A gestão de conteúdo das redes sociais tem ganhado cada vez mais importância em tempos de fake news, desinformação e até disseminação de mentiras e incitação de violência por líderes de países usando plataformas sociais.
O banimento do perfil do presidente dos EUA, Donald Trump, de plataformas como Twitter, Instagram e Facebook, as maiores plataformas do mundo, escancarou a dificuldade das plataformas em garantir a liberdade de expressão mas evitar que se tornem um meio de manipulação e de crimes de ódio e/ou políticos, que podem custar caro às sociedades contemporâneas.
As redes sociais foram uma grande inovação nas últimas duas décadas, mas "as empresas de tecnologia estagnaram quanto a sua capacidade de reinventar suas plataformas". Porém, a última grande mudança já faz 10 anos, quase a mesma idade do Bitcoin (BTC). Ronaldo Lemos, advogado e colunista da Folha, tratou do tema nesta segunda-feira, escrevendo:
"A última grande inovação ocorreu há mais de 10 anos e tem duas dimensões. O uso de algoritmos para decidir qual conteúdo deve ser mostrado —simbolizado pela invenção do 'newsfeed' personalizado. E o monitoramento constante de dados dos indivíduos, mapeando como ele responde a cada estímulo, o que permite 'personalizar' o que vai ser mostrado a seguir."
Depois dos feed personalizados, poucas mudanças significativas ocorreram. Algoritmos mais simples foram substituidos por inteligência artificial, mas a base permaneceu a mesma, e a incapacidade das plataformas de afastar criminosos e propagadores de mentiras, inclusive com uso de bots para manipular a opinião pública em países como o Brasil e os Estados Unidos, mostrou-se flagrante.
Os algoritmos acabaram por privilegiar o pior das redes sociais: polêmicas, tragédias e extremismo. Quem já perdeu tempo com as sugestões infinitas de "conteúdo relacionado" sabe o quanto as redes podem levar os usuários a lugares muito sombrios.
Segundo o colunista, a inovação pode "salvar" as redes sociais e torná-las mais confiáveis e relevantes no futuro breve:
"Um dos caminhos é inovar mais. Retomar a inovação para reconstruir o peso dos indivíduos e das comunidades na seleção dos conteúdos nas plataformas. Não de forma simplória como no antigo RSS, mas usando o arsenal de tecnologias atuais para criar mecanismos de decisão coletiva e participação responsável."
As possíveis inovações para que as plataformas sociais consigam responder às demandas da sociedade contemporânea passam pela adoção de modelos de tomada de decisão coletiva, substituindo algoritmos automatizados por organização individual e coletiva; maior proteção de identidade, eliminando bots e perfis falsos; preferência por decisões conscientes dos usuários e não reativamente, como acontece hoje ("é a receita do caos"), por meio de análise de dados para a organização de conteúdo; e finalmente, o uso de blockchain para resolução de disputas baseando-se em stakeholders dentro das redes.
Segundo o colunista, estes são apenas "exemplos de inovações possíveis" para as redes sociais, que aos poucos perderam a sociabilidade e personalização, dando lugar à ditadura dos algoritmos e bots, simplificando os debates e privilegiando grupos e líderes políticos extremistas. Ele conclui:
Em outras palavras, trazer de volta a “wisdom of the crowds” (sabedoria das multidões). Porque a sabedoria dos algoritmos não deu certo.
Sobre o mercado cripto, ele diz que o período de baixa definitivamente terminou, que o momento é de euforia e deve trazer plataformas de pagamento em criptomoedas para a economia real.
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