de negócios mais dinâmico, contudo nem sempre o mais seguro.
A exchange (CEX) é responsável por combinar as ofertas de compras e vendas, criando o book order e fechando acordos com formadores de mercado profissionais para obter maior liquidez. Além disso, as exchanges centralizadas oferecem serviços de gateway bancário - permitindo que os usuários comprem criptomoedas com moeda fiat por cartão de débito/crédito ou transferência. A conveniência no uso das exchanges centralizadas dá ao investidor de criptomoedas muitas vezes a impressão de segurança e desloca a responsabilidade de se preocupar com seus fundos para a exchange. Terceirizando o risco da custódia.
O problema desse modelo é que ele exige uma estrutura comercial convencional - a exchange costuma ter sede física e servidores centralizados, localizados em área geográfica com regulamentação setorial específica. Isso geralmente obriga o registro e identificação dos usuários que desejam acessar o serviço - através de processos como Conheça Seu Cliente (Know Your Client - KYC) e da implementação de políticas de Anti-lavagem de Dinheiro (AML).
Dependendo da regulamentação a que a exchange está sujeita, pode haver certas restrições quanto ao tipo de ativos que podem ser negociados, baseados nas regulações e leis nacionais. A isso se acrescenta o fato de que, por depender de servidores centralizados e concentrar recursos de milhares de usuários, são alvo prioritário de hackers.
A história das criptomoedas está cheia de hacks mais ou menos relevantes em exchanges centralizadas, sendo os mais famosos os sofridos por Mt. Gox em 2014 com 850 mil Bitcoins roubados e na Bitfinex em 2016 -120 mil Bitcoins roubados.
As maiores exchanges centralizadas do mundo
As maiores exchanges centralizadas do mundo em volume de negociação, conforme o CoinMarketcap são Binance, Coinbase Pro, Huobi Global, Kraken e Bithumb. Elas são classificadas de acordo com seus volumes de negociações ajustado nos últimos 30 dias.
Imagem: Coinmarketcap
À medida que o mercado de criptomoedas cresceu, as primeiras exchanges que surgiram começaram a cumprir funções que os aproximavam da clássica intermediação financeira, mas mais adaptadas às demandas dos investidores.
As exchanges ganham dinheiro efetivamente das seguintes formas:
Comissões de acordo com a forma de pagamento
Tanto ao comprar criptomoedas, quanto ao depositar dinheiro em sua conta, provavelmente o investidor terá que pagar X comissões. A estes devem ser adicionados os custos de câmbio, por exemplo: na compra de Bitcoins com real.
Comissões para cada transação
Este é basicamente o spread ou as comissões que são acumuladas a cada transação. São calculados de acordo com o volume negociado e podem ser fixos ou variáveis dependendo do volume de negócios da exchange.
Comissões ao retirar o saldo
Como acontece ao depositar dinheiro em sua conta ou comprar criptomoedas, ao sacar seu saldo na exchange certamente o investidor terá que assumir duas comissões: a primeira de acordo com a forma de pagamento (se preferir receber o saldo em sua conta bancária); a segunda, por câmbio de moeda (no caso de receber, por exemplo, seus Bitcoins em reais).
São opções que foram incorporadas na maioria das grandes plataformas para sua remuneração e que facilitam as atividades de negociação para um mercado mais amplo, o que as tornou muito populares, visto que essas plataformas realizam a interface entre os bancos e os investidores, aumentando assim seu volume de negócios.
O que é uma exchange descentralizada (CEX) ?
As DEXs são plataformas de negócios onde o investidor mantém consigo a custódia dos seus fundos. Isso significa que o usuário em nenhum momento renuncia à custódia de seus fundos e a negociação é realizada diretamente da carteira do usuário. Uma vez que o investidor assina as ordens com suas chaves, os contratos inteligentes da DEX ficam encarregados de executar a negociação e realizar a liquidação da operação na blockchain. É importante destacar que grande parte do ecossistema das DEXs está rodando sob o protocolo Ethereum.
Diferença entre exchanges descentralizadas e exchanges centralizadas
Há pontos que as diferenciam as exchanges e a atraem a atenção dos investidores:
Anonimato e privacidade: as exchanges descentralizadas permitem que usuários abram contas e operem sem qualquer documentação e KYC, garantindo completo anonimato e privacidade dos usuários.
