O Banco Central do Brasil, em parceria com a Federação Nacional de Associações dos Servidores do Banco Central (Fenasbac), anunciou nesta quarta, 10 de julho, o lançamento da retomada das atividades do Laboratório de Inovações Financeiras e Tecnológicas (LIFT).
A iniciativa é um grande laboratório de inovação do Banco Central e, por meio dela, diversas iniciativas apresentadas e desenvolvidas pelas empresas foram, posteriormente, implementadas no Sistema Financeiro Nacional, com o Saque Pix, entre outras.
Nesta retomada o foco do LIFT está quase 100% voltado ao mercado de ativos digitais, com o BC buscando projetos envolvendo blockchain, DeFi, carteira para criptomoedas e token RWA. Os focos dos projetos são:
- Compliance e PLD Preventivos: soluções tecnológicas para a prevenção à lavagem de dinheiro e compliance.
- Gateway de Interoperabilidade: solução de interoperabilidade B2B que opera entre redes blockchain que não são compatíveis.
- GreenFi: Finanças Descentralizadas para a Sustentabilidade: solução que visa criar um ecossistema financeiro descentralizado para ativos verdes tokenizados.
- KYC para Rating de Crédito em Blockchain: solução que busca desenvolver uma rede descentralizada para avaliação e concessão de crédito, seguindo os princípios do Open Finance.
- Score Chave PIX: desenvolvimento de uma pontuação para o sistema de pagamentos instantâneos Pix, monitoramento de safe zones e detecção de contas laranjas.
- SmartSafe: solução de carteira digital programável, segura e intuitiva para o armazenamento de criptoativos.
- Token do Agronegócio Garantido - TAG: tokenização de ativos para o agronegócio.
Neste ano, o LIFT Lab completa 6 anos de inovações tecnológicas, que geraram impactos expressivos. Ao todo, foram 256 propostas de projetos submetidas ao LIFT Lab, sendo selecionados 82 projetos. Entre os 68 finalistas, 36% receberam investimentos do setor privado, durante ou logo depois da aceleração, totalizando um montante superior a R$ 400 milhões.
O LIFT é um ambiente virtual colaborativo que reúne o universo acadêmico, o mercado, empresas de tecnologia e fintechs. A iniciativa conta com o apoio de empresas de tecnologia, como AWS, Cielo, Finansystech, Idwall, Microsoft, Multiledgers, R3 e Veritran.
A partir de julho, o cronograma do LIFT Lab inclui etapas importantes. Ao longo do programa, serão realizadas reuniões de acompanhamento e entrega dos projetos, com foco na entrega final (LIFT Day) e no relatório com publicações dos artigos (LIFT Papers).
Drex
Os temas selecionados para o LIFT deste ano dialogam diretamente com o DREX, moeda digital do Banco Central, atualmente na fase 2 de testes. Sobre ela, recentemente o Banco do Brasil revelou que vem estudando criar um 'mega' ecossistema de investimento, por meio de 4 frentes de atuação: mercado de capitais, sustentabilidade, wallet e pagamentos offline.
Segundo revelou Dione Mary N. Souza Cordioli, Gerente Executiva da instituição, em painel promovido pela Visa, o banco está se preparando para o Drex e vem realizando vários testes com a premissa do banco para a construção deste ecossistema com a CBDC nacional.
Na frente de mercado de capitais, o banco estuda habilitar os contratos inteligentes do Drex para a tokenização de debentures, recebíveis (tanto para investimento como para crédito), commodities do agronegócios, entre outros. Já na sustentabilidade a proposta é tokenizar créditos de carbono, com registro em blockchain, comercialização e monitoramento da jornada.
"Outra frente importante é o meio de pagamento, onde estamos desenvolvendo wallets para facilitar a transferência de valores. O objetivo é permitir que o cliente tenha sua wallet dentro do banco, contendo todos os seus ativos digitais, e que possa utilizá-los como meio de pagamento", disse Cordioli.
Cordioli destacou ainda que a quarta frente de atuação envolve pagamentos offline, no qual, um dos projetos em fase de testes é um cartão pré-pago utilizando o Drex; carregando e utilizando valores sem a necessidade de conexão com a internet.
Além disso, o uso desse cartão pré-pago elimina a necessidade de carregar um celular ou carteira, "o usuário pode carregar o cartão com antecedência e usá-lo de forma segura e conveniente, em shows ou eventos", destacou.
"Isso facilita a inclusão financeira dessas comunidades, permitindo uma maior socialização e acesso a serviços financeiros.Isso é especialmente útil em áreas do país e comunidades que não têm acesso à internet. É uma forma de permitir que essa população tenha acesso a um meio de pagamento eficiente", apontou.