Na segunda-feira (13), a Meta anunciou a interrupção dos serviços com NFTs em suas redes sociais. Rodrigo Caggiano, cofundador da empresa focada em usabilidade de NFTs Mobiup, avalia os impactos da breve investida da gigante do ramo de tecnologia no setor de tokens não-fungíveis.
Menos de um ano
A Meta iniciou seus testes com NFTs no Instagram em maio de 2022. Em setembro do mesmo ano, a empresa possibilitou que usuários de 100 países conectassem suas carteiras, ao Instagram e Facebook, e compartilhassem seus tokens não-fungíveis, marcando o criador da obra.
Além disso, também foi possibilitada a criação de NFTs dentro da plataforma da Meta. A ideia da big tech com o movimento era empoderar criadores, que poderiam ter seus colecionáveis digitais adquiridos diretamente na plataforma.
Stephane Kasriel, chefe da área de Comércio e Fintech da Meta, disse no anúncio de desativação dos NFTs das redes sociais que a empresa está “focando em outras formas de apoiar criadores, pessoas e negócios”.
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Perda de visibilidade
A notícia foi um banho de água fria para entusiastas da Web3 que acreditavam no potencial da Meta levar os colecionáveis digitais a um público maior. Em 2022, o Instagram registrou 1,21 bilhão de usuários ativos, apontam dados da Statista. Até 2025, este número deve chegar a 1,44 bilhão.
Usuários do Instagram entre 2020 e 2022, e projeção para 2023 até 2025. Fonte: Statista
Rodrigo Caggiano avalia que a ação da Meta realmente ajudaria a popularizar os NFTs. “Ao criar o suporte para NFTs dentro do Instagram, além de diminuir as barreiras culturais existentes, a Meta conseguiu tornar o espaço das NFTs mais acessível para os diferentes tipos de pessoas presentes na rede”, diz. Caggiano acrescenta que tokens não-fungíveis dificilmente chegam a qualquer pessoa, por isso a importância dessa tecnologia no Instagram.
Para mudar este cenário, o cofundador da Mobiup avalia que é necessário descomplicar os tokens não-fungíveis, tornando o uso mais simples. O Instagram, na visão de Caggiano, estava construindo este caminho.
Empoderamento de criadores
Nos comentários à publicação de Stephane Kasriel, da Meta, alguns membros da comunidade de criptoativos criticaram a falta de utilidade para os NFTs no ecossistema da empresa. É o caso do fundador da coleção de NFTs Sappy Seals, que se identifica como wab.eth.
“Acrescentar a habilidade de mostrar NFTs no seu feed não é bem o ponto dos colecionáveis digitais. Vocês precisavam entender formas de construir uma comunidade, e desenvolver uma economia de criadores, mas vocês erraram completamente o ponto”, disse wab.eth.
Para Caggiano, da Mobiup, a adição de colecionáveis digitais no ecossistema Meta, ainda que breve, fez com que o tema chegasse a criadores que antes não tinham ouvido falar desta tecnologia. Ele defende também que o experimento deu visibilidade aos artistas.
“Ao ter uma NFT adquirida, o colecionador que compartilhasse tinha a NFT diretamente ligada ao artista que a produziu, trazendo reconhecimento e visibilidade pro autor e para sua arte”, afirma Caggiano.
Contenção de fraudes
Os perfis falsos são realidade nas redes sociais mais populares. Somente no último trimestre de 2022, o Facebook deletou 1,3 bilhão de contas falsas, indicam dados da Statista.
Número de perfis falsos excluídos pelo Facebook entre 2017 e 2022. Fonte: Statista
O uso de colecionáveis digitais na plataforma, na visão de Rodrigo Caggiano, era uma forma de criadores de conteúdo sem verificação se identificarem como legítimos dentro da rede social.
“O uso teve bons resultados, devido a série de fatores que permitem diferenciar um NFT no Instagram de uma foto comum, e sua impossibilidade de clonagem. Como faz o Selo de Verificação Authenticator, uma solução que usa a tecnologia blockchain para garantir a veracidade de perfis no Instagram”, comenta.
Comunidade Web3 saiu ganhando
Mesmo com a saída da Meta do mercado de NFTs, outras empresas adentraram o mercado e acreditam no potencial desta tecnologia, salienta Caggiano. Ele cita como exemplos as investidas de empresas como Starbucks e Reserva. Além desses nomes, é válido ressaltar também outros nomes, como Disney, Nike e Adidas.
Dentro deste cenário, o cofundador da Mobiup acredita que o setor de colecionáveis digitais continuará se desenvolvendo. “De fato, os NFTs não deixam de existir porque a Meta desistiu da tecnologia, e acredito que as possibilidades de criação de novos negócios e relacionamentos mais profundos com os clientes os trará de volta”, conclui.
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