O hacker brasileiro, Itamar Silva Pereira, foi condenado a 15 anos e quatro meses de prisão por invadir e roubar contas bancárias de diversas pessoas em todo o Brasil, segundo decisão do Tribunal de Justiça do Distrito Federal e Territórios, publicada em 27 de setembro.
Itamar, que já estava preso desde junho, por conta de uma operação Paragon, da Polícia Federal e agora deve cumprir em regime fechado o restante da pena. O processo ainda cabe recurso so Superior Tribunal de Justiça (STJ).
Pereira usava táticas de pishing para conseguir dados bancários de usuários e gerava boletos bancários para a compra de bitcoins, segundo aponta o processo. As investigações revelaram que ele teve acesso a cerca de 33 mil contas bancárias.
"Itamar é a ponta do iceberg, pois existe todo um esquema de bitcoins por trás; que invadiam a conta das pessoas e geravam boletos para comprar bitcoins, ou seja, adquiriram bitcoins com o dinheiro de outras pessoas (...) que é possível comprar bitcoin por boleto, paga-se o boleto e a corretora vai jogar o bitcoin em uma carteira, mas não se sabe de quem é essa carteira e pode-se passar essa carteira para outra pessoa", diz um dos depoimentos do caso.
Quanto a operação da Polícia Federal chegou em sua residência telas de computador estava ligadas com ataques em andamento, mesmo assim, Pereira negou o envolvimento nos crimes. Pereira foi condenado por furto qualificado e lavagem de dinheiro.
Entretanto, segundo a investigação, Pereira não estava sozinho nos crimes e contava, juntamente com outras pessoas, operava uma quadrilha na prática dos delitos. O grupo era formado também por Felipe Luciano Amaral Santos, Isaac Vital de Lima e Mozart Rodrigues de Oliveira Junior.
No 'esquema' segundo depoimentos, Mozart é que seria o responsável pela compra dos Bitcoins gerando os boletos que seriam pagos por Itamar com as invasões das contas. Mozart que também esta preso desde a operação da Polícia Federal, teve sua pena ampliada com a decisão.
Apesar de ter formado uma quadrilha, todos os valores passavam pela conta bancária de Itamar, fato que, segundo a decisão, ampliou a pena.
“De acordo com esse laudo, a movimentação bancária da conta do Apelante no ano de 2016 foi incompatível com a declaração de imposto de renda do mesmo período. Nesse sentido, destaque-se que, de acordo com a declaração do imposto de renda, o apelante teria recebido rendimentos na ordem de R$ 8.495,64 (oito mil e quatrocentos e noventa e cinco reais e sessenta e quatro centavos) no ano de 2016. No entanto, apenas no mês de junho de 2016, foram creditados R$ 351.205,47 (trezentos e cinquenta e um mil e duzentos e cinco reais e quarenta e sete centavos) na sua conta bancária. Ademais, recebeu na sua conta, de julho a dezembro de 2016, lançamentos de créditos mensais de R$ 37.000,00 (trinta e sete mil reais), em média. O laudo também referiu que há notícia de que, no ano de 2016, o apelante teria adquirido, sem declarar à Receita, um terreno no valor de R$ 36.000,00 (trinta e seis mil reais), transação essa incompatível com o valor dos seus rendimentos naquele ano-base. Assim, concluiu que havia movimentação não usual de depósitos em espécie na conta, procedimento que sugere a intenção de lavar dinheiro de origem ilícita”.
As investigações foram conduzidas pela Delegacia Especial de Repressão aos Crimes Cibernéticos (DRCC), do Departamento de Polícia Especializada da Polícia Civil do Distrito Federal.
Como noticiou o Cointelegraph, recentemente a Policia Federal, prendeu na segunda fase da Operação Spoofing, o programador de computadores Thiago Eliezer Martins e Luiz Molição, amigo do hacker Walter Delgatti Neto.
Eliezer, é chamado de o "quinto elemento" e a polícia suspeita que ele seja a ligação entre o hacker e o suposto pagamento com Bitcoin pelas invasões. Além disso Eliezer também é programado e seria o 'professor' de Delgatti Neto, considerado 'amador' entre hackers.
O 'professor' também teria encontrado Netto em Brasília, ainda em 2018, e teria ajudado o hacker a comprar dólares em uma casa de câmbio e também teria vendido uma Land Rover de R$ 400 mil para "Vermelho", como é apelidado o hacker.