Um relatório da Conferência das Nações Unidas sobre Comércio e Desenvolvimento (UNCTAD) revelou que as tecnologias disruptivas como a blockchain podem ser aliadas para a recuperação social e econômica dos países a partir do fim da pandemia de coronavírus - ainda longe de acabar. O texto é do Sapo Tek.

O relatório mostra que a recuperação oferece uma oportunidade para que os governos adotem tecnologias emergentes para reduzir as desigualdades aprofundadas pela crise do coronavírus.

O Technology and Innovation Report da UNCTAD destaca as tecnologias que podem fazer parte da retomada, nomeando Inteligência Artificial, 5G, IoT, Big Data, Blockchain, Robótica e Impressão 3D como potenciais propulsoras da retomada.

Segundo o relatório, os mercados de tecnologias disruptivas já compreendem US$ 350 milhões. Com a adoção, este número pode chegar aos US$ 3,2 bilhões já em 2025.

Isabelle Durant, secretária-geral da UNCTAD, diz que o importante é que os países em desenvolvimento, como o Brasil, não percam a "onda" de adoção destas tecnologias, sob o risco de aprofundar as desigualdades. O Brasil já é um dos países do mundo com maior disparidade social, com aprofundamento deste problema desde 2016.

O relatório também destaca que cada "onda" de inovação traz consigo novas desigualdades, em um ciclo que remete à primeira revolução industrial, ocorrida há 250 anos.

A pesquisa também sublinhou potenciais desafios para os próximos anos, como a automação dos postos de trabalho e a redução dos direitos dos trabalhadores, tendência que também se observa no Brasil.

Apesar disso, o relatório da conferência da ONU revela que os países mais bem preparados, de forma geral, para adotar tecnologias disruptivas estão nas regiões mais ricas do Ocidente: América do Norte e Europa. A região menos preparada seria a África Subsahariana.

Entre os países emergentes, há aqueles que têm adotado este tipo de tecnologia e podem ter mais vantagem para acompanhar o ciclo de inovação, casos de Índia, Filipinas e China.

A UNCTAD também destaca que a inovação tecnológica não pode perpetuar nem aprofundar as desigualdades existentes, e que é dever dos governos garantir o equilíbrio na adoção de novas tecnoogias.

“O progresso tecnológico é essencial para o desenvolvimento sustentável, mas pode também perpetuar ou criar desigualdades. Assim, os governos têm como missão maximizar os possíveis benefícios enquanto mitigam efeitos mais negativos”

Finalmente, o relatório indica que os países emergentes precisam se preparar para "períodos de grande mudança" na próxima década. Entre os fatores considerados estão o acesso universal à internet, a capacitação de trabalhadores para tecnologias emergentes e a proteção dos programas sociais.

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