De férias nos EUA em março de 2020, o jovem paulistano Stênio Romao, 33, acabou impossibilitado de voltar para casa por conta do fechamento das fronteiros que se seguiu à confirmação da pandemia em nível global. Com seu voo de volta para o Brasil adiado, a viagem que deveria ter durado 15 dias foi estendida por tempo indefinido. Afora o incômodo de não poder voltar para casa e o medo de ser infectado pelo coronavírus, Romao não dispunha de recursos extras para se mater em terra estrangeira.
Foi então que ele lembrou dos satoshis - frações de Bitcoin (BTC) - que mantinha em uma carteira digital privada e resolveu utilizá-los para garantir sua subsistência nos EUA. Mas o brasileiro não converteu imediatamente seus satoshis em dólar para pagar suas contas.
Ele realizou trades pontuais, trocando frações de BTC por altcoins que acabaram se tornado a sua salvação. Os satoshis, por si sós, não teriam sido suficientes para tal, como ele relatou em uma reportagem publicada no Tilt no domingo, 27:
Foi justamente nesse período que as moedas virtuais valorizaram muito e me sustentaram até que as fronteiras abrissem e eu pudesse voltar."
Salvo pelas criptomoedas e de volta ao Brasil em plena pandemia, com a economia em estagnação, o jovem teve a ideia de começar a minerar ativos digitais de forma caseira, através de seu computador pessoal, que custara R$ 1.500. Após pesquisa inicial, Romao aderiu a um pool de mineração. Basicamente, ele adicionou o poder de processamento de seu computador ao de outros usuários de outras partes do mundo para ganhar criptomoedas como recompensa.
Os ganhos ainda são baixos, mas a possibilidade de deixar seu computador literalmente fazendo dinheiro em casa enquanto ele trabalha como motorista de aplicativo nas ruas de São Paulo já o motivam a incrementar o poder computacional de sua estação caseira de mineração. Apesar de ter verificado um aumento considerável em sua conta de luz desde que passou a se dedicar à atividade.
Além dos custos elevados da energia elétrica, a mineração caseira de criptomoedas provoca o desgaste acelerado de diversos componentes de computadores pessoais, tornando a atividade não necessariamente lucrativa, como explicou Evérton Machado, técnico de informática que trabalha na Santa Efigênia, em São Paulo, à reportagem do Tilt:
"A parte que mais sofre na mineração é a placa de vídeo, pois ela faz a grande parte do processamento da mineração e trabalha sempre em alto desempenho por longos períodos. A fonte de alimentação do computador também se desgasta por trabalhar constantemente com alta exigência e por muito tempo."
Já os processadores e placas mães não costumam ser afetados pela mineração.
Profissionalização
A história de Romao é parecida com a do advogado e investidor gaúcho, Luciano dos Santos, 38. Atraído pelos retornos das criptomoedas, Santos resolveu aventurar-se na mineração de Ethereum (ETH). No entanto, a experiência durou pouco. Em 2021, em plena pandemia do coronavírus e com o mercado de criptomoedas em seu melhor momento desde 2017, o advogado resolveu retomar a atividade. Agora com uma estrutura mais robusta para que a mineração fosse mais lucrativa.
Santos afirma ter investido o equivalente a um bom carro para montar a sua nova fazenda de mineração. Em geral, os custos para montagem de uma estrutura média como a do advogado está estimada entre R$ 47.000 e R$ 100.000.
Santos não revelou quanto ganhou até agora com o empreendimento, mas é taxativo em defender que, nos dias de hoje, todos devem ter algum tipo de exposição a ativos digitais:
"É uma ferramenta que pode significar a liberdade financeira das pessoas. Mas, da mesma forma, é um mercado muito volátil. Acredito que todos deveriam investir uma parcela de seu capital apta ao risco. Porém, nunca colocar dinheiro que possa precisar em curto prazo, ou valor que não possa ser perdido."
- Jogo inspirado em Olavo de Carvalho rouba poder computacional dos jogadores para minerar criptomoeda
Conforme noticiou o Cointelegraph Brasil, minerar Bitcoin em casa no Brasil não é uma atividade lucrativa devido aos altos custos da energia elétrica no país.
LEIA MAIS