Refugia é uma social tech criada por jovens brasileiros com o objetivo de auxiliar pessoas refugiadas no Brasil a reconstruírem, com dignidade, suas vidas em um novo país. Os tokens não-fungíveis, ou NFTs, foram escolhidos pela iniciativa para este propósito. Através dos NFTs, os artistas refugiados podem divulgar e comercializar suas artes em ambiente completamente digital.
Em entrevista ao Cointelegraph Brasil, Thales Lima, CEO da Refugia, conta como a iniciativa surgiu e como tem sido a atuação do projeto na vida dos refugiados.
NFTs com impacto social
O Brasil conta com 61,7 mil refugiados em seu território, aponta um relatório publicado pelo Alto-comissariado das Nações Unidas para os Refugiados em setembro de 2022. O Refugia surgiu quando a história de Thales Lima, de apenas 18 anos, cruzou com as vidas de quatro refugiadas venezuelanas.
“A iniciativa surgiu em 2021, quando contei uma experiência que eu tive aos meus amigos, de quando minha família recebeu quatro refugiadas venezuelanas. Minha mãe é líder do Instituto ‘Eu Me Importo’, que cuida de crianças com câncer. Através da mãe de uma dessas crianças, minha mãe soube da história de quatro mulheres que estavam sendo despejadas de um abrigo aqui no Rio [de Janeiro] para mulheres refugiadas e com câncer de mama, e decidiu acolhê-las lá em casa”, conta Lima.
O projeto tomou forma durante um desafio da Junior Achievement, que consistia em transformar a sociedade através de tecnologia. Lima conta que foi nesse momento que o Refugia ganhou corpo. “Poder ajudar essas pessoas tem sido muito importante, apesar de termos um protótipo por enquanto.”
O objetivo é permitir que artistas distribuam suas artes em forma de NFT, o que dá flexibilidade às criações, diz Lima. “Estamos focados em fotógrafos, cantores, pintores, artistas plásticos, grafiteiros, dentre outros”, completa. Para facilitar a distribuição das obras, foi criado um metaverso focado na iniciativa.
Também fazem parte do Refugia: Laryssa Silva, que atua como COO; Maria Mariz, que ocupa o cargo de CMO; e José Vieira, responsável pela parte técnica como CTO. Assim como Lima, os outros integrantes do projeto têm entre 17 e 18 anos.
Vencedores da Liga Jovem
Desde 2021, Thales Lima conta que o Refugia teve uma “melhora bem grande” em relação aos seus fundamentos. Por isso, houve a decisão de inscrever o projeto no Desafio Liga Jovem, organizado pelo SEBRAE e pelo Instituto Ideias de Futuro, em dezembro de 2022.
“Pesquisamos muito para validar o negócio, entramos em contato com trinta instituições, mais de trinta artistas de todos os continentes. No início, eram 1.236 equipes competindo. [...] Ficamos sabendo que fomos vencedores do desafio nacional. Eram muitos competidores, e ficamos apreensivos por isso, mas, graças a Deus, deu tudo certo. Foram seis equipes vencedoras, e somos uma delas”, diz Lima.
Em junho, a equipe por trás do Refugia irá para Madrid, que é o prêmio dado pelo Desafio Liga Jovem às equipes vencedoras. O CEO do projeto diz que haverão visitas técnicas em polos de inovação e visitas a pontos turísticos.
Próximos passos
Os próximos passos do Refugia envolvem contatar novamente alguns contatos feitos ao longo dos quase dois anos de existência do projeto, bem como firmar novos laços.
“Começaremos um planejamento para tornar o projeto possível, contatar pessoas que conhecemos no Ethereum Rio, algo que foi bem importante, e contatar novamente parceiros com os quais falamos enquanto estávamos validando o projeto, como ACNUR, Conare, Museu da Imigração, Código Brazuca, Blockchain Rio e Muse, que são parceiros que vão nos ajudar bastante no processo de implantação”, conclui Thales Lima.
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