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Caio Jobim
Escrito por Caio Jobim,Redator
Lucas Caram
Revisado por Lucas Caram,Editor da Equipe

Correlação histórica do Bitcoin com mercado de ações em momentos de queda invalida narrativa do 'ouro digital'

Performance do Bitcoin em momentos críticos do cenário macroeconômico sugere que o Bitcoin não é um ativo de proteção e que este papel ainda é mais adequado ao velho metal precioso.

Correlação histórica do Bitcoin com mercado de ações em momentos de queda invalida narrativa do 'ouro digital'
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A euforia do mercado de criptomoedas ao longo de 2021, quando o Bitcoin (BTC) mais do que triplicou o valor de sua máxima histórica de 2017, fez com que a narrativa do ouro digital e do consequente papel do Bitcoin como ativo de proteção contra a inflação ganhasse força. No entanto, a ação de preço do Bitcoin em momentos de incereza no cenário macroeconômico global, como agora, provam o contrário.

De acordo com reportagem publicada pela Business Insider, os investidores recorrem ao Bitcoin e às criptomoedas como forma de obter retornos descorrelacionados de ativos tradicionais como ações, títulos do tesouro e o próprio ouro, mas não como ativo de proteção, como mostram duas ocorrências recentes.

O fato de ambas terem ocorrido durante o último ciclo de baixa do Bitcoin reforça a tese de que já estaríamos vivenciando um novo inverno cripto. Olhando em retrospecto, o preço do Bitcoin está 51,5% abaixo de seu recorde histórico, alcançado em 10 de novembro. Muitos analistas acreditam que o fundo pode ainda não ter chegado.

2018

O primeiro evento que mostra a correlação do Bitcoin com ativos tradicionais remete ao final de 2018, quando o mercado acionário registrou uma queda de quase 20% e o BTC perdeu 50% do seu valor, ao passo que o ouro seguiu em direção oposta acumulando ganhos de 8%.

Como agora, o cenário macroeconômico foi responsável pela fuga dos ativos de risco. Na ocasião, o FED sinalizou um aumento na taxa de juros combinado com a desaceleração do crescimento econômico nos EUA.

Desempenho S&P 500 ETF Trust Bitcoin e Ouro - Outubro a dezembro de 2018. Fonte: Koyfin

    2020

    O segundo foi o crash instantâno dos mercados motivado pelo anúncio da pandemia do COVID-19 e antecipação dos investidores aos possíveis impactos futuros sobre a economia em março de 2020. Na ocaisão, o Bitcoin novamente a queda do Bitcoin se aproximou dos 50%, enquanto as ações caíram 34%.

    Mais uma vez, diante da fuga dos investidores de ativos de risco, o ouro mostrou-se refúgio preferencial, mantendo-se estável com uma baixa de apenas 0,2%.

    Desempenho S&P 500 ETF Trust Bitcoin e Ouro - Fevereiro a março de 2020. Fonte: Koyfin

    2022

    Agora, diante de um recuo de quase 7% no S&P 500 desde o início de 2022, o Bitcoin corrigiu 24%, enquanto o ouro permanece estável. Tal comportamento indica que, por enquanto, o Bitcoin não está consolidado como um ativo de proteção, ao contrário do que muitos alardearam nos topos históricos da maior criptomoeda do mercado.

    O BTC ainda é um ativo de alto risco, extremamente volátil, que potencializa seus ganhos com retornos superiores a quaisquer outra classe de ativos desde que o cenário marcoeconômico se mostre favorável para ativos de risco.

    A principal razão pela qual o ouro não perde seu status de ativo de proteção em meio à turbulência do mercado é que ele tem se provado uma forma efetiva de reserva de valor por séculos ao longo da história da civilização. O Bitcoin pode parecer muito mais apropriado enquanto reserva de valor em uma sociedade cada vez mais globalizada e digital. Volátil e imaterial por natureza, o BTC ainda não oferece aos investidores o mesmo grau de confiança que o ouro em um horizonte de longo prazo.

    Ao que tudo indica, tudo depende do momento do ciclo de mercado. E o começo de 2022 definitvamente não é um momento positivo para o mercado de criptomoedas. Além da queda, a repressão aos criptoativos estão recrudescendo em diversas jurisdições.

    Mesmo nos EUA, debates sobre a CBDC norte-americana em oposição às stablecoins e o impacto ambiental da mineração de Bitcoin deixam os investidores do varejo inseguros para comprar a baixa. Ao contrário, muitos Bitcoins têm sido vendidos abaixo do preço de compra, sinal do medo crescente que se espalhou pelo mercado.

    No momento em que este texto está sendo escrito, o Bitcoin está sendo negociado a US$ 33.596 e, conforme noticiou o Cointelegraph Brasil, um fechamento diário nesta segunda-feira abaixo dos US$ 34.000 pode intensificar ainda mais as vendas, mostrando que os ursos seguem firmes no comando.

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