A brasileira DUX, maior comunidade de jogos em blockchain da América Latina, acaba de participar de uma rodada de investimentos em que levantou R$ 10 milhões de duas entidades globais da indústria de criptomoedas, e na terça-feira, 3, abriu whitelist para os interessados em participar da oferta inicial do DUX token (DUX) – token utilitário e de governança da startup.

O  Old Fashion Research (OFR), um fundo de investimento em blockchain multiestratégia fundado por ex-executivos da Binance, maior exchange de criptomoedas do mundo, investiu R$ 7 milhões na DUX. Os outros R$ 3 milhões vieram da Animoca Brands, empresa reconhecida por sua associação com projetos de ponta da indústria de criptomoedas, como a coleção de NFTs Bored Ape Yacht Club (BAYC) e o jogo play-to-earn Axie Infinity (AXS).

Os fundos serão utilizados pela DUX para desenvolver novos projetos e expandir os negócios da empresa através das iniciativa de pesquisa, educação e investimento em jogos em blockchain e Web3.

Conforme destacou o fundador e CEO da DUX, Luiz Octavio, mais conhecido como Luiz da DUX, em uma entrevista exculsiva concedida ao Cointelegraph Brasil, o objetivo da empresa sempre foi fazer do Brasil protagonista nesta nova fase evolutiva da internet, baseada em protocolos descentralizados e interatividade.

Os aportes do Old Fashion Research e da Animoca Brands serão utilizados para dar continuidade à trajetória vencedora da DUX em pouco mais de um ano de existência, afirmou o líder da comunidade:

"A minha missão pessoal é mostrar que o Brasil e a América Latina podem ser criadores dessa próxima onda teconológica. Não quero mais assistir ao Brasil como consumidor do que é produzido lá fora. Então, a ideia é tornar o Brasil uma 'powerhouse', um celeiro de produtos de qualidade para a Web3. Desde o desenvolvimento de projetos até a formação de mão de obra especializada. Se a próxima etapa da internet é o metaverso, eu não quero que os brasileiros sejam os trabalhadores braçais do metaverso. Eu quero que o Brasil ajude a construir essa nova realidade."

Em comunicado oficial à imprensa, o analista de investimentos da Old Fashion Research, Guilherme Bisoli, destacou o potencial da Dux como catalisadora de um ecossistema dedicado à Web3 não apenas no Brasil, mas em toda a América Latina, para justificar o investimento do fundo: 

“Realizamos investimentos em empresas, equipes e ideias inovadoras, que têm o poder de impulsionar o ecossistema de criptomoedas e toda Web 3.0 de maneira positiva e significativa, para a OFR é importante investir em projetos consistentes, e que ajudem o fundo a diversificar seus negócios, principalmente em mercados emergentes e com grande potencial, como é o caso do latino-americano."

O fundador e CEO da DUX, por sua vez, ressaltou que o investimento captado pouco mais de um ano depois do início das atividades da empresa é uma chancela ao trabalho de inclusão tecnológica e social realizado pela DUX através de guildas e scholarships dedicadas aos jogadores de jogos play-to-earn espalhados por diversos países do continente latinoamericano:

“Tudo isso é uma prova do trabalho que estamos desenvolvendo. Pouco mais de um ano atrás, começamos com um trabalho de curadoria de notícias do mundo cripto para, hoje, nos tornarmos o primeiro investimento da Old Fashion Research na América Latina e também um dos primeiros da Animoca Brands no mercado latino-americano. Ter esse respaldo de mercado é muito importante para nós, pois permite nos tornar uma guilda cada vez mais forte e organizada, o que é uma vantagem para os nossos jogadores também.”

Brasil na vanguarda da Web3

Embora já existisse há mais tempo, a DUX tornou-se exclusivamente dedicada a projetos relacionados à indústria de criptomoedas quando Luiz identificou que NFTs e jogos play-to-earn poderiam se tornar se tornar os próximos setores da indústria a contribuir decisivamente para o aumento da adoção de protocolos descentralizados e atração de um contingente mais amplo de usuários. 

Assim, no começo de 2021, Luiz investiu dinheiro do próprio bolso para comprar NFTs de Axies, as criaturas fantásticas necessárias para jogar o Axie Infinity, e montou os primeiros times da DUX:

"Foi assim que começou essa história. Um pouco de feeling, um pouco de entendimento do mercado, com um pensamento de, a partir de investimentos iniciais pequenos, obter um retorno alto para a comunidade que estava em formação. Nessa época, o Axie Infinity estava rendendo R$ 2.000 ou R$ 3.000 por mês para jogadores com poucas habilidades. Foi assim que a gente criou essa tese de distribuição de renda através da tecnologia blockchain."

