Mais rápidos que gigantes da tecnologia e sem blockchain, criminosos vendiam celulares criptografados clandestinos

Enquanto HTC, PundiX e Sirin Labs buscam lançar um celular 'seguro' e que forneça privacidade por meio de criptografia e blockchain, traficantes de drogas e armas, acusados de assassinato e diversos outros crimes, fizeram fortuna com a MPC, vendendo aparelhos criptografados (sem DLT), segundo reportagem da Vice, publicada em 22 de outubro.

Segundo a reportagem na Holanda existe uma espécie de comércio clandestino de telefones 'personalizados' que executam software próprios para enviar mensagens e dados de forma anônima, muitas vezes usando servidores próprios dos 'fabricantes'. Às vezes, os dispositivos têm a funcionalidade de microfone, câmera e GPS removida.

Alguns aparelhos 'customizados' também têm um modo de inicialização dupla, onde ao ligar o dispositivo normalmente mostrará uma tela normal, mas se certos botões forem pressionados ao ligar o telefone, ele revelará um sistema de arquivos secreto contendo as mensagens de texto criptografadas do usuário e outras comunicações.

A MPC, comandada por um grupo de supostos assassinos e traficantes de drogas e armas, era uma destas empresa e usava imagens de Edward Snowden em suas propagandas em sites ligados a práticas criminosas ou obscuras.

 

A empresa começou trabalhando na personalização de aparelhos BlackBerry e depois, com um time de desenvolvedores passou a fazer alterações em aparelhos da Google, o Android Google Nexus 5 ou Nexus 5X, adicionando recursos de segurança próprios dentro do sistema operacional. A MPC também chegou a vender uma versão de aparelhos que usava um fork do Android de código aberto e focado na segurança, chamado CopperheadOS.

Os aparelhos eram comercializados por cerca de R$ 6.000 e a cada 6 meses eram submetidos a uma atualização que custava aproximadamente R$ 3.600. Com o negócio, a empresa teria fatura algo em torno de R$ 30 milhões. Além de celulares a MPC também vendia tablets, laptops e GPS.

“A instalação foi originalmente criada para trabalhar com a gangue de criminosos; então, eles viram que havia uma lacuna no mercado, então foi o que aconteceu”, teria revelado uma das fontes sobre como o negócio da MPC começou.

Os donos da MPC, segundo a reportagem, seriam um grupo conhecido como "The Brothers" ou "Escalade" como prefere a polícia escocesa. O grupo seria composto pelos irmãos James e Barrie Gillespie, acusados de operar um grande rede de tráfico de drogas e armas no Reino Unido com conexões na América Latina, Colômbia.

"O grupo traficou grandes quantidades de cocaína e heroína da América do Sul para a Europa (...) Vários membros torturaram um homem por uma dívida de drogas não paga amarrando-o em correntes, quebrando o braço, atirando nele e derramando alvejante em seus ferimentos (...) As conexões dos irmãos são mundiais e extremamente violentas", diz a reportagem.

Ainda segundo a reportagem embora as atividades de MPC aparentemente estejam encerradas, os telefones continuam sendo usados pelos irmãos, familiares e associados do grupo. Os irmãos ainda estariam soltos enquanto funcionários que teriam trabalhado para a empresa estão sendo mortos, misteriosamente, na Europa.

Como noticiou o Cointelegraph, a Pundi X apresentou seu smartphone blockchain Blok on Blok (BOB) na feira IFA em Berlim, recentemente. A Pundi X alega que o BOB é o primeiro smartphone em que todos os dados serão executados no ecossistema blockchain da Função X - a blockchain da empresa.

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