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Cassio Gusson
Escrito por Cassio Gusson,Redator
Lucas Caram
Revisado por Lucas Caram,Editor da Equipe

Futuro do Bitcoin: Nossas expectativas são as melhores possíveis, revela Chainalysis

Caio Motta, arquiteto sênior de soluções da Chainalysis, acredita que o Brasil está na vanguarda da regulação cripto e que a convergência com o mercado tradicional abre espaço para inovação e segurança.

Futuro do Bitcoin: Nossas expectativas são as melhores possíveis, revela Chainalysis
Brasil

Apesar da recente decisão do Governo Federal de editar uma Medida Provisória criando um imposto para todas as operações com criptomoedas na qual o usuário obtiver lucro, a regulação dos criptoativos deixou de ser um entrave e passou a ser vista como um motor para a adoção institucional.

É essa a leitura de Caio Motta, Senior Solutions Architect da Chainalysis, empresa referência mundial em análise de blockchain e prevenção de fraudes. Em entrevista exclusiva ao Cointelegraph Brasil, Motta destacou o papel do Brasil no cenário global, elogiou os avanços regulatórios recentes e alertou para os desafios com o uso de inteligência artificial em crimes financeiros.

Segundo o executivo, as mudanças promovidas por entidades como OCC, FDIC e o Fed nos EUA mostram que os bancos tradicionais estão mais próximos do setor cripto. No Brasil, ele vê com otimismo o caminho adotado pelo Banco Central e pelo Congresso.

“As consultas públicas e a comunicação com o mercado criam um ambiente regulatório que fomenta o desenvolvimento da indústria”, afirmou.

Motta observa que a integração entre o sistema financeiro tradicional e o mundo cripto tem impulsionado a busca por soluções de compliance, prevenção à lavagem de dinheiro (PLD) e proteção contra fraudes.

“Instituições querem garantir segurança para os clientes e suas operações. A Chainalysis apoia esse desenvolvimento com programas robustos de gestão de risco”, explica.

Essa demanda crescente é impulsionada por empresas que oferecem produtos cripto e desejam cumprir exigências regulatórias. O executivo reforça que esse movimento legitima o setor e ajuda a atrair grandes players.

A evolução da inteligência artificial, embora promissora, também representa uma ameaça crescente. A Chainalysis estima que 85% dos golpes em plataformas centralizadas envolvem contas verificadas, muitas vezes manipuladas com ajuda de IA. Para responder a isso, a empresa tem investido em soluções como o Chainalysis Alterya, que identifica padrões suspeitos e atua antes que os criminosos façam vítimas.

Confira a entrevista completa

Regulamentação

Cointelegraph Brasil (CTBR): Em 2025, observamos mudanças significativas na abordagem regulatória global. Como a Chainalysis avalia o impacto dessas transformações no ecossistema cripto? E como o Brasil está posicionado neste cenário?

Caio Motta (CM): Nós da Chainalysis avaliamos o impacto das mudanças na abordagem regulatória como algo positivo. A adoção institucional, que é fundamental para uma futura adoção em massa, depende de clareza regulatória.

Nos EUA recentemente, a OCC, FDIC e o FED publicaram algumas mudanças regulatórias que facilitam significativamente o acesso de bancos americanos ao mercado cripto e isso sem dúvida deve impulsionar a indústria.

Em relação ao Brasil, acredito que as consultas públicas e a comunicação direta com o mercado estimulam a criação de um ambiente regulatório que fomenta o desenvolvimento da indústria e isso posiciona o Brasil em destaque.

Evidentemente, ainda existem alguns pontos em discussão que precisam ser bem analisados como o papel das stablecoins, mas temos confiança que todas as discussões regulatórias no Brasil seguirão contando com a participação da indústria.

CTBR: Temos visto cada vez mais uma convergência entre criptomoedas e o mercado tradicional. Como isso impacta os negócios da Chainalysis? Empresas tradicionais vêm procurando vocês para obter serviços de compliance para cripto?

CM: Na minha visão, a adoção institucional das criptomoedas impacta toda a indústria de maneira positiva e isso não é diferente para a Chainalysis.

O mercado financeiro tradicional que busca oferecer produtos cripto para seus clientes possui uma grande preocupação em relação ao estabelecimento de políticas de PLD e prevenção a fraude e nós da Chainalysis apoiamos esse desenvolvimento garantindo que essas instituições possuam desenvolver programas de risco robustos e consigam proteger seus clientes e sua organização.

Inteligência Artificial

CTBR: Como a Chainalysis acredita que a IA pode ajudar a moldar um mundo onde será mais difícil distinguir o que é real e como isso pode impulsionar golpes com cripto, já que cripto permite uma movimentação de dinheiro 'sem fronteiras'?

CM: A utilização de IA nos crimes cibernéticos já é uma realidade. De acordo com estudos realizados pela Chainalysis, cerca de 85% dos golpes que ocorrem em plataformas centralizadas, envolvem contas verificadas o que  demonstra como a IA já está conseguindo burlar mecanismos de verificação.

Diante dessa nova realidade, a Chainalysis segue buscando inovar no aprimoramento de processos de detecção de fraude inclusive utilizando o Chainalysis Alterya que utiliza tecnologia de IA para identificar golpistas antes que eles encontrem suas vítimas.

CTBR: Como o Lazurus Group consegue converter cripto em fiat para financiar as atividades na Coreia do Norte?

CM: O grupo Lazarus é uma organização que executa ataques cibernéticos extremamente sofisticados. Essa elevada sofisticação também se aplica a utilização de diferentes métodos para lavar criptomoedas e eventualmente convertê-los em fiat. O grupo Lazarus utiliza principalmente mixers, bridges para cross-chain swaps e exchanges descentralizadas para tentar dificultar o rastreio.

A ausência de um marco regulatório global também permite que marketplaces como o Huione Pay sejam utilizadas para facilitar a lavagem de dinheiro e um outro ponto também é que o vácuo regulatório em algumas regiões faz com que algumas plataformas simplesmente se recusem a colaborar com autoridades policiais.

Papel do Brasil

CTBR: Qual é a visão da Chainalysis sobre o papel do Brasil no ecossistema cripto latino-americano e global?

CM: A Chainalysis enxerga o Brasil como um dos líderes globais da cripto economia. O Brasil ocupa a 10 posição no relatório de adoção cripto de 2024 e há alguns anos, vem se posicionando como um dos mercados mais maduros tanto em termos regulatórios quanto em adoção institucional.

CTBR: Qual é a posição da Chainalysis sobre iniciativas que buscam equilibrar segurança e privacidade no ambiente digital? Podemos confiar em uma empresa ou em carteiras digitais como MetaMask para compartilhar nossos dados?

CM: A Chainalysis reconhece a importância da privacidade no ecossistema de criptomoedas, equilibrando a transparência com a necessidade de proteger os dados dos usuários.

Existem diversas discussões sobre privacidade em todo o mundo e uma opção viável bastante mencionada vem sendo a zero knowledge proof que é um método criptográfico que permite que várias partes verifiquem a veracidade de uma declaração sem revelar informações além da própria declaração.

CTBR: Quais são as expectativas da Chainalysis para o mercado de criptomoedas nos próximos anos, considerando os avanços tecnológicos e as mudanças regulatórias?

CM: As melhores possíveis. Sem dúvidas existem diversos desafios do ponto de vista de segurança e prevenção às fraudes devido a evolução da IA, mas quando avaliamos a tendencia de crescimento do mercado impulsionado por uma adoção institucional e desenvolvimento regulatório, não há como pensar diferente. 

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