Embalado pelo lançamento do primeiro ETF de criptomoedas da Bolsa de Valores do Brasil (B3), o Banco Itaú está preparando o lançamento de um novo fundo de investimentos baseado em ações de empresas blockchain, como noticiou o Valor Investe.
Cláudio Sanches, diretor de Produtos de Investimentos do Itaú Unibanco, foi quem deu a notícia em entrevista ao portal:
“Nesse novo produto, você não vai pegar a alta nas cotações das criptomoedas, mas vai capturar a valorização das empresas que estejam trabalhando com coisas relacionadas. [O novo fundo] deve sair em breve, estamos trabalhando nisso atualmente”
O Itaú também mira no mercado de tokenização de ativos reais, como já faz a Mercado Bitcoin no Brasil. Sanches comenta:
“Ativos tokenizados são algo que, isso sim, cada vez mais vai fazer sentido distribuir para nossos clientes. Isso inclusive deve ter uma velocidade maior [no Itaú] do que as criptomoedas”
Mudança de postura
A abordagem do Itaú sobre o mercado de criptomoedas mudou recentemente, como noticiou o Cointelegraph Brasil. Até o fim de 2019, o banco associava o criptomercado à "lavagem de dinheiro e financiamento terrorista", mas a alta do mercado e a adoção por grandes investidores mudaram a visão do Itaú, que recentemente até recomendou a seus clientes o investimento em criptomoedas.
O diretor, porém, não reconhece a atitude como "mudança de posição", mas fala em evolução, dizendo que o criptomercado amadureceu e tornou-se mais seguro para investidores:
“Hoje há instrumentos mais seguros. A gente entendeu que fazia sentido trabalhar com a Hashdex, por exemplo, porque eles têm um processo sólido de custódia que faz com que sejam muito pequenos os riscos comuns dos ativos cripto, que são o dinheiro desaparecer ou as chaves se perderem. Talvez a gente avance devagar, mas é um segmento que vai crescer muito.”
O lançamento do ETF de criptomoedas na B3 chamou atenção do banco, já que a busca entre clientes do Personnalité foi muito acima do que no caso de outros ETFs da bolsa, mesmo aqueles que tiveram campanhas mais massivas de marketing:
“Existiu uma demanda grande, com muitos clientes pedindo algum ativo de criptomoeda. Aproveitamos que o Itaú BBA faz parte da oferta e tomamos a decisão de disponibilizar para nossos clientes. Não é uma recomendação ativa, porque é um ativo bastante difícil de entender e três vezes mais arriscado do que a bolsa. Mas está na nossa prateleira, e temos comunicado os clientes sobre o produto"
Apesar de recomendar o investimento no criptomercado, o Itaú também prega ponderação. O banco diz que o perfil dos clientes também mudou, com mais investidores querendo alocar porcentagens mais altas do porftólio no mercado. Apesar de não recomendar este tipo de investimentos, o banco nega que vá contra: “Se alguém quiser botar 100% da carteira nesse fundo, a gente vai alertar, mas pode fazer", conclui.
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