O Banco Central do Brasil está explorando a possibilidade de vincular a identidade digital do Drex, a moeda digital brasileira, à plataforma Gov.br. Essa integração visa simplificar e padronizar as credenciais digitais dos cidadãos, proporcionando uma experiência mais integrada e eficiente.
Segundo explicou Fábio Araújo, coordenador do Drex no Banco Central, durante o 4º Congresso Brasileiro de Internet, a proposta do BC é padronizar a identidade das pessoas dentro do ambiente digital e facilitar o acesso aos serviços públicos. No entanto, esta proposta esbarra atualmente na interoperabilidade dos dados, na base e uso das diferentes informações sobre os indivíduos.
"As credenciais ainda estão em fase de discussão, porque é um problema muito complexo. Quando você pensa em identidade digital, identidade é uma coisa global. Não é só a vida financeira da pessoa que está na identidade. Então isso ultrapassa o escopo do Banco Central", disse Araújo.
Segundo o coordenador do Drex, atualmente as pessoas têm sua identidade financeira, identidade de saúde, de educação, entre outras usadas por diferentes ministérios para prover diferentes serviços.
"O ideal é não ter uma identidade para o setor financeiro, uma identidade para o setor educacional, uma identidade para o setor de saúde, mas uma entidade que promova isso, e pode ser a partir do Gov.br, que tem avançado bastante", afirmou.
Identidades no Drex
A padronização nativa do Drex é uma das suas principais vantagens. Segundo o Banco Central, o próximo passo é garantir credenciais adequadas para acessar essas informações.
“Tem muita inovação dentro desse ambiente, porque estimula a inovação de credenciais digitais e identidade digital das pessoas. As informações estão padronizadas. Mas tenho que saber como dar acesso a essas informações para os outros, e preciso de uma credencial para isso. Essa é uma discussão fundamental”, explicou.
A interoperabilidade e a descentralização também são pontos chave na estratégia do Banco Central.
“Os nós dessa rede são operados pelos agentes regulados do Banco Central. A gente tem a ideia de descentralizar ao máximo a prestação do serviço e a pergunta que vem é qual é o máximo. O Open Finance já respondeu. A gente pode ir até onde vai o perímetro regulatório do Banco. Se a gente precisar de mais agentes, cria essa entidade e traz para dentro do escopo regulatório do Banco Central”, complementou Araújo.
Araújo também aponta que o Drex visa aprofundar a experiência digital dos brasileiros, seguindo o sucesso do Pix e avançando no ecossistema interligado promovido pelo Open Finance.
“O Pix abriu a porta de entrada das pessoas no ambiente digital. A gente tem hoje 95% da população adulta operando por canais de internet e gerando informações que vão poder ser úteis para produzir novos serviços”, disse Araújo.
A principal inovação do Drex está na sua concepção como uma plataforma para prestar serviços financeiros utilizando tecnologia de ativos digitais.
“No Drex esses bancos de dados já nascem padronizados. Toda a informação já é padronizada no mesmo formato e toda a informação, a princípio, já está disponível para ser compartilhada, desde que as pessoas tenham as credenciais para isso”, explicou Araújo.