O final de semana aqueceu a briga entre os grandes brancos brasileiros e as fintechs, que se colocam como alternativa às instituições financeiras tradicionais.

A Febraban foi às redes sociais para responder às críticas feitas pela Zetta, associação que reúne Nubank, Google e Mercado Pago, em uma postagem no Twitter, na quinta-feira, de que os grandes bancos do país reajstaram suas tarifas de serviço acima da inflação, enquanto as fintechs mantiveram o valor de suas tarifas.

A Federação Brasileira de Bancos contra-atacou apresentando dados disponibilizados pelo Banco Central que mostram, de acordo com a nota, que "na última semana de agosto, a taxa média de juros do cartão rotativo do Nubank era de 291,67% ao ano, maior que a média dos 5 grandes bancos, de 271,68%." A nota continua, acresentando:

No crédito pessoal não consignado, a taxa média cobrada pelo Nubank foi de 62,86% no final de agosto, enquanto a média dos 10 grandes bancos era de 54,54% ao ano e dos cinco grandes 60,65% ao ano.

A nota da Febraban vai além e faz uma comparação entre os impostos incidentes sobre os grandes bancos e as fintechs - e a legislação trabalhista diferenciada que se aplica a ambas - para sugerir que as startups do setor financeiro são beneficiadas por uma regulação mais permissiva.

De acordo com a nota, os bancos pagam anualmente 25% de Imposto de Renda, mais 20% de Contribuição Social sobre o Lucro Líquido (CSSL), enquanto as fintechs pagariam 9% e 15%, respectivamente. Estas últimas também não teriam que seguir as regras impostas às instituições financeiras tradicionais no que diz respeito à contratação de bancários.

Em relação aos serviços prestados há poucas diferenças, de acordo com a nota da Febraban, que compara os benefícios das fintechs à lei de meia-entrada em eventos esportivos e espetáculos culturais:

A “verdade” verdadeira é que as grandes fintechs gostam mesmo é de pagar apenas "meia entrada" e em nada se diferenciam dos bancos. Aliás, só não são bancos para pagar menos impostos, gerar menos empregos, ter poucas obrigações regulatórias e trabalhistas.   

No encerramento da nota, a Febraban afirma ainda que os bancos tiveram maior participação nos esforços para minimizar os efeitos da crise econômica impostos pela pandemia do coronavírus na forma de crédito e em recursos destinados à àrea de saúde.

Até o momento em que este artigo está sendo fechado, nem a Zetta nem o Nubank haviam se manifestado a respeito da nota da Febraban. A guerra de narrativas e o reforço da denúncia de que o mercado financeiro brasileiro paedece de "assimetrias regulatórias" é mais um capítulo da crescente disputa entre bancos e fintechs no país.

Em janeiro, o Banco Central já encerrou uma consulta pública sobre o tema e considera fazer ajustes na legislação atual, porém, até agora, não houve propostas de medidas concretas nesse sentido.

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