Autocustódia: diferente das exchanges centralizadas que detém a real propriedade dos fundos, nas exchanges descentralizadas a chave privada pertence unicamente ao dono do ativo.
Entretanto, há controvérsias nesse cenário, as DEXs não conseguem competir de igual para igual com as CEXs por alguns motivos:
Liquidez: os books das exchanges centralizadas, principalmente a grande facilidade do uso de suas plataformas, são mais profundos que os books de oferta das exchanges descentralizadas, isso proporciona maior liquidez aos traders. Por isso, novos protocolos de liquidez para exchanges descentralizadas tem chamado cada vez mais atenção do mercado.
Compatibilidade Fiat: os usuários das exchanges centralizadas podem entrar com pares de negociação fiduciária, tais como BTC/BRL, BTC/USDT, ETH/CZK. Isso não é possível nas exchanges centralizadas. Apenas negociação de criptomoedas e stablecoins são operacionais.
Vulnerabilidades nas CEXs
Um dos maiores desafios das exchanges é a questão da segurança da informação. Pessoas e organizações estão preocupadas com as vulnerabilidades nas plataformas, que muitas vezes são as portas de entrada para os hacks empreendidos contra diversas exchanges.
O maior desafio do setor é a falta de padronização das melhores práticas de segurança da informação e tratamento das vulnerabilidades encontradas nas exchanges de criptomoedas. Padronizar requisitos de segurança nos criptomercados é um desafio imenso e por isso há tantos gargalos de segurança em curso. Haja visto os recentes casos de hackeamento de exchanges, em particular na Ásia, como recente caso da Kucoin.
Os casos de hack das CEXs
Recentemente, a Kucoin teve seus sistemas internos hackeados e um roubo da ordem de US$ 200 milhões foi bem sucedido, comprometendo os fundos dos clientes
Um outro exemplo foi da QuadrigaCX, embora seu caso não seja exatamente de hack, mas devido à falta de padrão de segurança e conformidade. Seu fundador Gerald Cotten morreu e ninguém mais teve acesso às carteiras, cerca de US$ 190 milhões estão perdidos.
Um exemplo emblemático é o caso da Mt.Gox, uma das pioneiras no mercado de criptoativos que controlava mais de 70% das transações com bitcoins, onde milhares de pessoas perderam seu dinheiro com o desaparecimento de 850.000 bitcoins em 2014.
Esses foram os casos mais recentes e mais emblemáticos no que tange à segurança da informação. De fato, percebe-se que um número considerável de empresas neste ecossistema, principalmente startups, não seguem melhores práticas de segurança e suas operações não atendem a padrões mínimos de segurança. Um exemplo disso foi o ataque a Taylor, startup brasileira que teve todos os seus fundos e tokens roubados.
Normalmente, as startups não investem a quantidade adequada de tempo e recursos nas melhores práticas de segurança. Muitas plataformas não seguem os padrões de verificação e não fazem testes regulares de penetração em seus sistemas. Tais características tornam essas organizações mais atraentes e vulneráveis às violações cibernéticas.
Qual a principal vantagem das exchanges descentralizadas
A principal vantagem das exchanges centralizadas é que o usuário pode utilizar as funções da plataforma enquanto se mantém responsável por proteger seus próprios fundos. Ao utilizar uma DEX, os usuários mitigam alguns riscos associados aos serviços de custódia de criptomoedas. A topologia das exchanges descentralizadas diminui os riscos de invasão hackers e a apropriação dos fundos - uma vez que não existe um ponto central de falha.
A falta de um ponto central de falha é uma vantagem clara das DEX sobre as CEX. Mesmo se um nó for desconectado ou cancelado, existem milhares nós que continuarão a manter a rede funcionando. Contudo, há um custo operacional nessa topologia descentralizada: em tempos de grande volatilidade do mercado e muita atividade de negociação, a rede Ethereum pode ficar congestionada - o que causará um aumento nas taxas de transação.
O único requisito para operar com um DEX é ter uma carteira bitcoin para receber os tokens - e sua chave privada - para poder assinar as ordens de negociação e movimentar os fundos. Não há exigência de KYC, ou qualquer outro tipo de cadastro para se realizar qualquer transação em uma exchange descentralizada.
