A Blockchain One, uma startup brasileira especializada na modelagem de negócios baseados na tecnologia blockchain, anunciou na última semana o lançamento da “DocStone”, uma aplicação (API) que conecta diferentes negócios à tecnologia disruptiva, disponível a empresas, incluindo indústrias, a partir desta segunda-feira (6) com acesso gratuito pelo link disponibilizado pela Blockchain One.
Pelo que era possível perceber no acesso à plataforma Blockchain-as-a-Service (BaaS), a versão gratuita da DocStone, que é integrada à Ethereum, Polygon e diversas outras redes blockchain, possui registro de documentos diversos, como músicas, patentes, fotografias, obras de arte, imagens, livros, segredo industrial, relatórios, certificados em geral e diplomas acadêmicos em blockchain, autenticidade imutável por hora/data e emissão de código hash ou de smart contract (contrato inteligente), cópia de metadados por e-mail, utilização da blockchain pública Celo, 100 registros ou documentos mensais e até 10 contratos inteligentes por esse mesmo período.
Em relação aos pacotes pagos, o leque de ferramentas e serviços é maior, como a utilização de outras blockchains, suporte para integração da DocStone ao sistema do cliente, tokenização de ativos, rastreabilidade e registro de evidências como ESG (sigla em inglês para meio ambiente, responsabilidade social e governança), pegada de carbono e outros protocolos, mecanismos personalizáveis de prova de validade jurídica de conteúdos ou documentos, emissão de tokens não fungíveis (NFTs) ou certificados antifraudes, entre outros recursos.
Criada por Dan Stefanes, Alan Kardec e Jerffeson Teixeira de Souza, respectivamente CEO, COO e CTO da Blockchain One, a plataforma DocStone chega ao mercado com a promessa de baratear produções e facilitar tecnicamente a criação de lastros, diminuindo burocracias e aumentando a produtividade, já que os negócios serão gerenciados e automatizados por meio de soluções baseadas no sistema blockchain. Os executivos esperam até 2024 a adesão de 100 mil registros e 10 mil empresas, além de cerca de R$ 20 milhões em movimentação.
“O uso de blockchain vem revolucionando negócios no mundo inteiro. Ele é hoje considerado uma tecnologia alternativa para diversos mercados por utilizar a descentralização, a imutabilidade e a rastreabilidade como recursos de garantia e transparência”, explicou Jerffeson Teixeira, que também é Ph.D. em Ciência da Computação pela School of Information Technology and Engineering da Universidade de Ottawa, Canadá, além de professor e assessor de Inovação Tecnológica na Universidade Estadual do Ceará (UECE).
Alan Kardec, que é mestre em administração com foco na tecnologia blockchain, certificado em Sustainable Development Goals pela University of Copenhagen e especialista em tokenização de ativos descentralizados, acrescentou que, cada vez mais, mercados vão exigir lastros do que é comercializado dentro e fora do mercado nacional, por causa das exigências legais e das aplicações ESG. Um exemplo, segundo ele, é a lei antidesmatamento da União Europeia (UE), que impede a entrada na região de produtos advindos de áreas desmatadas.
“Essa medida vai demandar de exportadores brasileiros garantias de suas produções. Essa é, inclusive, uma das preocupações do agronegócio local. É nesse sentido que a tecnologia blockchain atua e por isso ela é tão urgente. Ela se comunica com as demandas mais urgentes da retomada econômica no Brasil e no exterior”, completou.
Segundo Dan Stefanes, que também é advogado e especialista em Finanças Descentralizadas (DeFi) pela University of Nicosia, Chipre, todo compartilhamento de dados é feito de forma absolutamente segura.
“As informações podem ser divididas entre organizações e usuários sem comprometer a segurança, com um sistema baseado em criptografia e contratos inteligentes, além de ser possível criar uma verificação de identidade, que é mais uma camada de proteção e validação dentro da empresa, por integrar e controlar o acesso a sites, a ambientes físicos e a compartilhamento de informações”, finalizou.
Outra autoridade do meio acadêmico que decidiu abraçar a blockchain foi a Fundação Getúlio Vargas (FGV), que anunciou a criação de um curso de blockchain com foco em DeFi, conforme noticiou o Cointelegraph Brasil.
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