Quando o assunto é investimentos a compra de um imóvel sempre é apontada como uma das opções mais seguras ainda mais quando comparado com investimentos chamados de "alternativos" como Bitcoin e criptomoedas.

Contudo nem tudo são flores quando o assunto é a compra de um imóvel como investimento.

Desta forma, a investidora Júlia Mendonça, especialista em planejamento financeiro e autora do portal "Descomplique", contou como acabou perdendo um bom dinheiro investindo em imóveis.

"Imóvel é um dos melhores investimentos que você pode fazer. Quem nunca ouviu isso? Pois é. Eu também escutei isso a minha vida inteira, e a primeira coisa que fiz assim que fiquei noiva foi comprar um imóvel com a esperança de ganhar muito dinheiro com ele", destaca.

Perdi dinheiro comprando apartamento

Em seu relato Mendonça destaca que comprou um imóvel na planta em 2011.

No total, contando todas as taxas, correções e valores que teve que pagar para poder entrar no apartemento Medonça destaca que investiu R$ 396.703,39.

Contudo, em 2020 a investidora começou a pensar em vender o imóvel e, para sua surpresa, o investimento virou prejuízo.

"Meu imóvel foi avaliado pela corretora de imóveis, que chegou ao valor de R$ 360 mil para a venda. Se junto do apartamento deixarmos os móveis, conseguiremos um valor maior, mas não muito mais, pois não valoriza tanto assim. Então, acreditando que conseguimos R$ 10 mil a mais por todos os móveis, pois só tirarei os eletrodomésticos, cama e sofá, o imóvel será vendido pelo total de R$ 370 mil. Isso sem contar nenhum tipo de desconto, negociação ou gasto com despachante. Além disso, tenho que descontar ainda 6% do valor da venda do imóvel, pois este costuma ser o valor praticado por corretores. Então, vem para minhas mãos o valor de R$ 347 mil"

Desta forma, em vez de lucro, com todas as taxas e a inflação no período a investidora acabou com mais de R$ 30 mil de prejuízo.

"Não sou um caso isolado. A maioria dos imóveis no Brasil mal vence a inflação anual na sua valorização (...) quando considerados custos com impostos, reformas, financiamentos, é fácil perceber que a conta fica ainda mais apertada", aponta.

Comprar ou não um imóvel

Partindo do principio que o investidor já reside em um imóvel próprio e, portanto, não paga aluguel consultamos um gestor financeiro para opnar sobre a compra ou não de um imóvel como investimento.

Assim, o gestor de riscos financeiros Yuri Utida explica que essa fama dos imóveis fez muito sentido em décadas passadas.

Segundo ele, quando o Brasil deixou de ser um país majoritariamente rural e iniciou o seu processo de urbanização, os imóveis sofreram uma valorização alta.

Porém, com a consolidação dessa nova característica, a margem para essas grandes alavancagens despencaram.

Assim, segundo ele, o que se vê, hoje, é que eles têm um rendimento baixíssimo quando alugados a terceiros, e estão bem longe daquela valorização alardeada pelos nossos pais. 

“As pessoas tendem a confundir correção inflacionária com valorização e pensam que estão investindo de forma conservadora, mas não é bem assim. Os imóveis têm o seu valor aumentado ano após ano, em boa parte, apenas devido à inflação que se acumula, o que não significa que eles estão valendo mais, apenas não perderam o valor de mercado”, explica.

Opções de investimento

Assim, segundo ele, um cálculo feito pela Associação Brasileira de Incorporadoras Imobiliárias (Abrainc) mostrou que de 2009 a 2019 os imóveis valorizaram cerca de 9,4% ao ano.

O número, embora seja maior do que índices como a poupança, Selic e CDI, ainda é muito baixo quando comparado a outras oportunidades do mercado.

A rentabilidade do Ibovespa em 2019, por exemplo, chegou a 31% e o do Bitcoin passou de 87%.

Yuri reforça que o mercado dispõe de opções bem mais lucrativas e seguras para quem quer investir do que a compra de imóveis.

“A falta de conhecimento e de acompanhamento especializado fazem as pessoas tomarem decisões erradas com o seu dinheiro. Há uma infinidade de fundos (inclusive imobiliários) que um bom consultor pode te indicar após entender sua realidade e objetivos, além de seguros 100% resgatáveis em poucos anos, com boa rentabilidade e segurança maior que a de imóveis”, diz.

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