Tipos de DEXs
Entre as DEX, há muitas do tipo formadores de mercado automatizados (automated market makers -AMM) - que concentram a liquidez em pools e determinam os preços por meio de uma constante - com base no índice de ativos, estas executam suas ordens onchain.
As AMMs são um tipo de bolsa descentralizada onde os usuários juntam a liquidez e, em seguida, negociam com as moedas do pool. As AMMs precificam a liquidez com uma fórmula (geralmente x * y = k), combinando compras e vendas por meio de algoritmos.
Os pools de liquidez das AMM às vezes podem ser mais profundos do que os das CEXs, sem taxas de negociação. As AMM também já permitem a arbitragem entre diversos protocolos, como a Curve que é uma DEX híbrida, mesclando operações onchain e offchain. Já entre as que realizam parte da operação fora da cadeia (offchain), costuma-se adotar o modelo da carteira de pedidos - geralmente muito eficiente em termos de capital, mas que pode estar sujeito a problemas de Front Running por seus operadores. Uma prática que se assemelha aos Insiders Traders, negociantes que de posse de informações internas tomam posições mais vantajosas que os demais negociantes.
DEXs onchain
1.OasisDEX
2.Kyber Network
3.Bancor
4.Uniswap
5.WavesDEX
DEXs offchain
1.Airswap
2. 0x
3.Etherdelta
Top Exchanges Descentralizadas
Nas últimas 24 horas desta terça-feira (27), as DEX movimentaram cerca de $677 milhões e receberam 13 milhões de visitantes em suas plataformas. As exchanges descentralizadas de maior destaque são a Uniswap (v2), Curve Finance, Aave e 1inche, com volumes de negociação respectivos de $ 244 milhões, $118 milhões, $78 milhões e $48 milhões. Somadas, as quatro exchanges descentralizadas detém cerca de 72% do mercado de DEX.
aFonte: Coingecko
Crescimento do volume de negócios entre as DEXs e as CEXs
O volume de negociação da exchange descentralizada Uniswap ultrapassou o volume da Coinbase PRO, a maior exchange dos EUA. O dado que acendeu os alertas dos analistas do mercado, que ficaram intrigados com o aumento dos volumes de comércio mensal de uma exchange centralizada. Quando ultrapassou a Coinbase PRO, a Uniswap, totalizou um volume de negociação mensal de US$ 15,3 bilhões em setembro de 2020.
Fonte: DefiPrime
Em 25 de outubro, o volume de negócios foi de somente US$ 300 milhões, em comparação com os US$ 2 bilhões negociados nas últimas 24h pela Binance. Contudo, é importante destacar que a profundidade da liquidez provida pela Uniswap é superior a Coinbase, por exemplo.
Fonte: 2n2ckchong
As DEX e DeFi
O mercado de Finanças Descentralizadas (DeFi) faz uso intensivo da topologia das plataformas DEXs. O nível de envolvimento entre ambas é tanto que há quem as veja como sinônimos.Todavia, as DEXs são um fenômeno mais antigo que o DeFi, tendo a Wave DEX e a Stellar DEX como representantes ancestrais das grandes DEXs atuais. A Stellar DEX deu origem a diversas outras plataformas descentralizadas baseadas no protocolo Stellar.É importante destacar que assim como o as exchanges descentralizadas, praticamente todo o mercado DeFi é baseado no protocolo Ethereum e concorrentes de peso, como o protocolo Neutrino da Waves que pretende inovar nas finanças descentralizadas.
Coexistência entre as CEXs e as DEXs
Grandes exchanges centralizadas como Binance e OKEx (ambas CEX) e outras exchanges do mundo, estão aderindo ao DeFi e lançando suas versões descentralizadas acopladas as suas plataformas de negociação centralizadas.
De acordo com pesquisa feita pelo Cryptocompare, 40% das exchanges pesquisadas planejam construir uma DEX em um futuro próximo. Portanto, analisando os casos já existentes e em funcionamento, há uma grande probabilidade de que DEXs e CEXs possam coexistir e se complementar para construir uma configuração de um mercado mais avançado.
À medida que o DeFi continua a crescer, as DEX seguem sendo essenciais e parte intrínseca do ecossistema de criptomoedas.
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