América Latina acelera adoção cripto com PIX, cartões e pagamentos on-chain
Regulação ESG impulsiona uso de blockchain para dados auditáveis
Instituições ampliam uso prático de cripto em investimentos e filantropia
O começo do ano foi marcado por forte avanço das exchanges na América Latina e por sinais claros de amadurecimento regulatório. A MEXC encerrou 2025 com crescimento expressivo na região, impulsionada pela integração do PIX no Brasil, expansão de rampas fiduciárias e P2P em mercados como México e Argentina, além do lançamento do cartão Visa MEXC × ether.fi, compatível com Apple Pay e Google Pay. No mesmo ritmo, a Binance atingiu US$ 34 trilhões em volume negociado em 2025, superou 300 milhões de usuários globais e ampliou a adoção cotidiana com o crescimento do Binance Pay e integração com Pix e cartão Mastercard no Brasil, reforçando a presença institucional e o foco em segurança.
No campo regulatório e de sustentabilidade, a obrigatoriedade dos relatórios ESG a partir de 2026, definida pela CVM, abriu espaço para novas infraestruturas de dados. Nesse contexto, a Mova surge como resposta direta à demanda por informações auditáveis de emissões e mobilidade. O aplicativo, que será lançado em janeiro, tokeniza dados reais de deslocamento em blockchain, permitindo compliance climático, geração de créditos de carbono auditáveis e preservação da privacidade dos usuários. Em paralelo, a Altside recebeu autorização da CVM para atuar também com investimentos tradicionais, aproximando cripto e mercado financeiro clássico em um cenário de rápida expansão da base de investidores digitais no país.
O movimento institucional também ganhou destaque fora do mercado financeiro tradicional. A NYU Langone Health escolheu o BitGo para estruturar o recebimento de doações em criptomoedas, com custódia regulada, seguro e conversão automática para dólares. Já a Polygon iniciou 2026 com foco estratégico no Brasil, mirando pagamentos on-chain e RWAs, apoiada por aquisições como Coinme e Sequence.
MEXC registra expansão na América Latina
A MEXC encerrou 2025 com crescimento na América Latina, impulsionado pela adoção de serviços locais como PIX no Brasil e expansão de meios fiduciários e P2P em países como México, Argentina, Chile, Colômbia e Peru. A exchange também lançou o cartão Visa MEXC × ether.fi, permitindo pagamentos globais com cripto via Apple Pay e Google Pay. Essas iniciativas fortaleceram a integração entre criptoativos e o uso cotidiano na região.
No atendimento, a empresa ampliou suporte em português e espanhol, elevando o índice de satisfação (CSAT) de 92,48% para 96,25%. A taxa de resolução de chamados também melhorou, chegando a 93,10%. O reconhecimento internacional veio com o LATAM Customer Centricity World Series 2025 Award, destacando o foco da plataforma na experiência do usuário.
Em desempenho de mercado, a MEXC registrou alta de 82% em novos usuários, 159% em traders ativos e 68% no volume de futuros. A empresa fortaleceu sua presença física com participação em eventos como LABITCONF, Blockchain Rio e Blockchain Conference Brasil, sendo eleita “Best Exchange in LATAM”. Para 2026, a MEXC promete ampliar investimentos em produtos locais, serviços regionais e desenvolvimento comunitário.
Binance alcança US$ 34 trilhões em volume
A Binance apresentou seu relatório State of the Blockchain 2025, destacando avanço regulatório, expansão institucional e aumento do uso cotidiano de criptomoedas. A média de negociação diária subiu 18%, e a exchange conquistou autorização completa da FSRA (ADGM), além de ultrapassar 300 milhões de usuários. No ano, o volume total negociado atingiu US$ 34 trilhões, com US$ 7,1 trilhões apenas no mercado spot.
A plataforma expandiu a oferta para 490 ativos e quase 1.900 pares de negociação, enquanto o volume institucional cresceu 21% e as operações OTC em moeda fiduciária avançaram 210%. O uso prático de cripto também ganhou tração: Binance Pay cresceu 30% e passou a ser aceito em mais de 20 milhões de estabelecimentos. No Brasil, a integração entre Binance Pay e Pix, além do lançamento do cartão Mastercard, impulsionou adoção local.
Em segurança, a Binance reduziu em 96% sua exposição a fundos ilícitos desde 2023 e evitou US$ 6,69 bilhões em possíveis perdas de usuários apenas em 2025. A empresa atendeu mais de 71 mil solicitações de autoridades e ajudou a apreender US$ 131 milhões ligados a atividades ilegais. Os mecanismos de descoberta — como o Binance Alpha — e a distribuição de US$ 782 milhões em airdrops reforçaram o engajamento da comunidade no período.
MOVA transforma mobilidade em dados auditáveis
A partir de 2026, companhias abertas, securitizadoras e fundos serão obrigados pela CVM a reportar dados de sustentabilidade, incluindo auditorias independentes de emissões de CO₂. A Resolução 193/2023, alinhada aos padrões internacionais do ISSB, encerra a “zona cinzenta” regulatória e exige transparência total em relatórios ESG. Além disso, empresas brasileiras precisam se adaptar ao mecanismo europeu CBAM, que demanda comprovação auditada das emissões indiretas de Escopo 3, pressionando cadeias logísticas e de transporte por dados climáticos verificáveis.
