Diretor da Binance revela planos para o Brasil e fala sobre adoção de stablecoin lastreada em real: 'é uma opção'

De passagem pelo Brasil nesta semana, onde participou como convidado do Blockcrypto, o diretor de estratégia da Binance, Gin Chao, falou sobre os planos para o Brasil e para a América Latina em entrevista exclusiva ao Cointelegraph e afirmou: a adoção de uma stablecoin lastreada em reais está no radar da companhia.

A relação entre adoção e segurança também foi destacada com a afirmação de que ambas andam de mãos dadas e que não adianta nada cativar o usuário sem oferecer a ele segurança de seus fundos.

Além disso, o executivo também falou sobre a sua visão do mercado blockchain e crypto na região, sobre a contratação de diretores no Brasil e muito mais.

Confira a entrevista completa abaixo:

Cointelegraph: A Binance anunciou a contratação de um diretor de Marketing no Brasil. Quais são os planos da exchange para o país e a América Latina como um todo?

Gin Chao: Nesse momento, estamos investindo mais recursos no nível mais elementar para fazer nossa comunidade crescer.

Vir a essa conferência foi ótimo para ver o quão ativa é a comunidade aqui e em que precisamos focar. Existe grande potencial para toda a região da América Latina, mas a adoção ainda é bastante pequena.

Então a principal razão para termos contratado um diretor de Marketing é melhorar nossos esforços de base com vistas ao crescimento, inclusive de nosso programa de investidores anjos e fortalecer mais ainda nossa marca na região.

CT: Qual a importância de questões relativas à segurança para a Binance, que recentemente teve problemas relacionados a isso? O mesmo aconteceu no Brasil, com uma exchange que ainda mantém os fundos de seus clientes congelados há dois meses. Como você vê a relação entre adoção e segurança no mercado de criptomoedas?

GC: Esse tópico é curioso, pois creio que adoção e segurança andam de mãos dadas. Quando as pessoas sentirem que esse espaço é seguro haverá adesão, e quando houver adesão as pessoas desejarão ter certeza de que seus fundos estão em segurança.

Não sei o que vai acontecer com essa exchange brasileira em particular, mas com certeza se eles não conseguirem contornar o problema e liberar os fundos dos clientes eles certamente não vão sobreviver.

Na Binance nós passamos por um problema de segurança há pouco tempo, sofremos uma enorme pressão. Mesmo uma semana é tempo demais dentro desse mercado e, por isso, trabalhamos contra o relógio e conseguimos resolver o problema em oito dias.

Se tivéssemos demorado dois meses, creio que não seríamos capazes de sobreviver dentro dessa indústria. Mesmo que você seja aberto e honesto e mostrar às pessoas o que está acontecendo, dois meses é simplesmente tempo demais.

Nós como seres humanos desejamos segurança em nossa experiência de vida e essa deve ser a preocupação prioritária das empresas, sendo simplesmente indispensável.

Após garantir a segurança as empresas podem focar mais em diferenciais de usabilidade e outras características particulares, mas não vai adiantar ter tudo isso sem segurança.

CT: A Binance anunciou a criação de várias stablecoins. O Real Brasileiro está entre as opções consideradas pela exchange?

GC: Sim.

CT: Como você vê o potencial do Brasil no mercado de criptomoedas de uma forma geral?

GC: Existe um grande potencial. A América Latina em geral e o Brasil de forma específica são fortes mercados para remessas internacionais.

Outra questão é que o Real Brasileiro está entre as moedas top 20 no mundo em termos de negociações diárias, o que representa, junto com o peso mexicano, um mercado de cerca de 1,5 trilhão de dólares.

Então creio que essa região tem duas moedas muito proeminentes e quando você fala em stablecoins você precisa pensar nesse tipo de moeda no seu portfólio.