Ciente do potencial econômico e de inclusão social dos jogos play-to-earn, em pouco tempo Luiz criou uma guilda e passou a oferecer scholarships dando início à expansão do que viria a se tornar a maior comunidade de jogos em blockchain da América Latina.

Scholarships são programas em que os proprietários dos NFTs os disponibilizam para os jogadores que não tem capacidade de realizar o investimento inicial necessário para entrar no ecossistema de um determinado jogo e recebem uma porcentagem dos ganhos dos jogadores em troca da bolsa. 

O modelo tornou-se popular no mundo todo por permitir que novos jogadores possam tomar parte em jogos play-to-earn sem a necessidade de desembolsar grandes quantias de antemão. 

Em agosto do ano passado, a DUX possuía 900 NFTs de Axies e 300 jogadores. Atualmente, a DUX tem mais de 5.000 Axies e 2.000 jogadores, configurando-se como a maior guilda de Axie Infinity da América Latina. Apenas no ecossistema do jogo play-to-earn mais popular do mundo, os investimentos da empresa ultrapassam US$ 1 milhão (aproximadamente R$ 5 milhões).

A startup também responde pela Brazilian StarAtlas Alliance (BSA), a maior guilda do mundo do jogo de ficção científica futurista Star Atlas, com 7 mil jogadores, e investimentos de US$ 700 mil (R$ 3,5 milhões).

Hoje, conta Luiz, os investimentos da empresa estão distribuídos entre 17 jogos, NFTs, terrenos virtuais e iniciativas com foco no metaverso. O CEO da DUX aposta que as estratégias de gamificação potencializadas pela criptoeconomia se tornarão cada vez mais populares em função do desenvolvimento de plataformas dedicadas e de ambientes virtuais imersivos.

Não só os jogos em si, mas a expansão desse ecossistema para englobar NFTs, DeFi (finanças descentralizadas), realidade virtual e aumentada se configura como uma ótima porta de entrada de novos usuários para os protocolos descentralizados da Web3.

Mais do que apenas uma visão empresarial, a atração de pessoas para ambientes e processos descentralizados é um dos objetivos centrais de Luiz e da DUX como forma de contribuir para um mundo melhor:

"Eu acredito que os modelos centralizados sobre os quais o mundo está estruturado hoje não estão funcionando. A guerra da Ucrânia é um exemplo disso. Tem meia dúzia de pessoas no mundo que detêm um poder enorme. Uma pessoa pode explodir um país se ele quiser, e isso é uma consequência direta da centralização. Eu quero tirar o máximo de pessoas, da forma mais rápida possível, desse mundo centralizado para construir e experimentar alternativas para um mundo descentralizado."

DUX token

Durante a entrevista ao Cointelegraph Brasil, Luiz revelou que o lançamento do token utilitário e de governança da Dux foi encaminhado nesta terça-feira, 3, com a abertura de uma whitelist para potenciais interessados. A oferta inicial está sendo realizada através da exchange espanhola Bit2Me, que na semana passada anunciou o início de suas operações no Brasil.

O DUX vai oferecer aos seus detentores participação em decisões de governança da Dux, além de conectar toda a comunidade, incluindo jogadores, investidores e pesquisadores em torno de ferramentas de gestão de scholarships, tesouraria e patrimônio digital.

O ecossistema do Dux Token oferecerá aos detentores do token serviços de exchange, permitindo conversões de moedas fiduciárias para criptoativos, swaps de ativos digitais, além de funcionar como meio de pagamento e oferecer acesso a instrumentos de finanças descentralizadas, como staking e yield farming.

O DUX também oferecerá os serviços de launchpad e incubadora de novos projetos, promovendo a descentralização da captação de recursos. Os detentores do token terão acesso a relatórios sobre o ecossistema GameFi produzidos pela equipe de pesquisa da DUX. E poderão vivenciar experiências exclusivas no metaverso nos espaços virtuais da Dux nas plataformas Decentraland (MANA) e The Sandbox (SAND).

A primeira fase das vendas do DUX ocorrerá entre 10 e 13 de maio e o preço do token nesta oferta inicial é de € 0,23 (R$ 1,21) a unidade. A aquisição será limitada a um mínimo de € 100 e um máximo de € 3.000.

Inicialmente, os tokens serão submetidos a um período de bloqueio, e posteriormente serão liberados na proporção de 16,6% do total adquirido por mês, por um período de seis meses, até totalizar 100%.

A íntegra da entrevista realizada com o fundador e CEO da Dux, na qual ele aponta os jogos play-to-earn que estão no radar da comunidade neste momento, pode ser conferida no canal do Cointelegraph Brasil no Youtube.

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