Nesse cenário, a Mova surge como solução para o desafio central do mercado ESG: a falta de dados confiáveis e auditáveis. O aplicativo, que será lançado em 15 de janeiro, valida e tokeniza informações reais de mobilidade na blockchain, transformando deslocamentos em ativos digitais auditáveis. A plataforma permite que empresas obtenham dados certificados para compliance, enquanto usuários preservam a privacidade e recebem recompensas. Segundo a equipe, a economia do protocolo é baseada em receita real gerada pela venda desses dados e créditos de carbono a empresas e governos.
A infraestrutura da Mova transforma veículos, celulares e estações de recarga em nós de captura de dados, criando um ecossistema capaz de mensurar mobilidade com precisão e gerar créditos de carbono auditáveis (Carbono RWA). O app já acumula mais de um milhão de quilômetros validados em fase beta, refletindo uma demanda crescente impulsionada pela expansão dos veículos elétricos. Ao converter cada quilômetro em inteligência verificável, a Mova se posiciona como infraestrutura crítica para um futuro de cidades conectadas, mobilidade sustentável e compliance climático rigoroso.
Altside recebe autorização da CVM
A Altside recebeu autorização da CVM para oferecer também consultoria em investimentos tradicionais. A habilitação fortalece sua proposta de integrar portfólios de cripto e ativos tradicionais, aproximando dois mercados que somam, juntos, vasto volume de recursos. A empresa reforça que o aval regulatório valida sua governança e independência.
O movimento ocorre em meio ao crescimento acelerado do mercado cripto no Brasil, que movimentou cerca de R$ 1,7 trilhão entre 2024 e 2025, segundo a Chainalysis. Enquanto 26 milhões de brasileiros já possuem algum criptoativo, apenas 5,4 milhões investem em renda variável na B3. Pesquisas mostram forte adesão entre investidores de alta renda, segmento que exige planejamento patrimonial estruturado — lacuna que a Altside quer preencher.
BitGo e NYU Langone Health
A NYU Langone Health selecionou o BitGo Bank & Trust, da BitGo Holdings, para estruturar sua nova capacidade de receber doações em criptomoedas. A decisão permite que a instituição alcance novos perfis de doadores e adote uma abordagem moderna para filantropia, em um momento no qual contribuições em ativos digitais vêm crescendo no setor acadêmico.
A infraestrutura institucional da BitGo garante custódia fria regulada, com seguro de até US$ 250 milhões contra roubo, perda ou uso indevido. Além disso, a solução Auto Liquidation converte automaticamente as doações para dólares, sem intervenção manual, oferecendo liquidez agregada de diversas fontes globais e simplificando a gestão operacional da NYU Langone.
Segundo o CEO Mike Belshe, a parceria reforça a importância de um ambiente seguro e regulado para instituições que desejam adotar criptoativos em suas iniciativas filantrópicas. Para a NYU Langone, o acordo representa um avanço na modernização dos processos de captação e amplia o impacto financeiro das doações em ativos digitais.
Polygon mira expansão no Brasil
A Polygon inicia 2026 de olho no Brasil como mercado-chave para expandir pagamentos on-chain e o uso de ativos do mundo real (RWAs). Após um 2025 marcado por avanços tecnológicos e novas parcerias, a empresa volta seu foco para casos de uso cotidianos, integração com fintechs, bancos e empresas de pagamento, com destaque para a adoção crescente de stablecoins no país.
A estratégia visa reforçar a Polygon como infraestrutura central para remessas, pagamentos digitais e transações financeiras em larga escala. A empresa planeja ampliar parcerias com players globais presentes no Brasil, como Stripe, Mastercard, Revolut e Flutterwave, além de incentivar aplicações voltadas ao público geral, com interfaces simples e acessíveis. A rede já alcança capacidade de até 5.000 transações por segundo, apoiada pelo Gigagas Roadmap.
Além disso, a Polygon comprou a Coinme e a Sequence, movimento que a transforma em uma plataforma de pagamentos regulada nos Estados Unidos. As operações ampliam a Open Money Stack, oferecendo acesso ao sistema financeiro norte-americano, infraestrutura de pagamentos com stablecoins e experiências onchain simplificadas para usuários e instituições. A autorização regulatória alcança 48 estados e inclui onramps, offramps e mais de 50 mil pontos físicos de conversão entre dinheiro e criptomoedas.
A Coinme adiciona à Polygon uma base robusta de movimentação de dinheiro, com rede física extensa e uma plataforma enterprise licenciada de crypto-as-a-service. Já a Sequence traz tecnologia que torna pagamentos onchain invisíveis para o usuário, com smart wallets e o Trails, mecanismo que permite transações em um clique entre múltiplas blockchains. Juntas, as aquisições oferecem conformidade regulatória, orquestração de stablecoins e infraestrutura integrada para instituições financeiras e fintechs.

